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Um novo capítulo

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Jessé Souza* A greve dos professores estaduais, que foi reforçada com a adesão dos professores indígenas, serviu para demonstrar o que venho repetindo aqui há um certo tempo: não se pode mais pensar em desenvolver o Estado de Roraima sem incluir as populações indígenas. Depois de anos de preconceito e ataques a estas comunidades tradicionais, é preciso se despir do que foi pregado há anos por políticos que usaram a questão indígena para esconder suas incompetências e corrupções. Os índios deram um passo importante com esta greve, o de não ceder à pressão do governo com seus atos, querendo achar que estava lidando com indígenas que facilmente poderiam ser repelidos ao primeiro grito, como os fazendeiros faziam com os seus pões no curral, ou como fazia com os professores seletivados, que metiam o rabinho entre as pernas na primeira olhada com a cara feia. Até ameaças foram usadas, com gravações que incitavam as pessoas a agirem na violência para “expulsar” (veja só!) os prof...

Remendos e improvisos

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 Jessé Souza* Como está se tornando comum, no Brasil, os reacionários e fascistas atacarem todos aqueles que brigam por seus direitos, principalmente categorias trabalhistas, então a situação dos professores estaduais em greve em Roraima é um bom exemplo a ser observado. Usando toda a força da mídia, os que querem desmoralizar os grevistas usam de todas as artimanhas. Porém, o que ninguém analisar são os fatos, com base nas leis, para observar que, não apenas esta atual administração, mas todas que passaram, sequer cumprem o que manda a legislação para garantir os direitos dos professores. O pagamento das progressões horizontal e vertical é a prova cabal. Embora seja uma garantia em lei, historicamente os professores precisam se submeter a uma verdadeira humilhação para provar tempo de serviço e formações para conseguir alguns reais a mais no seu contracheque. Há uma incompetência generalizada para conceder o que a lei garante. Bastaria fazer a comissão responsável p...

Plateia senta-e-levanta

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Jessé Souza* Há um certo tempo, a Globo tem tentado fazer de notícias sérias um espetáculo, algo que fuja dos fatos para folclorizar, espetacularizar, a fim de que o público se confunda e não consiga mais separar o que é verdade do que é mentira, o que é importante do que é banal. Assim, até a violência é enfeitada para se enquadrar nesta “nova realidade”. No programa dominical Fantástico, por exemplo, as informações sérias são permeadas com banalidades. Quem gosta de futebol pode perceber claramente sobre o que estou querendo explicar. Na hora de tratar sobre os campeonatos, o gol deixa de ser mais importante do que as “furadas”, os fatos inusitados ou grotescos. Quando em uma partida tem muitos gols, por exemplo, nem todos são mostrados e, se um time é de interesse da casa, até pode passar todos os gols da partida, mas na pressa, sem replay e sem qualquer detalhe que possa interessar ao torcedor de uma forma geral. Sendo assim, o futebol foi transformado em algo pare...

Da mesma farinha

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Jessé Souza* Jogar a culpa na administração anterior não é uma realidade somente deste ou daquele governo. Isso se tornou parte da chamada cultura política brasileira. Assim que assumiu, a atual administração da Prefeitura de Boa Vista também fez o mesmo: passou meses lançando culpa na administração anterior. E se repetiu com o atual grupo que comanda o Estado. Mas há um grande “porém” nisto tudo: mudam os administradores, mas os políticos que tomam as decisões são praticamente os mesmos, senão de nomes ou de partidos, e os grupos são os mesmos que se revezam no poder há anos. Vejamos na Assembleia Legislativa e na própria Câmara Municipal de Boa Vista, onde as figuras são repetidas. No Legislativo estadual, então, há gente enraizada desde a primeira legislatura. Na Câmara Federal e no Senado a realidade é semelhante, onde trocam-se as cascas, mas a essência é a mesma. Significa dizer que, embora haja troca de comando no Estado e na Prefeitura, quem conduz a polít...

Ovos de ouro

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Jessé Souza Independente de greve ou não, a Educação em Roraima sempre foi tratada como um “bom negócio” para os políticos, principalmente em ano eleitoral. Não podemos esquecer que, não faz muito tempo, secretária de Educação passou a ser coordenadora e tesoureira de campanha eleitoral. E, a cada ano, as escolas se transformam em comitês eleitorais. A cada início de ano letivo, faltam professores, merenda e transporte escolar. A cena se repetiu em 2015, com a justificativa da atual administração de que o governo anterior havia deixado tudo largado. Isso é verdade, mas, independente da troca de governo ou não, todo início de ano as cenas se repetem. Neste ano, esse governo foi alertado que não iria dar certo a tal decisão de não renovar os contratos dos professores seletivados. E não deu certo mesmo, obrigando o governo a seguir com os remendos que são feitos anualmente. Assim como foi avisado dos demais problemas recorrentes, mas decisões atropeladas foram tomadas, a exem...

Na base do remendo

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  Jessé Souza* A criminalidade em Roraima está ligada diretamente à incompetência do Estado em resolver os graves problemas do sistema prisional, o qual vem sendo administrado na base do improviso há anos, com a direção dos presídios negociando privilégios com os bandidos a fim de evitar o pior, aliviando descontentamentos que possam levar a motins e fugas. Empurrando os problemas com a barriga, os governos vão trocando de administradores, que por sua vez vão repassando a incompetência e os problemas para o próximo. E quem paga a conta é o povo nos dois sentidos: por meio de altos impostos e também com transtornos e prejuízos de furtos e assaltos ou até mesmo com a vida. E não há perspectivas de se mudar esse quadro em curto espaço de tempo, pois os cofres públicos estão vazios, o sistema prisional não é prioridade e inexiste previsão para novos concursos a fim de reforçar as polícias e os presídios com mais agentes penitenciários. Sem falar que não há como pensar ...

Com o diabo em Brasília

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Jessé Souza * As últimas máscaras estão caindo, em nível nacional. Os grandes esquemas que abalaram a República começam a enlamear a política roraimense. Mas, pelo que vem acontecendo nos últimos dias, existe uma corrente política que tenta, de todas as formas, jogar a culpa exclusivamente em uma única figura ou um único partido. Pelo que se desenha, esta “corrente do impeachment” visava matar dois coelhos com uma cajadada só: achar um culpado por tudo o que está acontecendo no Brasil, colocando a presidente Dilma Rousseff (PT) fora; e colocar o país nas mãos definitivamente do PMDB, que agora está sendo apontado como um dos beneficiados não apenas no caso do petrolão, mas da “propina atômica”. Infelizmente, o PT se perdeu no poder como todos os outros, com suas figuras envolvidas nos principais esquemas de corrupção, traindo a confiança do povo. Porém, a bandalheira foi geral, inclusive com a participação de vários partidos, a exemplo do PMDB, que faz parte do governo de ...