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Faxina moral

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Jessé Souza* Até aqui, as investigações e condenações referentes à Operação Lava Jato mostram uma raça de político velhaca que se junta a empresários que acumulam suas riquezas por meio das negociatas com recursos públicos. Porém, o que muitos não se atentam é que esses esquemas patrocinados pela corrupção acabam passando aos olhos de órgãos fiscalizadores. Nem mesmo a Receita Federal consegue enxergar os sinais de enriquecimento ilícito de muitos políticos, que entram puxando a cachorrinha, como se diz no ditado popular, e saem de lá milionários, donos de empresas e de um patrimônio que salta aos olhos da sociedade. O propinoduto investigado pela Petrobrás mostra a farra que os corruptos fazem com o que eles roubam dos cofres públicos. Porém, de Norte a Sul do país os esquemas montados nos cofres estaduais e municipais servem para enriquecer aqueles que só vivem de política e que montaram seus coronelatos que bancam seus negócios e suas seguidas conduções aos cargos públi...

Não precisamos de herói

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Jessé Souza* O ponto principal para combater o crime organizado é usar a inteligência. E não se trata apenas da inteligência do intelecto de um ou mais líderes, mas de um conjunto, ou seja, de todas as forças de segurança. Não será um “herói”, um “xerife” ou seja-lá-quem-for. É o Estado que tem de estar organizado por meio de informações municiadas pelo seu Serviço de Inteligência. Afinal, o grande problema no enfrentamento à bandidagem é que os criminosos estão organizados, mas os governos não. Quem trabalha na imprensa sabe que o Estado de Roraima, independente do governante com a caneta nas mãos, tem um setor de Inteligência à altura de enfrentar o crime organizado por meio de informações. E tem mostrado isso diversas vezes, quando as polícias deram respostas imediatas. Porém, combater o crime organizado exige uma ação contundente em várias frentes. Ficar bradando na imprensa, dando declaração de guerra aos bandidos não é – e nunca será – uma boa alternativa. Aliás, que...

Maluf, o símbolo desse país

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Jessé Souza* Como já escrevi aqui, outras vezes, o autor da frase “Rouba, mas faz”, o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), se tornou o símbolo da impunidade no Brasil e a comprovação da benevolência da Justiça com os corruptos com influência política. Como tudo por aqui vira piada, Maluf acabou se tornando até personagem de programa humorístico e que, em vez de odiado e punido exemplarmente, foi cultuado como uma personalidade caricata. Então, com décadas de atraso, a mais alta corte da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu ontem cassá-lo do cargo de deputado federal por São Paulo e condená-lo à prisão por 7,9 anos em regime fechado. O processo se arrasta desde a década de 90 e só isso é suficiente para comprovar como corrupto é tratado no país da corrupção. De tão seguro da impunidade e incorporando sua caricatura a que estava habituado como personagem de humor, Maluf chegou a ironizar comemorando nas redes sociais por não estar na lista das delaç...

Sem rumo e direção

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Jessé Souza* O que ficou bem claro nesse tsunami político da “delação Friboi”, em que o senador afastado Aécio Neves (PSDB) e o presidente Michel Temer (PMDB) são os principais alvos, é que o maior partido político do país é a TV Globo, que se apressou para tomar uma posição contra Temer para não comprometer ainda mais sua credibilidade já arranhada. O futuro é incerto e não sabido, pois não se sabe onde vai descambar essa onda gigante provocada por esse terremoto sem precedentes. O fato é que não será mais possível esconder a lama fétida que estava debaixo do tapete não apenas da Globo, mas da maioria da grandes corporações midiáticas e das maiores empresas que acumularam riquezas graças a recursos públicos e à corrupção intermediada por seus capatazes, os políticos de quase todos os partidos políticos. Antes da “delação Friboi”, havia uma grande manipulação para minar e degolar a esquerda, em especial o PT. E o impeachment de Dilma Rousseff era a grande jogada para cerca...

Efeito ‘Despacito’

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Jessé Souza* Ao menos duas vezes por semana, eu tenho que ir ao bairro Caimbé para pegar dois de meus filhos para a aula de inglês. Como eles moram bem perto da “boca do Leão”, a Feira do Passarão, então é inevitável passar pela “feira-livre” da prostituição naquele setor, alimentada principalmente pelas venezuelanas (Eu juro que é por obrigação, Okay?). Conhecida como “ochentas”, pelo valor que elas cobram pelos favores sexuais, essas venezuelanas se tornaram a vitrine do que se tornou parte daquele país, destroçado por uma crise sem precedentes. De tabela, basta ser uma venezuelana para sentir o peso da discriminação, pois muitos acreditam que todas estrangeiras são vagabundas ou garotas de programa. Pelas histórias já narradas pela imprensa local e internacional, muitas daquelas mulheres se tornaram garotas de programa por necessidade de sobreviver a qualquer custo. Mas outras já eram prostitutas e apenas migraram para o Brasil para também batalhar pela vida. Que ni...

Delação Friboi e a imprensa

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 Jessé Souza* Em tempos de rede social, onde mentiras se tornam verdade numa velocidade impressionante, a “delação Friboi” acabou por mostrar que a imprensa tradicional pode fazer a diferença quando se trata de monitorar o centro do poder. A divulgação do esquema envolvendo os outrora sacrossantos Aécio Neves (PSDB) e Michel Temer (PMDB) fez acender a chama da imprensa que o Brasil precisa. A internet tornou-se um campo infestado de inverdades que acabam contribuindo para um país de acéfalos e analfabetos políticos. Daí surge a necessidade de se ter uma imprensa que separe o joio do trigo – para usar uma expressão bem popular -, que possa carimbar a informação com o selo da credibilidade, contribuindo para o debate e a cidadania. Sem esse compromisso que dá sentido à imprensa, as pessoas vão se envolvendo em superficialidades em que o debate é substituído pela agressão quando surgem as divergências ideológicas. Essa guerra gratuita vem sendo alimentada nas redes sociai...

Apocalipse político

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Foto: Google Jessé Souza* O que foi revelado pela delação premiada dos sócios do frigorífico JBS (empresa que ficou conhecida nacionalmente como Friboi) foi bombástico, porém não trouxe nada mais além do que já sabíamos a respeito do PMDB do presidente Michel Temer e do PSDB de Aécio Neves. Sabíamos, mas não com todos esses detalhes de personagens e valores da sem-vergonhice. O que sempre surpreende é a forma como os corruptos agem, por descaramento mesmo e na certeza da impunidade, sendo capatazes dos empresários milionários deste país. Abriram-se, de vez, as entranhas do país da bandalheira. As vísceras, que já estavam expostas e fétidas, agora foram espalhadas no cenário de horror em que se tornou a política brasileira. Tudo ficou mais nítido ainda. Os empresários das maiores empresas brasileiras, todas anunciantes da TV Globo, comandam a corrupção endêmica no Brasil. Eles contam com a ajuda de seus capangas, os políticos safados, que intermedeiam todos os esquema...