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O ovo deu cria

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Jessé Souza* Na noite de domingo, surgiu a informação, nos grupos de WhatsApp, de que um suposto venezuelano teria praticado assalto e atirado contra um policial que o perseguia. E logo começaram os discursos contra os venezuelanos, como se todos que viessem para Roraima, em busca de oportunidade, fossem um bandido em potencial. É fato que a Venezuela impõe as mais duras fiscalizações em seus postos militares de vigilância, as temidas alcabalas, dominadas muitas vezes pela corrupção institucionalizada; enquanto isso, no Brasil, a BR-174 é frágil em fiscalização, mas não apenas para venezuelanos, como para qualquer traficante ou outro tipo de criminoso brasileiro ou de qualquer outra nacionalidade. Em Roraima, criou-se um “ovo de serpente” desde a ruidosa disputa pela Terra Indígena Raposa Serra do Sol, quando a população foi insidiosamente manipulada a ter preconceito e racismo contras os índios, como se eles fossem os responsáveis por todos os males que o Estado enfrentav...

No meio da tarde

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Jessé Souza* Não é meu costume ficar um dia dentro de casa, parado na frente de uma TV ou conectado na internet. Porém, depois de uma viagem cansativa para o Uiramutã, por exigência do corpo, fiquei quase toda a segunda-feira de Carnaval no quarto, com a televisão ligada. E, vez ou outra, acessava as redes sociais e alguns sites de notícias. Mas o que me impressionou mesmo foi, no meio da tarde, ver os programas policialescos transmitidos principalmente de São Paulo, na TV aberta. Os programas locais, nesse mesmo tom, não deixam a desejar os de fora. Quando estive em Belém (PA) e em Fortaleza (CE), há um certo tempo, também pude assistir aos programas policialescos e vi que todos são irmãos siameses, mudando apenas o endereço. Em poucos minutos, zapeando pelos canais, vi que esses programas de grande audiência exploram a violência e entram na mente do telespectador, que passa a viver as cenas de tragédia como se fosse sua própria vida. A reatividade é imediata. É como se fô...

Depois da ressaca

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 Jessé Souza* Depois de um Carnaval no Rio de Janeiro marcado pelas tragédias, que é bem a cara do Brasil, será possível juntar os cacos e pensar em um novo rumo para o país a partir de agora? As evidências, infelizmente, mostram que não. A expectativa do brasileiro é viver do subemprego (“bicos”), cortar lazer e continuar morando de aluguel. Os planos dos políticos de se livrarem das grades, por meio de uma tentativa de abafa na Operação Lava Jato, vêm sendo colocados em prática aos trancos e barrancos, desde que o senador Romero Jucá (PMDB) foi pego na gravação falando em dar jeito nas investigações. Mas o curioso é que as pessoas que foram às ruas pedir o impeachment, se dizendo cheias de indignação contra a corrupção e em favor da moralização do Brasil, hoje se escondem dentro das próprias calças. Há um silêncio impressionante, como se os escândalos tivessem deixado de acontecer. Passando ao largo disso, o governo de Temer (PMDB) mantém como ministros alguns ...

Monitoramento x patrulhamento

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Jessé Souza* Os ataques que o senador Romero Jucá (PMDB) fez à imprensa, no plenário do Senado, ao se defender das acusações de tentar blindar os investigados pela Operação Lava Jato, precisa de uma análise mais atenta por parte da sociedade. Não somente pelo conteúdo em que o parlamentar diz ser vítima de um “patrulhamento” e de “inquisição” por parte dos jornalistas; e sim pelo contexto geral a respeito do papel da imprensa. Recapitulando os fatos, Dilma Rousseff sofreu os mais duros ataques da mídia, em especial da TV Globo, que apoiou o golpe constitucional por meio do impeachment, orquestrado inclusive pelo próprio Jucá, cuja sua fala gravada dizia que era preciso “estancar a sangria da Lava Jato”. Quanto mais avançam as tramas para enterrar a Lava Jato, mais se tem certeza da articulação do golpe, que contou com o apoio incondicional da Globo, a qual insuflou o povo a ir às ruas de verde e amarelo. No entanto, esses mesmos personagens de hoje, a exemplo de Jucá, nu...

A respeito de... bacanal

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Jessé Souza* Quando ouço Mamonas Assassinas, hoje, lembro que as músicas desse grupo continham (e contém, obviamente) alta carga pornográfica, mas eram tocadas como se fossem inocentes brincadeiras que eram cantadas por muitas crianças. E isso na década de 1990. Era considerado oficialmente como “rock cômico” (sem trocadilhos ou cacofonia, por favor!). Deixo a análise para os teóricos entendedores do assunto, mas arrisco a comentar que a mistura de suas músicas acabavam disfarçando o teor pornográfico, a exemplo das letras que falavam de suruba do português e do Robocop gay. Os Mamonas misturavam pop rock com sertanejo, brega, heavy metal, pagode, forró e até música mexicana, reggae e o vira do folclore português. Porém, quase três décadas depois desse fenômeno, eis que surge um parlamentar usando o termo “suruba” para comentar a respeito do momento delicado e triste da política brasileira. Em sua explicação para tentar se retratar, o parlamentar lembrou exatamente que e...

Tempos de caju

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Jessé Souza* Enquanto movimentos anunciam uma manifestação nacional para o dia 26 de março, em defesa da Operação Lava Jato, um parlamentar age como um cachorro louco tentando fazer com que a opinião pública acredite que ele não está tentando enterrar as investigações do maior caso de corrupção que o mundo já viu. Mas é preciso muita atenção nesse momento crucial. Embora esse parlamentar esteja visivelmente tomado por uma cólera canina, ele é dotado de uma mente muito fértil para criar situações ardilosas. Não é à toa que ele é o único a colocar a cara para fora, enquanto os demais preferem agir nos bastidores, de tocaia, para minar a Lava Jato. O que o cão raivoso está tentando fazer é fixar na mente das pessoas que todos os políticos estão sendo colocados no mesmo saco do ódio por uma “imprensa perversa”. É a mesma tática usada pelo presidente Donald Trump contra as maiores corporações jornalísticas dos Estados Unidos. Lá, essa tática velhaca tem dando certo. Trump...

De baixo para cima

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Jessé Souza* Todas às vezes que vou ao shopping da área nobre da cidade, vejo donos de carros estacionarem seus veículos do lado de fora para não pagarem os R$3,00 do valor do estacionamento. Essa é uma escolha que a pessoa assume na intenção de economizar, mesmo correndo o risco de terem o veículo furtado ou mesmo danificado pela ação de alguém mal intencionado. Mas, no domingo passado, ao chegar ao shopping, à noite, vi um carro dentro estacionamento parando ao lado da cancela eletrônica, quando um dos passageiros desceu para tirar um novo ticket. Mas por que alguém, que já estava dentro, pegaria um novo ticket na saída? A resposta é óbvia: tirando um novo ticket, o condutor não precisa mais pagar pelo estacionamento porque o veículo passa a ter uma tolerância para sair gratuitamente. E assim se faz o Brasil que se veste de verde e amarelo contra a corrupção, mas pratica suas desonestidades diariamente, assim que se sente à vontade, bastando não haver alguma fiscalizaç...