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Menos blá-blá-blá e mais ação

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Jessé Souza* O tambor vinha sendo tocado há muito tempo dentro dos presídios. Os recados vinham sendo dados de dentro da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc). Mas ninguém quis ouvir o chamado de alerta. Se as autoridades ouviram, fingiram que não era com elas. Estavam preocupadas com suas reeleições, com licitações e acordos particulares ou de grupos. O problema é que só fingiram que estavam fazendo algo. Audiências públicas, seminários, audiências e workshops não faltaram. Muito se falou, muito se reuniu com cafezinho, água, lanches, ar-condicionado e blá-blá-blás. Mas, logo depois, o silêncio; não o silêncio dos sábios para refletir e agir, mas para se esquivar e enganar. Na Pamc, em Roraima, de tanto o tambor tocar, a guerra eclodiu, chamando a atenção do país de que tudo está errado e que todos se omitiram (ou quase todos, pois um deputado andava alertando em um programa de TV que tragédias iriam ocorrer, mas ninguém o ouviu e o chamavam de “defensor de bandid...

Degola no Brasil

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Jessé Souza* Uma notícia passou despercebida na avalanche de informação repassada diariamente no átimo de compartilhamentos: um motociclista que fugiu da abordagem policial, foi perseguido pela Polícia Militar e alvejado a tiros por um desconhecido que também estava de moto e atirou contra a pessoa que estava em fuga. Fugir da abordagem policial ou de uma blitz não é uma decisão correta, mas isso não significa que a pessoa se tornou um bandido especialmente não significa que qualquer um se ache no direito de atirar em alguém pelo simples fato de achar que ali se trata de um bandido. Outras situações não só têm passado em branco como aplaudidos pela sociedade: o espancamento de suspeitos de roubos e furtos, em uma indignação que ultrapassa a barreira da civilidade e desemboca na barbárie da “justiça com as próprias mãos”. Quando alguém nas redes sociais fala que está sendo instalado o fascismo, no Brasil, muitos surgem logo com suas postagens que se assemelham a caniv...

Fake news

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Jessé Souza* Em uma dessas visitas que as escolas promovem à Redação do jornal, presenciei uma garotinha de não mais do que 7 anos de idade questionar a respeito de notícias falsas que circulam na internet. Foi uma surpresa diante de uma realidade cada vez mais frenética produzida pelo imediatismo das redes sociais e compartilhamento via WhatsApp, território de ninguém onde as pessoas não querem mais questionar sobre a veracidade dos fatos. Esse fenômeno de “notícias fakes (falsas)” não é novo e vem sendo usado há um certo tempo nas campanhas eleitorais em vários estados brasileiros, inclusive aqui, em Roraima, onde exército de fakes é contratado para disseminar falsas informações a fim de prejudicar adversários e beneficiar aqueles que pagam pelo serviço. Essa onda orquestrada de compartilhamento de notícias falsas está dentro da lógica do chefe da propaganda nazista Joseph Goebbels, que dizia: “Uma mentira repetida milhares de vezes vira uma verdade”. Com um volume gra...

Culpado, sim!

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Jessé Souza* Não há como fugir desse assunto tão delicado que é o esfacelamento do sistema prisional roraimense. Afinal, é dele que sai a maior parte da criminalidade que domina Roraima, do avanço do tráfico de drogas, que gera todos os tipos de violência, aos criminosos que se organizaram a ponto de desafiar os poderes constituídos, inclusive matando policiais. Esse atual governo, embora esteja tentando de todas as formas livrar-se de suas culpas, demorou a agir. A administração assumiu negando a existência de facções criminosas. Negava relutantemente e chegava a comprar briga com a imprensa quando esta se referia a crime organizado. Enquanto negava de forma veemente, os bandidos foram se organizando e se encorpando, tomando o comando da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), cooptando integrantes e se comunicando com os criminosos de outros estados. Além de não agir para combater o avanço do crime organizado, o governo não se mobilizou para melhorar o siste...

O estopim e a pólvora

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Jessé Souza* Qualquer galeroso que ainda está ensaiando entrar para o mundo do crime aprendeu a dizer por aí que pertence a esta ou aquela facção criminosa. Os novos pobres que estão surgindo não têm mais a esquerda como referência de esperança de lutar por um mundo melhor, diante do que se vê na política brasileira, na qual esquerda e direita estão no mesmo buraco da corrupção. Em Roraima, a esquerda está se assemelhando a um cego perdido no tiroteio. E o que se vê são sindicatos lutando por seus benefícios sem ao menos incluir o trabalhador pobre, sem qualificação, sem formação e os imigrantes que estão chegando para ocupar o mercado de trabalho. Com o decreto de morte da utopia que era pregada pela velha esquerda, os novos empobrecidos estão absorvendo o discurso dos extremistas de direita. Basta ler nas redes sociais os discursos de gente que não consegue escrever cinco palavras de forma correta, mas defende abertamente as piores atrocidades como solução imediata para ...

Hora da colheita

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Jessé Souza* Relegada ao esquecimento pelo centro do poder, em Brasília, a região amazônica está sendo responsável por chamar a atenção do país para a situação do sistema penitenciário brasileiro, há muito tempo falido, mas sempre ignorado pelas autoridades. O que está acontecendo por aqui é resultado de anos do abandono por parte de quem sempre esteve no comando do poder. A barbárie instalada nos presídios de Roraima e Amazonas é a consequência de décadas de ausência de políticas públicas nos setores mais básicos, em que os políticos regionais, em consonância com os coronéis da política nacional, fingiram discursos de que a Amazônia é o celeiro do mundo e da biodiversidade, mas deixando à margem quem jamais deveria ter sido esquecido: o amazônida, o ser humano, as famílias que sobrevivem das migalhas, do sobejo dos grandes centros. Estamos vivendo em uma região riquíssima de potencialidades e riquezas, mas cada vez mais pobre de educação, saúde, educação, infraestrutura, ...

Sem bola de cristal

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Jessé Souza* Se a realidade brasileira tem servido para estrangeiro ironizar, então em Roraima estabeleceu-se o provérbio inglês no sistema prisional: “Não há nada tão ruim que não possa piorar” (Nothing só bad but it might be worse). Ninguém precisa de bola de cristal ou de babalorixá para prever que as prisões roraimenses são bombas prontas para explodir a qualquer momento. Todos alertaram para as tragédias há muito tempo - agentes carcerários, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), imprensa, políticos, leitores, internautas, pais de santos e cartomantes -, porém, não se viu mobilização das autoridades constituídas para atacar o problema de frente e de forma conjunta. Afinal, penitenciária é lugar apenas para bandidos de chinelos e os que não usam terno e gravata. A desmobilização pode ser vista a partir dos discursos que vêm de Brasília: quem vem mostrando poder nos seguidos governos sempre se esquivou de usar suas influências para solucionar a crise do sistema prisional ...