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Apocalipse político

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Foto: Google Jessé Souza* O que foi revelado pela delação premiada dos sócios do frigorífico JBS (empresa que ficou conhecida nacionalmente como Friboi) foi bombástico, porém não trouxe nada mais além do que já sabíamos a respeito do PMDB do presidente Michel Temer e do PSDB de Aécio Neves. Sabíamos, mas não com todos esses detalhes de personagens e valores da sem-vergonhice. O que sempre surpreende é a forma como os corruptos agem, por descaramento mesmo e na certeza da impunidade, sendo capatazes dos empresários milionários deste país. Abriram-se, de vez, as entranhas do país da bandalheira. As vísceras, que já estavam expostas e fétidas, agora foram espalhadas no cenário de horror em que se tornou a política brasileira. Tudo ficou mais nítido ainda. Os empresários das maiores empresas brasileiras, todas anunciantes da TV Globo, comandam a corrupção endêmica no Brasil. Eles contam com a ajuda de seus capangas, os políticos safados, que intermedeiam todos os esquema...

A face da enxurrada

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Foto: Divulgação Jessé Souza* Por longos dois anos, Roraima viveu um clima atípico de pouca chuva e, portanto, sem os antigos transtornos ocasionados pelo inverno. Significa que os governantes ficaram durante todo esse tempo sem ser testados, tanto em Boa Vista quanto nos municípios do interior. Bastou cair o primeiro pé-d’água para que a Capital e o interior revelassem a face oculta da falta de infraestrutura básica. As principais avenidas da cidade se tornaram verdadeiros rios com enxurradas e as vicinais do interior do Estado isoladas pelos alagamentos e atoleiros. Na Capital, além da drenagem precária nas áreas centrais, nos bairros os alagamentos mostraram o quanto as propagandas que passam na TV estão longe da realidade das praças reformadas e flores dos canteiros centrais. Nos municípios do interior, este atual governo já está chegando ao fim e não solucionou a maioria dos problemas das principais vicinais responsáveis pelo escoamento dos produtos agrícolas. As estr...

Do campo à desaceleração

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Jessé Souza* Terminei a corrida na areia da Praça Ayrton Senna, na noite de segunda-feira, e estava apenas caminhando para desacelerar o corpo antes de ir embora quando apareceu um antigo conhecido de futebol da década de 1980, quando éramos jovens e flutuávamos no gramado do velho Canarinho, rebatizado com o nome do amigo radialista Flamarion Vasconcelos - que Deus o tenha! O colega dos tempos de campo de futebol me reconheceu e abriu um sorriso no cumprimento. Perguntei se ele iria jogar bola com a moçada que já estava chegando para a partida de segunda-feira, no campo de areia em frente ao Ginásio Totozão (largado pelo poder público há anos, hoje nas mãos de um governo relapso, e alvo de vandalismo). Ele disse que sim, que iria ficar para bater uma “pelada” e relembrar os bons tempos. Decidi ficar também e comentei que, na idade em que estamos a cabeça ainda pensa, mas as pernas não respondem mais. Então, o amigo me falou algo muito interessante que me pôs imediatamente a ref...

Depois das mortes no berçário...

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Jessé Souza* A situação da única maternidade pública do Estado de Roraima, largada às traças há muito tempo e na maioria dos governos, é apenas uma das faces dos governantes que não dão prioridade não apenas à saúde pública, mas também à infância roraimense. A desculpa atual seriam as venezuelanas que estão aumentando a demanda de atendimento no setor público, o que não dá mais para engolir. A morte de bebês por infecção hospitalar, que ocorreu no final da década de 1990 nesse mesmo Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, foi o cume da desassistência às famílias de mulheres grávidas e suas crianças. As mortes tornaram-se um escândalo de proporção nacional e, desde lá, já era para Roraima ter mantido investimento a fim de garantir um atendimento de qualidade, independente de haver venezuelanas ou não. Porém, depois dessa tragédia de dezenas de crianças mortas por infecção hospitalar, alguma providência foi tomada a fim de evitar que os gestores daquela época (a pro...

Sinal vermelho

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Jessé Souza* O sinal vermelho vem do Rio de Janeiro, mais uma vez. Por lá, cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) foram presos sob a suspeita de manterem esquemas com empresas que estão enroladas com a Operação Lava Jato. E a lama pode chegar até ao Tribunal de Contas da União (TCU). Traduzindo: os órgãos que são responsáveis por fiscalizar a correta aplicação dos recursos públicos estão sob suspeita de seus membros terem relação promíscua com os corruptos. Isso não é exatamente uma novidade. É de se imaginar que conselheiros indicados para os cargos vitalícios pelos políticos em algum momento não tenham isenção para fiscalizar e votar contas. A propósito, isso foi alvo de críticas pela ONG Transparência Brasil: “Na prática, a indicação política é a regra na escolha de conselheiros, o que faz com que as votações nas Assembleias, nas Câmaras e no Congresso sejam jogos de cartas marcadas – em geral tratados com naturalidade pelos políticos”. Só p...

Do foro ao pistolão

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Jessé Souza* Uma das práticas que mais beneficiaram os corruptos, no Brasil, foi o chamado foro privilegiado concedido aos políticos. Essa prática nefasta foi responsável por engavetar as investigações de muitos políticos notadamente safados que hoje continuam como se ficha limpa fossem, pois acabaram beneficiados por um cancro judicial chamado prescrição retroativa. Esse foro privilegiado amplo e irrestrito (aos moldes da “suruba do Jucá”) permite que os políticos corruptos tenham o direito de seus processos serem enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), que é a mais alta Corte brasileira, a única instância com poder de investigar, julgar e condenar quem tem o tal privilégio de foro. A grande questão é que o STF não tem estrutura para investigar os processos que são encaminhados para lá. Isso significa que a morosidade processual, a lentidão de um gigante abarrotado de processos pendentes, soma-se a falta de estrutura de uma instância que não foi preparada para investi...

Sem investimento

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Jessé Souza* O trajeto até a Serra do Tepequém, no Município de Amajari, ao Norte do Estado, é um dos exemplos de seguidos descasos do poder público com a infraestrutura básica para garantir o mínimo de investimento para o turismo roraimense. Tepequém, por si só, tem uma história de sobrevivência ao garimpo predatório, e sua comunidade resiste às duras penas depois que o diamante deixou de ser a principal fonte de renda para muitos e de riqueza para alguns poucos. O descaso começa pelas vias de acesso. Enquanto o trecho norte da BR-174 está sendo restaurado pelo Exército, garantindo um pouco de segurança ao condutor e aos turistas, a rodovia estadual que dá acesso à serra, a RR-203, apresenta inúmeros buracos, resultado de anos de abandono pelo Estado, sem a mínima manutenção à malha viária, alguns buracos tapados com barro. Esse abandono é incompreensível (para não afirmar vergonhoso), pois Tepequém é um dos principais pontos turísticos de Roraima por suas belezas naturai...