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Sorte e o pau de galinheiro

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Jessé Souza* O estardalhaço que a Globo fez com o governo de Dilma Rousseff (PT), bradando contra a corrupção e cobrando moralidade, parece que não se aplica ao governo de Michel Temer (PMDB). Além de o tom ter mudado, o discurso agora é completamente alheio à realidade. Para contextualizar, o novo líder do governo Temer, na Câmara, André Moura (PSC),  é réu da Operação Lava Jato e investigado por tentativa de homicídio. Ou seja, ele não é tão somente um “ficha suja” qualquer, é um “ficha sujíssima”. Seria o suficiente para haver panelaços e uma corrente de indignação nas redes sociais. Ao noticiar essa informação do novo líder “pau de galinheiro”, a Globo não só falou fino, na manhã de ontem, como a entrada ao vivo do festejado comentarista Alexandre Garcia foi no mínimo ridícula: “Depende da sorte”. Ou seja, no governo do PT, investigado assumir um cargo era pilantragem, mas, no governo Temer, um “ficha sujíssima” ficar à frente de um cargo importante é “questão de...

Combate ao vandalismo

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Foto:   Gislaine Lima Jessé Souza* A questão do vandalismo é preocupante, pois destrói aquilo que é mantido com o dinheiro público. E a Prefeitura tem explorado esse sentimento de revolta das pessoas como forma de propaganda positiva de sua administração, como se os vândalos fossem exclusivamente culpados pela deterioração do bem público. O maior vândalo do patrimônio público, em Boa Vista, bem como em nosso Estado, é o próprio poder público, que deixa os bens dos governos se deteriorarem com o tempo, junto com o vandalismo, para que depois possam fazer reformas e revitalizações com preços superfaturados. A Praça das Águas é apenas um desses exemplos. Como os serviços de manutenção nunca foram feitos, tudo acabou deteriorado, a ponto de as fontes pararem de funcionar, o serviço de som se danificar, o piso não mais prestar e assim por diante. Com aspecto de abandono, o vandalismo apenas seguiu o cortejo. A reforma da praça, então, que poderia ter custado ...

Propinoduto Brasil

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Jessé Souza* Dias desses, soube do caso de uma empresa local que tenta receber o pagamento pelos serviços que presta a governos para que possa sobreviver e pagar salários e os direitos trabalhistas de seus funcionários, os quais prestam serviço a órgãos públicos. Missão difícil esta porque, por onde seus representantes andam, tentando fazer seus processos correrem, aparece alguém pedindo propina. Esse caso representa o resumo de tantos outros que alimentam a corrupção nesse país do impeachment. É praticamente um tormento um empresário honesto querer sobreviver prestando serviço para governos, a começar pela licitação, pois geralmente ela é dirigida para quem faz parte dos esquemas, geralmente uma empresa que se submete à propinagem ou que pertence a políticos. Diante desse quadro, é difícil explicar aos extremistas que atacam movimentos sociais que lutam pelos direitos da coletividade e de minorias, que é essa batalha não é necessariamente contra o capitalismo nem em favor...

EUA, Ruanda e cleptocracia

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Jessé Souza* Essa corrupção endêmica só ocorre no Brasil? Estamos fadados a essa índole de corruptos terceiro-mundistas? A partir desses questionamentos, andei pesquisando, neste fim de semana, sobre o assunto. Como já fiz intercâmbio nos Estados Unidos, no início da década de 2000, quando conheci um pouco da realidade e as nuances da corrupção norte-americana. Nos EUA, a corrupção existe, não nos moldes do que ocorre por aqui, porque lá a relação das grandes empresas e corporações com a política é bem vigiada, com doações de campanha dentro da legislação, evitando as máfias semelhantes às instaladas no Brasil, onde as empreiteiras pagam propinas para “ganhar” licitações ou fazem doações para campanha por meio de “caixa 2” a fim de manter a cleptocracia. Essa promiscuidade até chega a existir por lá, mas as atuações ilegais são desmascaradas e os parlamentares acabam sendo pegos de alguma forma, pois não existe imunidade parlamentar para quem comete crimes de qualquer or...

Desratização na base

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Jessé Souza* O que está ocorrendo em Boa Vista nada mais é do que sempre venho insistindo aqui, neste espaço, sobre a necessidade de começar a moralizar a política partidária a partir da base, ou seja, com a eleição dos vereadores de cada cidade. Se a faxina não começar nas eleições municipais, pouca coisa irá mudar no país, a começar por esse governo de Michel Temer (PMDB), onde corruptos se passam por salvadores da Nação. É partir das cidades e dos estados que o eleitor tem enviado para o Congresso Nacional os corruptos que vêm arrasando o país ao longo dos anos, os quais são responsáveis pela condução da política, retirando ou dando apoio aos governantes de acordo com suas conveniências e interesses escusos. Em outubro, teremos a oportunidade de mostrar se realmente toda essa mobilização e discurso de moralidade é pra valer mesmo. Os últimos acontecimentos têm mostrado vereadores enrolados com a Justiça por má aplicação de recursos, inclusive com um deles afastado por det...

O jogo sujo

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Fonte:  www.afonsolopes.com Jessé Souza* A desinfecção na política não é fácil e precisa ser muito mais ampla do que um impeachment, que significa muito mais uma disputa pelo poder do que por melhorias no Brasil. É preciso que as pessoas boas e preparadas passem a ocupar a política partidária, e não afugentadas como ocorre atualmente. Mas como fazer isso se os partidos, no geral, estão nas mãos da canalhice? Talvez a resposta para este questionamento seja a chave para começar a desratizar a política a fim de que as pessoas de caráter possam ocupar os devidos lugares na política partidária. Da forma que está, com as siglas partidárias servindo ao jogo sujo, alguns sendo usadas apenas para aluguel, tudo é feito para manter a forma espúria de governar o país em todos os níveis. Os partidos acabam se tornando uma máfia a serviço de toda essa bandalheira que se vê no país. As pessoas honestas não conseguem furar esse bloqueio partidário e são descartadas de acordo...

Favela prisional

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Favela na Pamc/ Foto: Folha de Boa Vista Jessé Souza* Entra governo e sai governo, mas a atitudes em relação ao sistema prisional seguem o mesmo roteiro: quando ocorre um problema mais grave, o governo anuncia medidas (que nunca são cumpridas), os deputados sobem à tribuna com discursos inflamados (que não dão em nada), entidades aprontam relatórios (repetidos) e Ministério Público divulga suas ações judiciais que pedem melhorias nos presídios (mas nunca atendidas). Quando a imprensa esquece do fato, porque logo surgem outros tão ou mais graves, o assunto volta à mesmice, sem vontade política dos governantes, sem interesse por parte dos parlamentares e do enfadonho papel de órgãos fiscalizadores e entidades. E o caos fica para o depositário de gente vigiada por servidores que trabalham cada vez mais sem estrutura. Como não há uma mobilização de fato, por parte das autoridades, quem está nesta “panela de pressão” vê-se obrigado a aceitar as regras desse jogo, no qual ...