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Silêncio e boi de piranha

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Jessé Souza* É inacreditável como a opinião pública brasileira desmobilizou sua indignação com a corrupção que consome o Brasil. Dos panelaços e manifestações públicas, restou um silêncio preocupante que se assemelha a um consentimento para que os corruptos continuem se articulando para continuar se mantendo no poder. Está muito claro que existe um movimento muito forte para enterrar a Operação Lava-Jato a fim de livrar não só a mais alta cúpula da política brasileira, com destaque para o PMDB e o PSDB, mas também impedir que as investigações cheguem aos demais poderes, como indicam as últimas gravações divulgadas. Havia um argumento bem recorrente antes do afastamento de Dilma: “Primeiro tiramos o PT, depois partiremos para o PMDB e os demais partidos”. Mas não é isso o que está ocorrendo, com o arrefecimento das denúncias pela TV Globo, que inflamou o Brasil a favor do impeachment, mas agora não dá o mesmo tom à Operação Lava-Jato e às demais denúncias muito mais grave...

Tudo se confirmando...

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Jessé Souza* Há quase duas décadas, venho escrevendo aqui, neste espaço, que os coronéis da política local com poder em Brasília nunca se mobilizavam para resolver as questões de Roraima por dois motivos: porque estavam preocupados com seus esquemas ilegais, para ficarem mais ricos ainda, e para manterem o Estado no subdesenvolvimento, na política do quanto pior, melhor para eles. O que as gravações da Operação Lava Jato estão revelando só comprovaram o que venho repetindo há anos. Vivendo na base dos esquemas ilegais para aumentar suas fortunas e poder, com montanha de dinheiro ilegal para patrocinar suas campanhas eleitorais, esses políticos sabiam que manter Roraima no atraso seria a forma de preservar seus currais eleitorais, com eleitores pedintes sendo mantidos na base da compra de votos. Ao não resolver nossas grandes questões, esses políticos também preservavam sua forma de fazer política, mantendo os problemas e dizendo em suas rádios e TVs que eles tinham a soluç...

Remendos e cavalo doido

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Foto: Divugalção/Google Jessé Souza* As novas medidas anunciadas pela Secretaria de Segurança para conter as fugas na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc) podem ser consideradas apenas como um remendo em pano velho com tecido novo, ou seja, não vai adiantar. Com essa infraestrutura que se tem ali, caindo aos pedaços, só haverá desgastes por tentar aplicar medidas que não se sustentam em uma estrutura podre, já completamente dominada pelos bandidos, que fogem quando querem ou determinam de quem será a vez de "dar uma volta" para cometer assaltos e traficar drogas. O que o governo está fazendo com esse anúncio é tão somente querer dar uma satisfação à opinião pública, pois as autoridades sabem que ali é caso perdido. Somente um novo presídio para aplicar as medidas severas que visam instalar a ordem que sempre deveria existir em um presídio. Como os detentos mandam do portão para trás, ficando livres das celas, eles são os donos das alas, por isso ...

Fugas, remendos e republiqueta

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Foto: Divulgação/Google  Jessé Souza* Não há nenhuma novidade no sistema prisional. O que venho dizendo aqui, há tempos, apenas se confirma: quem manda na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo são os criminosos, que estão mais organizados do que o Governo do Estado. Não é à toa que se chama “crime organizado” a facção criminosa que lá se instalou faz certo tempo. O vídeo que mostra a fuga dos presos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), na noite de terça-feira, comprova que os bandidos estão bem articulados, agindo como se fosse uma tática de guerra medieval, semelhante à ação para invadir uma fortaleza – neste caso, para fugir por um muro que necessariamente nem chega a ser uma fortaleza. As imagens comprovam o que todos já sabem: os bandidos fogem quando querem e, pela organização impressionante mostrada nas imagens, são escolhidos aqueles que devem fugir. Os demais aparecem dando apoio jogando pedra nos policiais nas guaritas ou simplesmente ajudand...

Do cupim ao caos

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Jessé Souza* A Feira do Produtor é resultado de anos de desgoverno, sem cuidar do básico, que é fazer com que todos tivessem responsabilidade com o bem público, do produtor rural aos feirantes, dos administradores públicos aos fiscalizadores. Ninguém cumpriu com sua parte e aquele espaço de venda tornou-se esse mostrengo caindo aos pedaços. Por longos anos, o governo serviu apenas como uma figura paternalista, que dava da semente ao adubo, do caminhão da feira ao espaço público, sem cobrar contrapartidas, sem fiscalizar e sem fazer com que o bem coletivo recebesse manutenção para que não chegasse à situação atual. A partir de uma decisão judicial, que mandou fechar a Feira do Produtor, todos descobriram o óbvio: que o governo foi incompetente na missão de gerir o bem público, que o feirante e produtor foram negligentes com seu espaço de trabalho e que ninguém mais estava fazendo a sua parte, a não ser o consumidor que, apesar da estrutura precária, ainda vai lá fazer sua...

Nas mãos dos vândalos

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Jessé Souza* Há uns quatro anos, passei a praticar exercícios na praça principal do bairro Cidade Satélite, na zona Oeste, onde também levo meus filhos aos fins de semana para jogar bola nas quadras e campos de areia.  Um ano atrás, a prefeitura construiu lá um ginásio coberto, inaugurada com festas e pompas. Desse tempo para cá, o ginásio foi largado ao vandalismo, pois sequer existe um serviço de fiscalização por parte do poder público. A consequência disso é um prédio novo todo pichado, com alguns pontos precisando de manutenção urgente. E o curioso é que, no mês passado, foi plantado jardim e realizada uma pintura nas grades e telas das quadras ao redor, mas nenhuma pintura no prédio do ginásio. Do jeito que está, provavelmente em alguns meses o ginásio ficará em ruínas, precisando mais do que uma pintura ou manutenção, o que significará a necessidade de uma revitalização muito mais cara para o bolso do contribuinte. Esse ginásio não serve apenas para a prática...

Santa Inquisição

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Jessé Souza * Condenar é o verbo mais conjugado na internet. Ninguém quer mais refletir e entender contextos histórico e/ou social. As pessoas estão prontas para condenar, encontrar qualquer brecha para desmerecer e escrachar. Pensar não é fácil, porque é preciso conteúdo, por isso as pessoas optam por julgar e condenar, alegando se tratar de opinião pessoal, que tem de ser aceita e pronto. Monta-se um tribunal de acusação, como se fosse no tempo da Santa Inquisição, e não há escapatória para os dedos ágeis e mentes fechadas que se arvoram como juízes do mundo. E quando essa ânsia de condenar se junta com postagens mentirosas passadas como se fossem correntes, não há escapatória para quem está sendo acusado. E isso pode ser pior ainda mais quando os “juízes do mundo” misturam suas acusações com a Bíblia, tal como se ela fosse espada pronta para dilacerar a razão e a reflexão. E o mundo fica cinza para qualquer um que tenta jogar um pouco de bom senso, menos para aqueles qu...