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Sem rumo e direção

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Jessé Souza* O que ficou bem claro nesse tsunami político da “delação Friboi”, em que o senador afastado Aécio Neves (PSDB) e o presidente Michel Temer (PMDB) são os principais alvos, é que o maior partido político do país é a TV Globo, que se apressou para tomar uma posição contra Temer para não comprometer ainda mais sua credibilidade já arranhada. O futuro é incerto e não sabido, pois não se sabe onde vai descambar essa onda gigante provocada por esse terremoto sem precedentes. O fato é que não será mais possível esconder a lama fétida que estava debaixo do tapete não apenas da Globo, mas da maioria da grandes corporações midiáticas e das maiores empresas que acumularam riquezas graças a recursos públicos e à corrupção intermediada por seus capatazes, os políticos de quase todos os partidos políticos. Antes da “delação Friboi”, havia uma grande manipulação para minar e degolar a esquerda, em especial o PT. E o impeachment de Dilma Rousseff era a grande jogada para cerca...

Efeito ‘Despacito’

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Jessé Souza* Ao menos duas vezes por semana, eu tenho que ir ao bairro Caimbé para pegar dois de meus filhos para a aula de inglês. Como eles moram bem perto da “boca do Leão”, a Feira do Passarão, então é inevitável passar pela “feira-livre” da prostituição naquele setor, alimentada principalmente pelas venezuelanas (Eu juro que é por obrigação, Okay?). Conhecida como “ochentas”, pelo valor que elas cobram pelos favores sexuais, essas venezuelanas se tornaram a vitrine do que se tornou parte daquele país, destroçado por uma crise sem precedentes. De tabela, basta ser uma venezuelana para sentir o peso da discriminação, pois muitos acreditam que todas estrangeiras são vagabundas ou garotas de programa. Pelas histórias já narradas pela imprensa local e internacional, muitas daquelas mulheres se tornaram garotas de programa por necessidade de sobreviver a qualquer custo. Mas outras já eram prostitutas e apenas migraram para o Brasil para também batalhar pela vida. Que ni...

Delação Friboi e a imprensa

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 Jessé Souza* Em tempos de rede social, onde mentiras se tornam verdade numa velocidade impressionante, a “delação Friboi” acabou por mostrar que a imprensa tradicional pode fazer a diferença quando se trata de monitorar o centro do poder. A divulgação do esquema envolvendo os outrora sacrossantos Aécio Neves (PSDB) e Michel Temer (PMDB) fez acender a chama da imprensa que o Brasil precisa. A internet tornou-se um campo infestado de inverdades que acabam contribuindo para um país de acéfalos e analfabetos políticos. Daí surge a necessidade de se ter uma imprensa que separe o joio do trigo – para usar uma expressão bem popular -, que possa carimbar a informação com o selo da credibilidade, contribuindo para o debate e a cidadania. Sem esse compromisso que dá sentido à imprensa, as pessoas vão se envolvendo em superficialidades em que o debate é substituído pela agressão quando surgem as divergências ideológicas. Essa guerra gratuita vem sendo alimentada nas redes sociai...

Apocalipse político

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Foto: Google Jessé Souza* O que foi revelado pela delação premiada dos sócios do frigorífico JBS (empresa que ficou conhecida nacionalmente como Friboi) foi bombástico, porém não trouxe nada mais além do que já sabíamos a respeito do PMDB do presidente Michel Temer e do PSDB de Aécio Neves. Sabíamos, mas não com todos esses detalhes de personagens e valores da sem-vergonhice. O que sempre surpreende é a forma como os corruptos agem, por descaramento mesmo e na certeza da impunidade, sendo capatazes dos empresários milionários deste país. Abriram-se, de vez, as entranhas do país da bandalheira. As vísceras, que já estavam expostas e fétidas, agora foram espalhadas no cenário de horror em que se tornou a política brasileira. Tudo ficou mais nítido ainda. Os empresários das maiores empresas brasileiras, todas anunciantes da TV Globo, comandam a corrupção endêmica no Brasil. Eles contam com a ajuda de seus capangas, os políticos safados, que intermedeiam todos os esquema...

A face da enxurrada

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Foto: Divulgação Jessé Souza* Por longos dois anos, Roraima viveu um clima atípico de pouca chuva e, portanto, sem os antigos transtornos ocasionados pelo inverno. Significa que os governantes ficaram durante todo esse tempo sem ser testados, tanto em Boa Vista quanto nos municípios do interior. Bastou cair o primeiro pé-d’água para que a Capital e o interior revelassem a face oculta da falta de infraestrutura básica. As principais avenidas da cidade se tornaram verdadeiros rios com enxurradas e as vicinais do interior do Estado isoladas pelos alagamentos e atoleiros. Na Capital, além da drenagem precária nas áreas centrais, nos bairros os alagamentos mostraram o quanto as propagandas que passam na TV estão longe da realidade das praças reformadas e flores dos canteiros centrais. Nos municípios do interior, este atual governo já está chegando ao fim e não solucionou a maioria dos problemas das principais vicinais responsáveis pelo escoamento dos produtos agrícolas. As estr...

Do campo à desaceleração

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Jessé Souza* Terminei a corrida na areia da Praça Ayrton Senna, na noite de segunda-feira, e estava apenas caminhando para desacelerar o corpo antes de ir embora quando apareceu um antigo conhecido de futebol da década de 1980, quando éramos jovens e flutuávamos no gramado do velho Canarinho, rebatizado com o nome do amigo radialista Flamarion Vasconcelos - que Deus o tenha! O colega dos tempos de campo de futebol me reconheceu e abriu um sorriso no cumprimento. Perguntei se ele iria jogar bola com a moçada que já estava chegando para a partida de segunda-feira, no campo de areia em frente ao Ginásio Totozão (largado pelo poder público há anos, hoje nas mãos de um governo relapso, e alvo de vandalismo). Ele disse que sim, que iria ficar para bater uma “pelada” e relembrar os bons tempos. Decidi ficar também e comentei que, na idade em que estamos a cabeça ainda pensa, mas as pernas não respondem mais. Então, o amigo me falou algo muito interessante que me pôs imediatamente a ref...

Depois das mortes no berçário...

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Jessé Souza* A situação da única maternidade pública do Estado de Roraima, largada às traças há muito tempo e na maioria dos governos, é apenas uma das faces dos governantes que não dão prioridade não apenas à saúde pública, mas também à infância roraimense. A desculpa atual seriam as venezuelanas que estão aumentando a demanda de atendimento no setor público, o que não dá mais para engolir. A morte de bebês por infecção hospitalar, que ocorreu no final da década de 1990 nesse mesmo Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, foi o cume da desassistência às famílias de mulheres grávidas e suas crianças. As mortes tornaram-se um escândalo de proporção nacional e, desde lá, já era para Roraima ter mantido investimento a fim de garantir um atendimento de qualidade, independente de haver venezuelanas ou não. Porém, depois dessa tragédia de dezenas de crianças mortas por infecção hospitalar, alguma providência foi tomada a fim de evitar que os gestores daquela época (a pro...