Postagens

Purgatório e desvalidos

Imagem
Jessé Souza* Retornei novamente ao Hospital Coronel Mota na manhã de ontem. Não há como não se impressionar com aquele cenário que mais parece a antessala do purgatório, não pela estrutura física e pelo atendimento em si, mas  por tanta gente desvalida em busca de atendimento médico. Gente se arrastando, gente engessada, gente amputada ou com cicatrizes que indicam que por pouco não perdeu a perna, idosos, muletas, cadeiras de rodas.... O atendimento na recepção até chegou a melhorar, pois colocaram uma moça para prestar informação com uma blusa azul estampada nas costas “Posso ajudar?”. É uma moça com semblante tenso, sem alegria, porque ali é um cenário de pós-guerra mesmo, não dá para ficar sorrindo com tanta gente remendada ou com idade avançada e doente, tudo no mesmo bolo. Da última vez que estive lá, faz duas semanas, era uma Torre de Babel horizontal, pois ninguém sabia a quem recorrer para buscar informação; e as moças do balcão de atendimento tinham que sai...

Pitiú e bomba atômica

Imagem
Jessé Souza* Quando comecei no jornalismo diário, em 1992, cheguei a uma Redação de jornal assustado, porque vi naquele momento que era um lugar para doidos varridos. Um amontoado de gente em um espaço que parecia organizado fisicamente, mas completamente fora dos padrões para alguém acostumado a escrever solitariamente nos informativos da escola. O barulho frenético dos teclados da máquina de datilografia e o som característico das laudas sendo arrancadas furiosamente do rolo da máquina para serem resgadas iradamente e jogadas no cesto de lixo, pois não havia como corrigir o que se escrevia, me fizeram imediatamente cair na realidade. “É isso o que eu quero”, disse mentalmente. Naquela época, eu tinha uma noção do que me esperava, pois eu já havia escolhido o mundo das letras desde pequeno, quando li, no livro didático da 5ª série do 1º Grau (era assim que se chamava na década de 70), um texto sobre o que era um jornal e o que era uma reportagem. Desde lá, por todas as es...

Boitatá e Mula-sem-cabeça

Imagem
Imagem: Divulgação/Google Jessé Souza* É preciso parar de comparar a situação de crise do Brasil como forma de justificar a situação caótica que o Estado de Roraima vive em setores importantes, como a Saúde e a (in)Segurança Pública. Estamos assim porque sempre tivemos políticos que não foram competentes para evitar que chegássemos a esta dura realidade. Os políticos prosperaram à mesma proporção que o Estado afundou. Já frisei e voltarei a repetir quantas vezes forem necessárias: a população de Roraima cabe dentro de um bairro de qualquer grande Capital brasileira, o que significa dizer que os políticos não conseguiram sequer administrar um "bairro". E todos sabemos por que eles não transformam esse Estado em um exemplo para o mundo. Desculpa há muitas. Já inventaram mentiras absurdas para justificar suas ações desastradas que afundaram o Estado, porém, inversamente, fizeram seus negócios prosperarem. Uma dessas mentiras deslavada era a de que o Estado de Ro...

S.O.S Segurança

Imagem
Jessé Souza* Por mais que possa haver boa vontade dos policiais, a segurança pública definhou na mesma medida em que o crime organizado avançou no sistema prisional e a bandidagem cresceu na Capital, com uma onda de assalto jamais vista em todos os tempos. Diariamente, são assaltos praticados muitas vezes à luz do dia para tomar até mochila de estudantes que saem da escola. Com toda precariedade que a Polícia Militar tem trabalhado, ainda é possível ver viaturas policiais nas ruas, algumas vezes fazendo abordagem a motociclistas, já que boa parte desses assaltos é feita por duplas que utilizam moto, geralmente roubadas ou furtadas. Porém, não se tem visto a Polícia Civil agir com mais ênfase, investigando os casos e chegando aos autores dos crimes. Nem mesmo as prisões por tráfico de droga, que é um dos motivos do crescimento da violência, têm ocorrido com a agilidade que a sociedade cobra. É bem verdade que o governo não tem proporcionado boa estrutura para a Polícia ...

Beco sem saída?

Imagem
Imagem:  www.brasil247.com Jessé Souza* Pela atual situação do Brasil, é preciso admitir que estamos em um encruzilhada, sem saber para onde caminhar. E não é só na política nacional. Aqui mesmo, em Boa Vista, temos uma Prefeitura que está sob o jugo de um dos mais citados nas investigações da Lava Jato, o senador Romero Jucá (PMDB), inclusive ele enfrentou um pedido de prisão, o qual foi negado. Aqui em abaixo, na Capital roraimense, temos uma Câmara de Vereadores que está dizendo “amém” para todos os interesses dessa Prefeitura ligada a Jucá. E há de se considerar que esta atual legislatura foi uma das mais envolvidas em escândalos e ações judiciais, incluindo aí uma matéria em nível nacional no programa Fantástico, da Globo, de uma séria chamada “Cadê o dinheiro que estava aqui”. Em nível estadual, o principal líder do grupo que comanda o Estado de Roraima, o ex-governador Neudo Campos (PP), está preso cumprindo pena por um esquema que envolve a maioria dos polí...

Largados nos confins

Imagem
Estrada em Uiramutã: descaso (Foto: Exército) Jessé Souza* A cada lugar que visito, no interior de Roraima, encontro alguém explorando o turismo receptivo sem qualquer apoio ou reconhecimento por parte dos fomentadores que usam o setor para fazer propagandas ou ganhar dinheiro. O Município do Cantá, por exemplo, que fica ao lado de Boa Vista, a Centro-Leste do Estado, é uma região rica em potencial turístico, mas sem nenhum reconhecimento governamental. Até existem algumas iniciativas que visualizam essas ações que por lá são desenvolvidas por empirismo das pessoas ou porque compreendem a importância desse mercado, na raça mesmo. Porém, não há um investimento como política de governos para que esse setor possa crescer, gerar emprego e renda para as comunidades lá inseridas, além de mostrar que é possível explorar economicamente as belezas naturais com a floresta em pé, rios e lagos preservados e a natureza intacta. O Cantá é apenas um exemplo. Mas essa desassistê...

ETs e humanidade

Imagem
Foto: JORGE CASTELLANOS/ EFE Jessé Souza* A Bíblia dos cristãos e os livros sagrados de outras religiões pregam que todos somos iguais perante o divino, filhos de um ser superior, humanos que devem se tratar como iguais. Mas, embora a religião seja presente em todos os países, o ser humano se divide por fé, por fronteiras, por extremismos religiosos ou mesmo etnias. Os seremos humanos não querem ser iguais e se mostram os únicos seres da Terra que não são pacíficos, ou seja, fazem guerra para buscar a paz. Conforme mostram os filmes hollywoodianos, talvez os seres humanos se sentiriam iguais, irmãos da mesma causa e da mesma raça, se chegassem os ETs, seres superiores, querendo se apossar da Terra. Ainda assim, talvez houvesse uns humanos traidores com mais poder tentando se aliar aos ETs para tentar oprimir os seus iguais a fim de conseguir algum privilégio entre as raças superiores de outras galáxias. Mas isso já seria história para os filmes de Hollywood de “After Da...