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De boa

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Jessé Souza * Surgiu nas redes sociais o “deboísmo”, um neologismo considerado uma corrente filosófica, cuja principal regra é “viver de boa com a vida”. Os criadores dessa nova tendência (há quem chame de “religião”) criaram uma página no Facebook e começaram a partilhar mensagens que incentivavam o respeito e a calma nas relações entre os usuários das redes sociais. A ideia surgiu de um casal a partir das observações sobre brigas e falta de entendimento entre as pessoas no Facebook. No entanto, os criadores desta “doutrina” afirmam que não se deve confundir os princípios do “deboísmo” com a preguiça ou o comodismo. O objetivo é enfrentar e debater os problemas ou desafios, mas com respeito, calma e, acima de tudo, paz. Trata-se de uma brilhante ideia diante de uma corrente que tem se destacado na internet pregando o ódio e a intolerância na política, nas relações humanas e principalmente na religião. Um etnocentrismo que está descambando para o fascismo ou nazismo. H...

Trocando o bonde

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Jessé Souza* A educação tradicional do giz e do quadro negro já vem sendo superada há um certo tempo com a chegada de novas tecnologias. E não estou me referindo somente à internet, mas também a instrumentos como notebook, data-show, celular e outros equipamentos que podem gerar arquivo e imagens. A internet com o Google e redes sociais, como Facebook e o Youtube, fisgou definitivamente o público mais jovem, mas bem mais jovem mesmo, beirando a pré-adolescência, que tem buscado novas maneiras de se relacionar com amigos e com mundo por meio de “likes”, “seguidores” e “compartilhamentos”. E a escola precisa acompanhar isso, levar o que é bom para dentro de sala de aula para que ela possa começar a conversar de forma bem aproximada com essa nova turma plugada na internet. Não adianta mais tão somente proibir o celular com internet e suas várias possibilidades de pesquisas e interação.  O problema é que a maioria das escolas públicas está longe desta realidade, pois m...

Boitatá voador

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Jessé Souza* Não vou cansar de repetir isso: Boa Vista é do tamanho de um bairro de Manaus ou de uma grande metrópole, em termos populacionais. E o detalhe importante é que nossa Capital concentra a maior parte da população do Estado. Isso significa dizer que Boa Vista é uma cidade-Estado, mas que equivale a um bairro de qualquer capital brasileira mais desenvolvida. Porém, esse fato tem outro aspecto a ser observado. Significa que temos 24 deputados, 21 vereadores, uma governadora, uma prefeita, oito deputados federais e três senadores para cuidar de uma cidade do tamanho de um bairro de uma capital brasileira. Então, surgem as perguntas: Por que tem tanta gente eleita e paga com dinheiro público (leia-se dinheiro de nossos impostos) para administrar uma cidade do tamanho de um bairro, mas não se consegue resolver os principais problemas que afetam a população? Incompetência? Desleixo? Falta de vontade? Ou o quê? Nas grandes cidades, uma subprefeitura consegue comanda...

Começando pela aldeia

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Jessé Souza* Existe um velho conselho de que é preciso primeiro conquistar a nossa aldeia para depois pensar em conquistar o mundo. Ele está mais atual do que nunca, apesar da avalanche que se tornou a internet com suas redes sociais que invadem nossas telas e entranha em nossas realidades. Embora a tendência seja achar que a globalização, com a grande teia, esteja nos devorando, não é bem assim. É fato que a internet transformou a realidade, mas ninguém vai conquistar o mundo se não conhecer bem a realidade local, o lugar onde se vive, a nossa aldeia. A tendência da velha e grande mídia (eles chamam de mídia tradicional) é saber como lidar com essa instantaneidade provocada pela internet e a necessidade de as pessoas quererem tudo muito rápido. Porém, depois da avalanche, as pessoas querem compreender o que sobrou, o que ficou, o que era factóide e o que é fato. E assim é no mundo todo. Embora a gente possa acessar o Google e saber tudo sobre Roraima, por exemplo, nem...

Tem jeito, sim!

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Jessé Souza* Embora a corrupção seja uma prática presente na política brasileira, ela não é um problema apenas do Brasil ou uma “questão cultural” nossa. E não sou eu em quem está afirmando isso. A avaliação é do advogado alemão Andreas Pohlmann, um dos maiores especialistas em compliance (respeito à legislação) do mundo. Em entrevista à Folha de S. Paulo , ele disse que a corrupção no Brasil não é resultado de um traço cultural do país, mas da concentração em setores como petróleo e gás, mineração e engenharia e construção para a economia. "Essas indústrias precisam ser olhadas com atenção em qualquer parte do mundo", disse. Segundo Pohlmann, o cerco contra grandes companhias que praticam malfeitos está se fechando. "Não há escapatória", afirmou ao frisar que, hoje, mais países, como o Brasil, estão evoluindo em regulações. “As companhias estão entendendo o risco de não tomarem os passos corretos. Vimos isso na Alemanha, nos Estados Unidos e agora no B...

Os donos de Roraima

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Jessé Souza Já está passando da hora de as pessoas pararem de achar que são donas de Roraima, como se o Estado fosse uma propriedade particular, em que as pessoas se arvoram donas da História, dos cofres públicos, da cultura e de tudo aquilo que faz parte do patrimônio público e coletivo. Muitos ainda agem como se fôssemos aquelas imensas fazendas de gado reais, deixadas pela Coroa portuguesa, as quais os colonizadores foram se apropriando, sentido-se donos do que ficou devoluto, por desinteresse do governo central, que nada via de importante por aqui. Não somos mais esse quintal ou esse reduto que pôs a maioria dos bens nas mãos de poucos, o que fez esses alguns se arvorarem proprietários até do ar que respiramos. É preciso pensar coletivamente, com todos fazendo parte desta terra, cada um dando sua contribuição, seja nativos, quem adotou este Estado para morar ou aqueles que estão chegando. E cada um respeitando seus espaços, suas culturas e seus valores, cada um dan...

Pega pra capar

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Jessé Souza * O ponto crucial é que a atual administração encontrou o Governo de Roraima como se fosse um paciente já perto de entrar para a UTI. Este paciente só não entrou em coma profundo, há muito tempo, porque o Estado é realmente forte - não por causa de suas potencialidades, as quais estão adormecidas em berço esplêndido, mas porque sempre recebeu do paizão Governo Federal altas somas de recursos. Sendo assim, quando os cofres do Estado secam – sejam por gastos desbragados ou pela corrupção – logo estarão cheios de novo. E é por isso que ninguém quer largar o osso, ou seja, é por isso que nenhum grupo político desiste de querer pegar uma administração por mais cambaleante que seja, como é o caso atual. Eles se matariam pelo mandato (“se matar” em termos figurados, porque quem gosta de dinheiro não se mata). Ao pegar a administração desmantelada e os cofres vazios, a atual administração obviamente encontrou um grande desafio para gerir o Estado e fazer as coisas funci...