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Às piranhas

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Jessé Souza* Sob o estardalhaço midiático, prenderam o ex-prefeito de Uiramutã, a cidade mais isolada do Estado de Roraima, localizada dentro de uma terra indígena e que era comandada por um indígena, sem padrinhos políticos fortes. Executaram a prisão dentro do que manda a legislação, por ter sido acusado de sumir com bens e documentos da prefeitura. E o prenderam de forma tão veloz que surpreendeu os céticos da lei, da política e da política. A realidade de Uiramutã é a mesma da maioria dos municípios roraimenses, pobres de arrecadação e empobrecidos por causa dos ataques sistemáticos dos corruptos, que vão do prefeito às lideranças políticas, que não se fazem de rogados para sugar as tetas das vacas magras, e até os coronéis da política, que também tiram seus nacos das verbas resultantes de emendas parlamentares e convênios com recursos federais. Porém, a mesma velocidade e essa eficiência usadas para prender e passar Uiramutã a limpo não são adotadas nos demais município...

Bandido bom é...

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Jessé Souza* ... bandido rico. O Brasil das desigualdades sociais, em que o pobre idolatra tudo aquilo que é glamourizado e busca renegar tudo aquilo que é considerado da ralé, provoca esse tipo de distorção. O caso Eike Batista comprovou que, neste país, bandido bom é bandido rico. Quando se trata de bandido pobre, então o mantra passa a ser outro: “bandido bom é bandido morto”. Preso acusado de envolvimento na Operação Lava Jato, por pagar propina no valor de R$52 milhões, o ex-bilionário Eike Batista, que já constou na lista da Forbes como um dos homens mais ricos do mundo, provocou reações diversas nos brasileiros. Nas redes sociais, houve até comoção pelo fato de terem cortado o cabelo dele e o colocado uma farda de presidiário. Na concepção de muitos, corrupção não se trata de um crime grave a ponto de os acusados merecerem tratamento de presidiário, a exemplo das regras de Bangu 9, onde é preciso ter o cabelo cortado e uma farda de detento. Aliás, ao chegar ao aerop...

Presídios e professores

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Jessé Souza* Não foi uma profecia, mas uma constatação óbvia que não precisa de bola de cristal: em 1982, Darcy Ribeiro disse que, se os governadores não construíssem escolas, em duas décadas faltaria dinheiro para construir presídios. E não deu outra. Hoje, os estados vivem a pior crise no sistema prisional da história do país. Relembrando, o Estado de Roraima foi onde a bomba estourou definitivamente, no fim do ano passado, com a carnificina de 10 detentos dentro da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), o que foi seguido pelos presos de Manaus (AM) para logo depois a cena de carnificina se repetir em Roraima, desta vez com 33 mortos, e seguir por outros estados. Embora os governantes tenham começado a agir, tentando estancar a sangria medieval que tomou conta dos presídios, não serão essas medidas que vão resolver definitivamente o problema do sistema prisional e da violência no Brasil de uma forma geral. Acima de tudo, será preciso investir em educação, ond...

CBX, Corrupção Brasil se multiplicando

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Jessé Souza* Essa é a cara do Brasil: o homem que já foi o mais rico do Brasil, Eike Batista, construiu sua fortuna com a ajuda da corrupção que campeia sem freio no meio político.  Com o desdobramento da Operação Lava Jato, a Polícia Federal aponta Eike, hoje ex-milionário, como um dos envolvidos no suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro que tem como personagem o ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, que já está preso. As cifras da corrupção apontam R$52 milhões em propina. É assim que a corrupção endêmica funciona no Brasil, com o dinheiro público alimentando esquemas envolvendo empresários desonestos, os mesmos que se beneficiam das falcatruas e depois lavam a mão dos corruptos em forma de doação para campanha eleitoral. Só para contextualizar, a marca das empresas do grupo empresarial leva as iniciais do nome de seu proprietário com a letra “x” no final, significando a multiplicação de seus negócios: EBX. Sendo assim, a Corrupção Brasil também te...

Do avesso

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Jessé Souza* Uma discussão nas redes sociais, que em primeiro momento parece algo estéril ou insignificante para os brasileiros, precisa ser visto com outro foco. A frase questionada é: “Trump não me representa”. Logo surgiram “memes” e inúmeras críticas aos que escolheram protestar contra o presidente dos Estados Unidos, por ele estar distante de nossa realidade e, por isso, não importasse para os brasileiros. É preciso entender que Trump assumiu seu país dando os primeiros passos para uma nova ordem mundial baseada no ódio, na supremacia dos norte-americanos, no ataque desmedido à imprensa (o principal fiscal dos governos) e seus “delírios protecionistas” que podem provocar estragos na economia mundial sem precedentes, já que vivemos em um mundo globalizado e conectado. Sua forma de fazer campanha eleitoral já havia dado o indicativo, por ter sido baseada em compartilhamentos de falsas notícias, o que vem sendo copiada pelo mundo e só reforça o esmagamento da ética na po...

Criador e criaturas

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Jessé Souza* Dois dias depois do artigo “Fake news”, publicado neste espaço, a assessoria de um parlamentar começou a ter muito trabalho para deletar e monitorar a avalanche de comentários de internautas, no Facebook,  acusando o político diretamente como responsável pela morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, vítima de um acidente de avião no Rio de Janeiro, no dia 19. O perfil do parlamentar até hoje recebe uma enxurrada de acusações diretas e indiretas como responsável ou interessado pela morte do relator da Operação Lava Jato no Supremo. Afinal, um áudio revelou o interesse desse político em enterrar as investigações, citando nominalmente o nome de Teori como o mais difícil, dos ministros, de ser dobrado. Então, diante das paranoias, das teorias conspiratórias e mentiras criadas na guerra de compartilhamentos virtuais, a verdade é a primeira a ser manipulada ou ignorada. E, mediante o grande volume de informações sendo disparadas, as p...

Caixas, pandora e Quixote

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Jessé Souza* Ao receber o Governo do Estado como uma “terra arrasada”, a atual administração prometeu uma auditoria e a responsabilização de administradores anteriores pelas perdas e danos causados ao Erário, ao bolso do contribuinte, aos cofres públicos. Mas não foi isso o que aconteceu. Quem apostou nessa administração ficou nesse vácuo da falsa expectativa. Esse é o grande mal da administração pública: os gestores que deixam os cargos vão jogando as bombas no colo das próximas administrações, as quais acolhem em primeiro momento como discurso de “terra arrasada” e, depois, para justificar a falta de um projeto a fim de recuperar o que foi perdido e fazer a máquina funcionar em favor da sociedade. Foi assim nesse governo, que passou um bom tempo culpando a administração anterior e que ainda continua usando esse escudo para justificar a incompetência em não conseguir administrar melhor. Está sendo assim com a maioria dos prefeitos dos municípios mais pobres do interior,...