O barulho das urnas



O resultado das urnas precisa ser refletido com atenção. A estrondosa votação da prefeita Teresa Surita, do PMDB do senador Romero Jucá, um dos envolvidos na operação Lava Jato, não se trata apenas de uma aprovação de sua administração. Trata-se também da insatisfação do povo na condução do Governo de Roraima, que vai do servidor público àqueles pais de famílias que querem um Estado melhor.

Com quase 80% dos votos válidos, Teresa pode até comemorar que esteja fazendo uma “ótima administração”, o que nada mais é do que sua obrigação, mas ela deve agradecer também à desastrosa gestão do governo, marcada por descontentamento do servidor estadual e apreensão dos demais servidores de outros poderes, enforcados pela chamada “crise do duodécimo”.

Soma-se isso a insegurança pública, com o sistema prisional aos frangalhos, alimentando a criminalidade a partir dos presídios, e as condições da saúde pública, dois setores importantes que vêm sendo remediados nos últimos meses, mas não suficientes para deixar a população satisfeita. 

O mesmo ocorreu com a Educação, que também sofreu um período longo de desgaste, comandado por alienígenas e que passou a ser consertado muito recentemente, com um novo secretário que conhece a realidade local, mas não a tempo de mudar o humor do eleitor tão somente em Boa Vista, mas em todo o interior do Estado.

Teresa também deu uma lavagem em sua forma de fazer campanha, seja pela organização de sua equipe e pelo material produzido que funcionou muito bem no Horário Eleitoral Gratuito, enquanto os demais pareciam ter contratado estagiários para produzir seus materiais sofríveis - obviamente com suas exceções de sempre. Sem contar com a qualidade dos demais candidatos...

No meio disso havia o povo, que cobra moralidade, mas não consegue enxergar um pouco mais distante de seu nariz. Ele brada contra corrupção, mas na hora de votar não interessa quem esteja atolado até o pescoço com os escândalos, a exemplo da Lava Jato. Contribuiu para isso o “golpe do impeachment”, que execrou o PT, mas livrou a cara do PSDB e PMDB, os grandes vencedores desta eleição em todo o Brasil, brindados com a cegueira social do brasileiro.

Os números das urnas dizem muita coisa e já podem balizar algumas direções para a disputa de 2018, quando estará em jogo o Governo do Estado, além dos cargos de senador, deputado federal e deputado estadual. 

Se os políticos que compõem esse cenário não mudarem, estarão jogando tudo nas mãos daqueles que estão comandando o país da Lava Jato, que de tudo fizeram para fazer o povo acreditar que o único mal nesse Brasil seria o PT. Enquanto isso, eles continuarão banqueteando com o dinheiro do povo, livres das acusações e das condenações de Moro, chancelado pelo voto nas urnas.

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista 


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