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Useiro e vezeiro, teúdo e manteúdo

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Jessé Souza* Chegamos ao limite. Se o Brasil pós impeachment e pós gravação está escorregando pelas beiras de tanta lama fétida, então imaginemos a que ponto chegamos no Estado de Roraima. Senão, vejamos. Os dois principais líderes políticos locais estão implicados e emaranhados nessa grande teia do negrume político. O líder de um dos grupos políticos, o ex-governador Neudo Campos (PP), está condenado e preso para cumprir uma sentença de 13 anos no caso de contratação de funcionários fantasmas na folha de pagamento do governo, o chamado “caso dos gafanhotos”. Junto com ele estão outros tantos, entre aliados e ex-aliados, os quais estão de alguma forma na condução política local. O líder do outro grupo, o senador Romero Jucá (PMDB), não é de hoje que está enrolado com a Justiça, mas somente agora foi pego a partir de uma gravação, cujo áudio não só sugere um grande esquema para estancar a Operação Lava Jato, que investiga o maior escândalo de corrupção no país, o propinodut...

Escravos, planos e piranhas

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Jessé Souza* Quando os africanos eram trazidos para o Novo Mundo, a fim de que trabalhassem como escravos, seus novos senhores tomavam a primeira providência: rebatizá-los e impedi-los de fazer qualquer manifestação de sua cultura ou prática de costumes tradicionais. Essa atitude tinha a finalidade de apagar o passado desses escravos para que apagassem da memória que um dia foram livres e passassem a pensar e a agir como escravos, com obediência inquestionável a seus donos. Tudo que lembrasse sua antiga cultura não apenas era combatido, como punido severamente no tronco. Foi algo muito semelhante que o governo Temer fez ao assumir o governo depois de seu grupo arquitetar o impeachment de Dilma: decidiu extinguir o Ministério da Cultura, pois ele sabe que o brasileiro, para aceitar esse plano de dominar o “novo” Brasil, precisaria apagar qualquer tipo de cultura que vinha sendo planejada na base da crítica, da contestação e de novas visões a partir dos artistas. Assim c...

Titanic e os cleptocratas

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Jessé Souza* O que muitos não entenderam (ou não querem entender) é que, no Brasil, a oposição do eleitor, neste momento, não deve ser a favor ou contra este ou aquele governo; a oposição sistemática e barulhenta deveria (e deve) ser contra a corrupção em todos os níveis e cores partidárias, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Porém, parece que esta não é a finalidade de muitos que fizeram panelaço e barulho pelo impeachment. Está muito cristalino que há uma tolerância aos corruptos da cleptocracia que está sendo montada pelo governo Temer (PMDB). É como se fosse uma leniência pela corrupção, como se esta corrupção fosse menos pior que aquela, como se estes clecptocratas que aí estão nunca tivessem participados dos governos anteriores. A divulgação do mais recente diálogo para frear a Operação Lava Jato é a confirmação do que vem venho repetindo aqui, neste espaço, sobre os grandes acordos que poderiam ser concretizados, aos moldes do que foi feito na Operação Mãos Limpas,...

Sorte e o pau de galinheiro

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Jessé Souza* O estardalhaço que a Globo fez com o governo de Dilma Rousseff (PT), bradando contra a corrupção e cobrando moralidade, parece que não se aplica ao governo de Michel Temer (PMDB). Além de o tom ter mudado, o discurso agora é completamente alheio à realidade. Para contextualizar, o novo líder do governo Temer, na Câmara, André Moura (PSC),  é réu da Operação Lava Jato e investigado por tentativa de homicídio. Ou seja, ele não é tão somente um “ficha suja” qualquer, é um “ficha sujíssima”. Seria o suficiente para haver panelaços e uma corrente de indignação nas redes sociais. Ao noticiar essa informação do novo líder “pau de galinheiro”, a Globo não só falou fino, na manhã de ontem, como a entrada ao vivo do festejado comentarista Alexandre Garcia foi no mínimo ridícula: “Depende da sorte”. Ou seja, no governo do PT, investigado assumir um cargo era pilantragem, mas, no governo Temer, um “ficha sujíssima” ficar à frente de um cargo importante é “questão de...

Combate ao vandalismo

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Foto:   Gislaine Lima Jessé Souza* A questão do vandalismo é preocupante, pois destrói aquilo que é mantido com o dinheiro público. E a Prefeitura tem explorado esse sentimento de revolta das pessoas como forma de propaganda positiva de sua administração, como se os vândalos fossem exclusivamente culpados pela deterioração do bem público. O maior vândalo do patrimônio público, em Boa Vista, bem como em nosso Estado, é o próprio poder público, que deixa os bens dos governos se deteriorarem com o tempo, junto com o vandalismo, para que depois possam fazer reformas e revitalizações com preços superfaturados. A Praça das Águas é apenas um desses exemplos. Como os serviços de manutenção nunca foram feitos, tudo acabou deteriorado, a ponto de as fontes pararem de funcionar, o serviço de som se danificar, o piso não mais prestar e assim por diante. Com aspecto de abandono, o vandalismo apenas seguiu o cortejo. A reforma da praça, então, que poderia ter custado ...

Propinoduto Brasil

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Jessé Souza* Dias desses, soube do caso de uma empresa local que tenta receber o pagamento pelos serviços que presta a governos para que possa sobreviver e pagar salários e os direitos trabalhistas de seus funcionários, os quais prestam serviço a órgãos públicos. Missão difícil esta porque, por onde seus representantes andam, tentando fazer seus processos correrem, aparece alguém pedindo propina. Esse caso representa o resumo de tantos outros que alimentam a corrupção nesse país do impeachment. É praticamente um tormento um empresário honesto querer sobreviver prestando serviço para governos, a começar pela licitação, pois geralmente ela é dirigida para quem faz parte dos esquemas, geralmente uma empresa que se submete à propinagem ou que pertence a políticos. Diante desse quadro, é difícil explicar aos extremistas que atacam movimentos sociais que lutam pelos direitos da coletividade e de minorias, que é essa batalha não é necessariamente contra o capitalismo nem em favor...

EUA, Ruanda e cleptocracia

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Jessé Souza* Essa corrupção endêmica só ocorre no Brasil? Estamos fadados a essa índole de corruptos terceiro-mundistas? A partir desses questionamentos, andei pesquisando, neste fim de semana, sobre o assunto. Como já fiz intercâmbio nos Estados Unidos, no início da década de 2000, quando conheci um pouco da realidade e as nuances da corrupção norte-americana. Nos EUA, a corrupção existe, não nos moldes do que ocorre por aqui, porque lá a relação das grandes empresas e corporações com a política é bem vigiada, com doações de campanha dentro da legislação, evitando as máfias semelhantes às instaladas no Brasil, onde as empreiteiras pagam propinas para “ganhar” licitações ou fazem doações para campanha por meio de “caixa 2” a fim de manter a cleptocracia. Essa promiscuidade até chega a existir por lá, mas as atuações ilegais são desmascaradas e os parlamentares acabam sendo pegos de alguma forma, pois não existe imunidade parlamentar para quem comete crimes de qualquer or...