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Ironia e ganância

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Jessé Souza* É no mínimo de tom irônico o apelo que um empresário fez, aos boa-vistenses, para que não compre no hipermercado recém-instalado na Capital. Por anos, o consumidor roraimense vem sendo espezinhado não apenas pela falta de concorrência, mas também pelo completo desprezo de empresários que enxergam no mercado local uma forma apenas de aumentar seus patrimônios. Nesse ramo de supermercados, as redes sociais estão apinhadas de denúncias de pessoas que foram humilhadas ao comprarem produtos visivelmente estragados ou com prazo de validade vencido. As recentes operações feitas pela Promotoria de Defesa do Consumidor com a Delegacia de Defesa do Consumidor mostram o tamanho não somente da falta de respeito, mas de crimes cometidos contra o povo. Depois vem a ganância, em que boa parte dos empresários não repassa os benefícios conquistados por meio da Área de Livre Comércio de Boa Vista ou simplesmente pratica um preço extorsivo, tudo em um conluio que pode até não se...

O espelho do campo

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Jessé Souza* Quem nasceu no Estado sabe que a Exposição Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr) sempre representou um marco para celebrar o encontro do urbano com o rural, ou seja, marcava a chegada dos produtores rurais para celebrar seu árduo trabalho com as pessoas da cidade, a quem suas produções alimentam o ano inteiro, muitas vezes sem apoio governamental e sem reconhecimento por parte da população. Isso significa que esse evento tornou-se importante (como é importante em qualquer outro Estado) para saber como está a produção agropecuária e também para promover um encontro festivo de quem produz com quem consome, além de chamar a atenção de governos e instituições financeiras para a importância do homem do campo. Porém, por mais de meia década, os governantes locais não acharam importante realizar a Expoferr, sob a alegação de “falta de recursos”, como se não soubéssemos que dinheiro tem, sim, mas não para investir na agricultura e na pecuária. E ficou uma lacuna ir...

Exemplo de Sampa

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Jessé Souza* Resta esperança, no Brasil, quando estudantes saem às ruas para protestar por um ensino de qualidade. O exemplo que parte de São Paulo mostra que a juventude pode ser a força, a resistência que precisamos para avançar mais alguns degraus pela moralização do país. Também revela a truculência dos maus políticos que usam a polícia para fazer o que de melhor ela sabe: reprimir. Em Roraima, não faz muito tempo, estudantes que foram para o Plenário da Assembleia Legislativa do Estado foram chamados de “macacos de auditório” e ainda ameaçados pela direção da escola de serem punidos pelo fato de terem ido cobrar uma escola de qualidade. Na década de 1980, os estudantes foram definitivos para a mobilização em favor da democracia em um momento turbulento, que foi a transição da ditadura para a democracia. Foram eles que mostraram que ser estudante e jovem significava ter responsabilidade na política, engajamento por causas coletivas. No passado, havia motivos para e...

Da janela do carro

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Jessé Souza* Além das imprudências e imperícias de condutores que vejo todos os dias nas ruas e avenidas de Boa Vista, outro fato que chama muita a atenção é a naturalidade com que as pessoas lançam, em via pública, o lixo pela janela do carro ou da garupa da moto. Pela minha criação de respeito ao meio ambiente, não consigo conceber o que pensa um cidadão ou cidadã que age assim. Minha hipótese é que muitos concebam o espaço público como “lugar de ninguém”, onde se pode fazer isso porque tem o poder público para limpar, consertar e repor. E isso aliado à falta de educação não apenas ambiental, mas de convivência mesmo, de cidadania, de família. Porque uma família que preza pela educação sabe respeitar qualquer espaço, principalmente o público. Quem recebeu educação ambiental sabe que a natureza tem a “lei do retorno”, ou seja, ela devolve o mal ou bem que fizermos a ela. Em outras palavras, se lançarmos o lixo no meio ambiente, ele voltará em forma de alagamentos ou out...

Chocolate Garoto

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 Jessé Souza* Infelizmente, o brasileiro também é culpado pelas ações corruptas de militares venezuelanos durante abordagem a turistas. Não que eu queira livrar a Venezuela de seus graves problemas, mas no quesito corrupção não podemos nos orgulhar. Pelo que tenho observado, o brasileiro exportou alguns maus comportamentos para lá. Vez por outra, ouço brasileiros (incluídos aí os amazonenses) falando que levam chocolate Garoto para “presentear” algum militar da Guarda Venezuelana durante o trajeto, pela estrada, até as ilhas caribenhas daquele país. Ou que não hesitam em oferecer alguma grana no bom estilo do “jeitinho brasileiro”. O fato é que muitos brasileiros levaram, para as estradas venezuelanas, a malandragem que é usual por aqui. Não providenciam as documentações necessárias, não regularizam seus veículos e não querem se submeter a revistas, espera e filas. Resultado: optam pela propina para que passem pelas alcabalas sem ser incomodados. No quesito filas, ...

Um passo adiante

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Jessé Souza* O que venho comentando aqui, há quase 18 anos, surge pela primeira vez em uma pesquisa Datafolha, publicada na Folha de S. Paulo: “No ranking de problemas do país, a corrupção é a campeã isolada”. Conforme a pesquisa, realizada nos dias 25 e 26 em todo o país, 34% dos eleitores colocam a corrupção como o principal problema do Brasil na atualidade. Na sequência, aparecem saúde, com 16%, desemprego, com 10%, educação e violência, ambos os temas com 8%, e economia, citado por 5%. É um passo importante este, embora pareça simbólico para muitos. Porém, essa tomada de posição só foi permitida graças às ações da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça diante dos escândalos que surgem quase que semanalmente a partir do propinoduto da Petrobras por meio da Operação Lava Jato. Esse mal endêmico é tão antigo quanto o achamento do Brasil, em 1500, conforme mostram os relatos históricos. Mas nunca foi tão explicitado quanto agora, com as prisões de polí...

O peão, xadrez e realidade

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Jessé Souza* Meu filho mais velho tinha um trabalho para fazer em casa: desenhar uma obra de arte em uma tela que retratasse o xadrez - sim, o jogo, não a cadeia para onde estão indo políticos corruptos. Ele comentou que estava sem ideia para pintar a tela. Disse que alguns colegas estavam pintando suas obras com as cores da bandeira da França, obviamente uma solidariedade aos ataques terroristas contra os cidadãos daquele país. Imediatamente me deu aquele estalo mental. E o orientei a fazer diferente, algo com as cores do Brasil, usando a peça do peão simbolizando exatamente o que ele representa nas duas realidades, no tabuleiro do xadrez e na vida do brasileiro, que tem de batalhar diariamente sendo exatamente isso, um peão que é enviado para a linha de frente a fim de manter “rei” e “rainha”. Porém, minha finalidade não é falar da arte do meu filho. Nem dele. E sim da forte influência que a mídia tem na vida das pessoas. Na porta da escola, na manhã de ontem, vi exatam...