Postagens

Vendilhões e a fé

Imagem
Jessé Souza* Tenho evitado tratar de religião. Não por temer qualquer castigado vindo de algum raio que vá me partir ao meio, mas porque cansei de fanáticos religiosos que acham que têm o poder de mandar qualquer um para o inferno, como se fossem procuradores do próprio Deus Pai Todo Poderoso, ou que acham que todos, indistintamente, devem a adotar a Bíblica como uma lei que valesse com força jurídica em nome do Estado. Porém, a última de Silas Malafaia não pode passar em branco nem ser tratado com desdém, pois este senhor enganou muita gente no início de seu trabalho, quando parecia que iria ser um religioso sério, diferenciado dos vendilhões do Templo que existem por aí. Ledo engano – e eu fui um dos que cheguei a escrever elogios a ele. A decepção começou quando Malafaia veio a Roraima, disfarçado de pregador da Palavra, para pedir votos para o então governador Anchieta Junior (PSDB), aquele mesmo do “governo cupim”, responsável pela maior catástrofe administrativa qu...

Casa do Carvalho

Imagem
Jessé Souza* Cuidado com aqueles que dizem que querem salvar - e não estou me referindo tão somente à religião. Na América Latina, vários países, inclusive o Brasil, já caíram em golpes militares sanguinários por meio de discursos de salvação. Prega-se uma trama maligna que não existe para que as pessoas acreditem que elas precisam ser protegidas e salvas. No Brasil, para que a ditadura militar fosse justificada e aceita, disseram que iriam salvar o país dos comunistas, da destruição da família e da degradação moral e dos bons costumes. As últimas ocupações militares a países na América do Sul tiveram o mesmo discurso de salvação. Os falsos religiosos sabem usar isso muito bem. Dizem que vão salvar as pessoas da pobreza, do pecado e do fogo do inferno com a principal finalidade de aumentar seus patrimônios financeiros por meio do dízimo, das ofertas, do sacrifício financeiro, da venda de CDs, de amuletos abençoados, pedaço da arca, da cruz, vidros com águas do rio Jordão.....

Vírus reacionário

Imagem
Jessé Souza* Com a popularização da internet, um movimento reacionário que vivia oculto ganhou força. As pessoas estão sendo bombardeadas para que percam qualquer esperança em mudar a realidade, como se não houvesse vida fora do capitalismo, que direitos humanos são coisa de desocupados, que defender meio ambiente é para lunáticos, que a meritocracia é inquestionável e que tirar presidente eleito é como se fosse um jogo de futebol. Os reacionários assustam. Porém, o pior é que muita gente passou não apenas a acreditar neles, mas a absorver as ideias como se fossem uma bíblia tão reacionária quanto qualquer religioso fanático. E a vida particular, sexual ou não, passa a ser de interesse coletivo, passível de punição com base nas leis do céu ou da justiça dos homens. Nas ideias reacionárias, não há divisão de religião do que é atribuição do Estado. Os fanáticos apelam para tudo, para a Bíblia, para as leis e preconceitos a fim de satisfazer seus pensamentos e atitudes cont...

De cima para baixo

Imagem
Jessé Souza* Pirataria é crime. Vender produtos piratas é contra lei. Montar uma banca qualquer de camelô na calçada sem autorização das autoridades também. O Centro de Boa Vista está cheio de barracas com produtos da Guiana e da Venezuela, concorrendo ilegalmente com quem paga imposto. Porém, é somente com este olhar que devemos enxergar essa realidade em Boa Vista? A resposta é não. Embora os discursos das autoridades e dos mais extremistas afirmem que o comércio ilegal prejudica a sociedade por causa da sonegação de impostos ou porque a pirataria também esteja associada supostamente a outros crimes, esta não é uma realidade específica de Roraima, que está na fronteira com dois países, ou de qualquer outra cidade brasileira. Nos Estados Unidos do século XIX, por exemplo, surgiram os “robber barons”, ou os “barões ladrões”, que abriam os seus negócios primeiro e depois buscavam o perdão da lei. E, na atualidade, são várias empresas de grande porte que jogam sujo na inte...

Flores, semáforos e 2018

Imagem
Jessé Souza* Já era tempo. As ultrapassadas rotatórias, que nos serviram bem até o trânsito da cidade inflar, estão sendo retiradas para que sejam implantados semáforos em seu lugar. Faltando quase um ano para começar o processo eleitoral de 2016, a administração municipal começou a entender: não somos contra flores e jardins, apenas queremos outras prioridades. Sentimos orgulho de nossa cidade florida, que dão mais encanto a quem mora aqui e surpreende quem chega. Porém, as flores não são prioridades para salvar vidas nem proporcionar bem-estar em uma cidade onde o trânsito tornou-se um grande problema. Então, o mais sensato, obviamente, é plantar menos flores e instalar mais semáforos, substituindo as rotatórias que não suportam mais o fluxo de veículos que se avolumou nos últimos anos. Algumas sinaleiras já foram instaladas, garantindo mais segurança no trânsito. O problema é que isso demorou muito a acontecer. Bancamos, como contribuintes, um serviço milionário d...

COLUNA KANAIMÉ

Imagem
MAIS UMA A entrega da reforma de mais uma escola pública na Capital faz relembrar a situação em que o setor educacional foi deixada durante cinco anos, com o teto desabando em cima da cabeça dos estudantes. Construída entre os anos de 1999 e 2000, a Escola Estadual Carlo Casadio, localizada no bairro Cinturão Verde, zona Oeste de Boa Vista, está na lista das que precisaram ser reconstruídas. Pela primeira vez aquela unidade por reparos na estrutura física. Esta é a quinta unidade de ensino da rede pública que recebe serviços de substituição de itens danificados, reparos na estrutura e outras melhorias. A solenidade de entrega à comunidade ocorreu na amanhã deste sábado, dia 13. As imagens falam por si só de como estava o prédio e de como ficou agora. DEPLORÁVEL A situação em que se encontrava a  unidade escolar não difere das demais que estão recebendo as obras e foi classificada pela própria comunidade escolar como “deplorável e de total abandono”. “Estudo n...

No gogó

Imagem
Jessé Souza* A grande verdade é que sempre vivenciamos uma política da enganação, chamada de “política do gogó”, na qual o blábláblá serviu de cortina para esconder a fala de interesse em cuidar do desenvolvimento de Roraima. Não conseguimos sequer resolver problemas históricos, como a questão energética, que é uma das bases para se começar a pensar em programas e políticas para desenvolver o Estado. Ao contrário disso, podemos perceber que os políticos experimentaram um vertiginoso crescimento em seus patrimônios pessoais e em suas contas correntes. A começar pelo fato de que eles são proprietários dos principais empreendimentos locais, de supermercados a postos de gasolinas, de donos de imensas terras urbanas e rurais a empresas de mineração. Enquanto eles lutavam pelo desenvolvimento financeiro deles, o Estado de Roraima vem sofrendo a duras penas para ter o direito de conquistar estrutura mínima. A política do gogó enganou que a sonhada autonomia iria chegar com a co...