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De Leste a Oeste, um sopro

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Jessé Souza* Sem fazer nada no fim de semana e entediado com o ar-condicionado, decidi abastecer o tanque do carro e dirigir pela cidade. Comecei almoçando no shopping onde começa a zona Leste e, de lá, parti para os últimos bairros na zona Oeste, no outro extremo. À medida que as áreas centrais iam ficando para trás, onde tudo parecia estar em câmera lenta (slow mocion, para os mais novos), a vida começava a pulsar. Quanto mais longe, a geometria do urbanismo do Centro passa a ser substituída pela confusão do emaranhado de ruas e gente. Então, antes que terminasse a primeira pasta de música do meu pen drive, eu já estava no fim da cidade, onde as casas enfileiradas em forma de conjuntos habitacionais contrastam com o típico lavrado roraimense, anunciando que ali é o fim da zona urbana. Depois de observar a Serra Grande ao fundo, em direção ao Sul, imaginei: é isso que faz com que alguns não se adaptem por aqui, pois tais pessoas já não conseguem mais viver fora do víc...

A interrogação

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Jessé Souza* Não é apenas o Espírito Santo que padece. É todo o corpo do Brasil que apodreceu. Enquanto os saqueadores atacam em um Estado brasileiro sitiado, os políticos safados agem às claras em Brasília, saqueando o que ainda resta de moralidade nesse país – se é que restou alguma ponta de virtude na política. Se Deus é brasileiro, então o Pai tem que chamar o Filho e o Espírito Santo para reconstruir o Brasil que foi consumido pela canalhice e pela corrupção dos maus políticos, porque os safados estão agindo às claras e não há esperança de que haja cidadão brasileiro decente em número suficiente capaz de consertar essa política por meio do voto. Os principais políticos que estão comandando o país, um deles saído dos votos dos roraimenses, são chamados de quadrilheiros sem que haja a mesma indignação que se viu, recentemente, quando os brasileiros incendiados pela Rede Globo vestiram a camisa da Seleção e foram às ruas apoiar o golpe do impeachment. Em Roraima, um ...

Venezuela?! Não, é o Brasil

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Jessé Souza* Não estamos assistindo a cenas da esfacelada Venezuela, onde faltam comida e dinheiro.  Nem o Brasil corre o risco de se tornar uma república bolivariana, como pregam irresponsavelmente os embusteiros das redes sociais. O que estamos vendo são brasileiros do Espírito Santo se aproveitando da falta de policiamento ostensivo, nas ruas, para saquear comércio, assaltar e matar. Não se trata apenas da ausência da polícia. Trata-se da ausência de caráter, da sensação de esculhambação geral da nação e da degeneração de um país que não investe na educação. É a realidade brasileira daqueles que, na ausência dos olhos da polícia e da Justiça, também estão prontos para cometerem “jeitinhos”, delitos e crimes. A situação do Espírito Santo é a elevação à máxima potência da frase de Georg Christoph Lichtenberg: “Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”. Roubaram tanto esse país, esculhambaram os poderes, sucatearam tudo o que puderam a ponto ...

Do perfume à burrice

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Jessé Souza* Certa vez, postei um resmungo nas redes sociais a respeito de pessoas que usam perfumes fortes nas primeiras horas da manhã para fazer caminhadas. Para quem está praticando exercícios, perfume às 5 horas provoca uma sensação de sufocamento, causando uma repulsa imediata por aquele cheiro. Ao conhecer uma internauta com a qual só mantinha contatos virtuais, ela quis saber por que eu não gostava de perfume. Embora minha postagem tenha sido bem clara e direta sobre pessoas que usavam perfume forte bem cedo da manhã, na hora de fazer exercícios físicos, a pessoa supôs que eu não gostasse de perfume sob hipótese alguma. A interpretação tornou-se um caso sério nas redes sociais. As pessoas cada vez mais mostram-se despreparadas para compreender aquilo que estão lendo. E quando há uma motivação extra, como o ódio gratuito pela opinião divergente, a situação ganha contornos piores. Há outro problema que segue nessa mesma lógica, que é a leitura apressada e superfi...

Violência travestida de política

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Jessé Souza* Quando não havia internet e sequer essa espetacular rede mundial não era concebida como ficção, isso na década de 70, a grande preocupação dos pais com suas crianças era a praça pública, local onde poderia aparecer um malandro com droga ou um delinquente praticando um ato de violência gratuita. Como a maioria dos temores não era real, inventavam-se mulheres que raptavam crianças no caminho de volta da escola, ou mesmo um vendedor de balas que oferecia bombons misturados com uma droga qualquer. E as crianças chegavam a acreditar nisso como uma ameaça real em seu imaginário fértil. No momento em que a televisão tornou-se popular, com o aparelho de TV ocupando um lugar privilegiado da casa, a sala, os filmes de tiros e de helicópteros explodindo eram a grande preocupação. Pais chegavam aterrorizados, do cinema, nas décadas de 80 e 90, diante das cenas com tantos tiros e sangue no filme do Rambo. Mais recentemente, quando finalmente a internet se tornou real e...

Às piranhas

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Jessé Souza* Sob o estardalhaço midiático, prenderam o ex-prefeito de Uiramutã, a cidade mais isolada do Estado de Roraima, localizada dentro de uma terra indígena e que era comandada por um indígena, sem padrinhos políticos fortes. Executaram a prisão dentro do que manda a legislação, por ter sido acusado de sumir com bens e documentos da prefeitura. E o prenderam de forma tão veloz que surpreendeu os céticos da lei, da política e da política. A realidade de Uiramutã é a mesma da maioria dos municípios roraimenses, pobres de arrecadação e empobrecidos por causa dos ataques sistemáticos dos corruptos, que vão do prefeito às lideranças políticas, que não se fazem de rogados para sugar as tetas das vacas magras, e até os coronéis da política, que também tiram seus nacos das verbas resultantes de emendas parlamentares e convênios com recursos federais. Porém, a mesma velocidade e essa eficiência usadas para prender e passar Uiramutã a limpo não são adotadas nos demais município...

Bandido bom é...

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Jessé Souza* ... bandido rico. O Brasil das desigualdades sociais, em que o pobre idolatra tudo aquilo que é glamourizado e busca renegar tudo aquilo que é considerado da ralé, provoca esse tipo de distorção. O caso Eike Batista comprovou que, neste país, bandido bom é bandido rico. Quando se trata de bandido pobre, então o mantra passa a ser outro: “bandido bom é bandido morto”. Preso acusado de envolvimento na Operação Lava Jato, por pagar propina no valor de R$52 milhões, o ex-bilionário Eike Batista, que já constou na lista da Forbes como um dos homens mais ricos do mundo, provocou reações diversas nos brasileiros. Nas redes sociais, houve até comoção pelo fato de terem cortado o cabelo dele e o colocado uma farda de presidiário. Na concepção de muitos, corrupção não se trata de um crime grave a ponto de os acusados merecerem tratamento de presidiário, a exemplo das regras de Bangu 9, onde é preciso ter o cabelo cortado e uma farda de detento. Aliás, ao chegar ao aerop...