Vovozinha, cordeiros e bananas


Quando um grupo de nadadores olímpicos norte-americanos mentiu para a imprensa mundial dizendo que eles teriam sido assaltados, no Rio de Janeiro, logo surgirem vozes nas redes sociais dizendo que o Brasil estava dando muita importância a um “fato irrelevante”, ou seja, a uma baderna de atletas (um deles ganhador de medalhas) em posto de gasolina seguida de uma simples mentira para a polícia.

Então, não demorou muito tempo para surgir a prisão de uma adolescente brasileira (por coincidência de Roraima) levada para um abrigo por tirar selfie em área restrita no aeroporto e por ser uma menor de idade em viagem desacompanhada de seus pais ou responsáveis.

São dois casos distintos, mas que representam os mesmos lados da moeda: tantos os nadadores americanos quanto a adolescente brasileira transgrediram a legislação nos respectivos países onde estavam de viagem. O que diferencia as duas situações é que, no Brasil, sempre se dá um jeitinho para se livrar desses tipos de acusações; mas, nos Estados Unidos, não há jeitinho e não existem condolências nem gente por lá afirmando que a prisão da jovem seria uma “besteira”.

É por isso que somos conhecidos mundialmente como “Republiqueta de bananas”, pois aqui as leis podem ser tão somente figurativas a ponto de os brasileiros acharem normal transgredir legislações em qualquer situação, como no trânsito, ou esnobarem porque o “jeitinho” pode facilmente livrá-los de acusações de delitos ou mesmo crimes.

Nos EUA, até artista famoso mundialmente vai para o xilindró por cometer infrações no trânsito ou badernas na rua. E lá não há concessões para crianças e adolescente em conflito com a lei, muito menos se for uma adolescente estrangeira desacompanhada, seja de que nacionalidade for.

Da mesma forma que muitos agem no Brasil, sem se importarem em cumprir normas e leis, estes também acham que podem fazer em um país estrangeiro. E nem estou me referindo ao Primeiro Mundo. Aqui mesmo, na vizinha Venezuela, existem brasileiros que não querem se submeter às exigências e há quem opte pela propinagem.

Mas também há os que agem de forma diferente: por aqui, no Brasil, não respeitam nem a vovozinha deles, quanto mais o guarda de trânsito ou um servidor público no exercício da profissão; porém, quando chegam ao país estrangeiro, se transformam em cordeirinhos imolados, pois sabem que, se transgredirem, vão para a cadeia. Quando retornam ao país, não hesitam em fazer tudo errado, porque preferem o Brasil como o país da esculhambação geral da nação.

No caso dos nadadores dos EUA, o Brasil deu um recado aos norte-americanos e ao mundo dizendo que, por aqui, estrangeiros não podem fazer o que bem entendem, como se fosse a casa da mãe Joana. O problema é que nem os brasileiros acreditam nisso. Além de acharem “besteira” o caso dos nadadores americanos, também estão acostumados a não respeitar leis, inclusive no país estrangeiro.

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista

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