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De baixo para cima

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Jessé Souza* Todas às vezes que vou ao shopping da área nobre da cidade, vejo donos de carros estacionarem seus veículos do lado de fora para não pagarem os R$3,00 do valor do estacionamento. Essa é uma escolha que a pessoa assume na intenção de economizar, mesmo correndo o risco de terem o veículo furtado ou mesmo danificado pela ação de alguém mal intencionado. Mas, no domingo passado, ao chegar ao shopping, à noite, vi um carro dentro estacionamento parando ao lado da cancela eletrônica, quando um dos passageiros desceu para tirar um novo ticket. Mas por que alguém, que já estava dentro, pegaria um novo ticket na saída? A resposta é óbvia: tirando um novo ticket, o condutor não precisa mais pagar pelo estacionamento porque o veículo passa a ter uma tolerância para sair gratuitamente. E assim se faz o Brasil que se veste de verde e amarelo contra a corrupção, mas pratica suas desonestidades diariamente, assim que se sente à vontade, bastando não haver alguma fiscalizaç...

A vez da cleptocracia

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Jessé Souza* O desejo de alcançar um governo democrático vem da Grécia Antiga, quando Heródoto teorizou um Estado com um governo eficiente e honesto. Ao longo da história, surgiram vários teóricos que também idealizavam lugares onde tudo funcionasse em perfeita ordem e harmoniza, sem problemas sociais ou políticos. De tão improvável ou impossível, tudo isso foi chamado de utopia. No Brasil do impeachment, cheguei a imaginar que esse atual grupo que se apossou do poder estava instalando a plutocracia (do grego ploutos: riqueza; kratos: poder). Nesse sistema político, o poder é exercido pelo grupo mais rico, cuja concentração fica nas mãos da elite econômica mediante uma profunda desigualdade de renda e baixo grau de mobilidade social (Wikipédia). Estava tudo se desenhando para isso até os abutres mostrarem suas verdadeiras intenções a partir do plano de enterrar a Operação Lava Jato,  ação esta que vinha sendo traçada antes mesmo do processo de impeachment, conluio este...

De Espírito Santo a Roraima

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Jessé Souza* Estar longe da realidade do Espírito Santo faz com que muitos se sintam confortáveis para lançar críticas e avaliações sobre o que está acontecendo por lá, com policiais militares aquartelados e seus familiares bloqueando o portão principal do quartel para que ninguém saia para cumprir o expediente no policiamento ostensivo. Roraima já passou por situação semelhante. Felizmente, naquela época, o crime ainda não estava organizado dentro do sistema prisional nem a bandidagem se sentiu livre para agir diante da deficiência no policiamento por causa daquele aquartelamento. Talvez hoje a situação fosse diferente, com sérios prejuízos para a sociedade, diante do avanço da criminalidade e das drogas. Mas o ângulo a ser analisado diante da realidade que parte do ES, e agora do Rio de Janeiro, é outro: as polícias há muito tempo estão largadas ao descaso pelos governantes; o caso do Espírito Santo tão somente revela a realidade da maioria dos estados brasileiros, onde ...

De Leste a Oeste, um sopro

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Jessé Souza* Sem fazer nada no fim de semana e entediado com o ar-condicionado, decidi abastecer o tanque do carro e dirigir pela cidade. Comecei almoçando no shopping onde começa a zona Leste e, de lá, parti para os últimos bairros na zona Oeste, no outro extremo. À medida que as áreas centrais iam ficando para trás, onde tudo parecia estar em câmera lenta (slow mocion, para os mais novos), a vida começava a pulsar. Quanto mais longe, a geometria do urbanismo do Centro passa a ser substituída pela confusão do emaranhado de ruas e gente. Então, antes que terminasse a primeira pasta de música do meu pen drive, eu já estava no fim da cidade, onde as casas enfileiradas em forma de conjuntos habitacionais contrastam com o típico lavrado roraimense, anunciando que ali é o fim da zona urbana. Depois de observar a Serra Grande ao fundo, em direção ao Sul, imaginei: é isso que faz com que alguns não se adaptem por aqui, pois tais pessoas já não conseguem mais viver fora do víc...

A interrogação

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Jessé Souza* Não é apenas o Espírito Santo que padece. É todo o corpo do Brasil que apodreceu. Enquanto os saqueadores atacam em um Estado brasileiro sitiado, os políticos safados agem às claras em Brasília, saqueando o que ainda resta de moralidade nesse país – se é que restou alguma ponta de virtude na política. Se Deus é brasileiro, então o Pai tem que chamar o Filho e o Espírito Santo para reconstruir o Brasil que foi consumido pela canalhice e pela corrupção dos maus políticos, porque os safados estão agindo às claras e não há esperança de que haja cidadão brasileiro decente em número suficiente capaz de consertar essa política por meio do voto. Os principais políticos que estão comandando o país, um deles saído dos votos dos roraimenses, são chamados de quadrilheiros sem que haja a mesma indignação que se viu, recentemente, quando os brasileiros incendiados pela Rede Globo vestiram a camisa da Seleção e foram às ruas apoiar o golpe do impeachment. Em Roraima, um ...

Venezuela?! Não, é o Brasil

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Jessé Souza* Não estamos assistindo a cenas da esfacelada Venezuela, onde faltam comida e dinheiro.  Nem o Brasil corre o risco de se tornar uma república bolivariana, como pregam irresponsavelmente os embusteiros das redes sociais. O que estamos vendo são brasileiros do Espírito Santo se aproveitando da falta de policiamento ostensivo, nas ruas, para saquear comércio, assaltar e matar. Não se trata apenas da ausência da polícia. Trata-se da ausência de caráter, da sensação de esculhambação geral da nação e da degeneração de um país que não investe na educação. É a realidade brasileira daqueles que, na ausência dos olhos da polícia e da Justiça, também estão prontos para cometerem “jeitinhos”, delitos e crimes. A situação do Espírito Santo é a elevação à máxima potência da frase de Georg Christoph Lichtenberg: “Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”. Roubaram tanto esse país, esculhambaram os poderes, sucatearam tudo o que puderam a ponto ...

Do perfume à burrice

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Jessé Souza* Certa vez, postei um resmungo nas redes sociais a respeito de pessoas que usam perfumes fortes nas primeiras horas da manhã para fazer caminhadas. Para quem está praticando exercícios, perfume às 5 horas provoca uma sensação de sufocamento, causando uma repulsa imediata por aquele cheiro. Ao conhecer uma internauta com a qual só mantinha contatos virtuais, ela quis saber por que eu não gostava de perfume. Embora minha postagem tenha sido bem clara e direta sobre pessoas que usavam perfume forte bem cedo da manhã, na hora de fazer exercícios físicos, a pessoa supôs que eu não gostasse de perfume sob hipótese alguma. A interpretação tornou-se um caso sério nas redes sociais. As pessoas cada vez mais mostram-se despreparadas para compreender aquilo que estão lendo. E quando há uma motivação extra, como o ódio gratuito pela opinião divergente, a situação ganha contornos piores. Há outro problema que segue nessa mesma lógica, que é a leitura apressada e superfi...