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Começando por baixo

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Jessé Souza* Até agora, essa legislatura da Câmara de Boa Vista não mostrou a que veio. A não ser o reajuste salarial que os então novatos trataram logo de articular antes mesmo de assumir o mandado e da recente ocorrência policial em que dois vereadores são acusados de envolvimento numa confusão em frente a uma casa de show, nada de importante se viu até aqui. O que temos é um Legislativo que se mostra disperso, com vereadores que foram eleitos de acordo com suas atividades em alguns setores, portanto, suscetíveis a agirem conforme seus interesses, e não o interesse dos eleitores e da sociedade de uma forma geral. Alguma novidade nisso? Absolutamente não. Desde muito tempo os interesses estão setorizados nos legislativos de uma forma geral, como está o Congresso atualmente, com bancadas bem definidas defendendo interesses de grupos. Porém, da forma que o país vem se desmanchando em crise, somente em não se envolver em escândalo de corrupção já está dentro da média. ...

The End

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Jessé Souza* A situação a que o Brasil chegou está revertendo os valores que a sociedade sempre pregou com orgulho: “O crime não compensa”. Com a Operação Lava Jato, os desdobramentos dos fatos estão comprovando que o crime compensa sim, senhor, principalmente se o ladrão for um milionário que enriqueceu a custa da corrupção. O caso dos irmãos Batista, aqueles da famosa “deleção Friboi”, é a encarnação de que roubar milhões dos cofres públicos compensa – e muito. Viralizado nas redes sociais como “Joesley Safadão”, o empresário que dedurou o senador afastado Aécio Neves (PSDB) e o presidente Michel Temer (PMDB) saiu não apenas ileso, como também ganhou o direito de se mudar para os Estados Unidos. No país da esculhambação geral da nação, para ser um “bom ladrão” basta tornar-se um delator (no meu tempo de escola, dedo-duro era chamado de “cagoete”, que era a variação popular de alcaguete). Atualmente, dedurou um figurão da política ganha logo pena reduzida e logo estará em...

A vez dos cínicos

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Jessé Souza* Nem sempre o significado da palavra cinismo foi o mesmo do que temos atualmente, referindo-se à falta de caráter de uma pessoa, que age com descaramento. O cinismo, na verdade, foi uma doutrina filosófica grega fundada por Antístenes de Atenas (444-365 a.C.). Os cínicos buscavam a felicidade por meio de uma vida simples e natural, com desapego pela riqueza. Quem conhece o programa humorístico mexicano Chaves sabe que o personagem principal mora em um barril no meio da vila onde se desenrola a trama. Chaves é, na verdade, uma representação filosófica dos cínicos gregos, que moravam em barris e viviam da mendicância, pregando a simplicidade e o desapego pelas coisas materiais. Os tempos agora são outros e os cínicos não são mais os mendigos sem-teto. Em tempo de Lava Jato, o cinismo dos políticos com suas explicações para justificar a roubalheira é de impressionar até mesmo as mais humildes das pessoas não habituadas às dissimulações do mundo político. O mai...

Depois da tempestade...

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Jessé Souza* A situação das comunidades do município de Uiramutã atingidas por um alagamento histórico há quase duas semanas, mostra com propriedade como governos e autoridades tratam aquela população que habita uma região isolada do Estado. Todos sabem que anualmente as chuvas castigam aquela região, independente de o inverno ser rigoroso ou não, mas não há uma ação política que dê a atenção devida que aquela região necessita. A questão das estradas já é um indicador desse descaso, pois quem precisa viajar para aquela localidade enfrenta uma estrada em situação sempre crítica, com os governos fazendo paliativos que não conseguem dar uma boa trafegabilidade que a região necessita, tanto para acesso por parte da população que lá habita, quanto para assistência em todos os setores e para o turismo, que é um gerador de renda. Os políticos só costumam chegar por lá em tempo de campanha eleitoral, para pedir os votos dos indígenas. As ações de governo demoram a chegar e se resume...

Faxina moral

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Jessé Souza* Até aqui, as investigações e condenações referentes à Operação Lava Jato mostram uma raça de político velhaca que se junta a empresários que acumulam suas riquezas por meio das negociatas com recursos públicos. Porém, o que muitos não se atentam é que esses esquemas patrocinados pela corrupção acabam passando aos olhos de órgãos fiscalizadores. Nem mesmo a Receita Federal consegue enxergar os sinais de enriquecimento ilícito de muitos políticos, que entram puxando a cachorrinha, como se diz no ditado popular, e saem de lá milionários, donos de empresas e de um patrimônio que salta aos olhos da sociedade. O propinoduto investigado pela Petrobrás mostra a farra que os corruptos fazem com o que eles roubam dos cofres públicos. Porém, de Norte a Sul do país os esquemas montados nos cofres estaduais e municipais servem para enriquecer aqueles que só vivem de política e que montaram seus coronelatos que bancam seus negócios e suas seguidas conduções aos cargos públi...

Não precisamos de herói

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Jessé Souza* O ponto principal para combater o crime organizado é usar a inteligência. E não se trata apenas da inteligência do intelecto de um ou mais líderes, mas de um conjunto, ou seja, de todas as forças de segurança. Não será um “herói”, um “xerife” ou seja-lá-quem-for. É o Estado que tem de estar organizado por meio de informações municiadas pelo seu Serviço de Inteligência. Afinal, o grande problema no enfrentamento à bandidagem é que os criminosos estão organizados, mas os governos não. Quem trabalha na imprensa sabe que o Estado de Roraima, independente do governante com a caneta nas mãos, tem um setor de Inteligência à altura de enfrentar o crime organizado por meio de informações. E tem mostrado isso diversas vezes, quando as polícias deram respostas imediatas. Porém, combater o crime organizado exige uma ação contundente em várias frentes. Ficar bradando na imprensa, dando declaração de guerra aos bandidos não é – e nunca será – uma boa alternativa. Aliás, que...

Maluf, o símbolo desse país

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Jessé Souza* Como já escrevi aqui, outras vezes, o autor da frase “Rouba, mas faz”, o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), se tornou o símbolo da impunidade no Brasil e a comprovação da benevolência da Justiça com os corruptos com influência política. Como tudo por aqui vira piada, Maluf acabou se tornando até personagem de programa humorístico e que, em vez de odiado e punido exemplarmente, foi cultuado como uma personalidade caricata. Então, com décadas de atraso, a mais alta corte da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu ontem cassá-lo do cargo de deputado federal por São Paulo e condená-lo à prisão por 7,9 anos em regime fechado. O processo se arrasta desde a década de 90 e só isso é suficiente para comprovar como corrupto é tratado no país da corrupção. De tão seguro da impunidade e incorporando sua caricatura a que estava habituado como personagem de humor, Maluf chegou a ironizar comemorando nas redes sociais por não estar na lista das delaç...