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A forma de se endinheirar

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Jessé Souza* Não há como transformar a realidade do Estado de Roraima, para melhor, com esta forma de se fazer política. Quem está no poder tentar tirar qualquer tipo de vantagem para ganhar dinheiro. É como se os cofres públicos fossem exclusivamente uma fábrica para enriquecer quem se elege a cargos públicos. Dois fatos que correram no fim de semana podem corroborar. O primeiro deles, a matéria da revista IstoÉ, que mostra a venda de terreno da família Jucá para a Caixa Econômica Federal por valor bem acima do praticado no mercado imobiliário. Quem conhece a realidade do Estado sabe que boa parte das autoridades se apropriou de imensas terras urbanas e rurais apenas como forma de especular. É fato irrefutável: são os coronéis da política que detém os maiores latifúndios de Roraima. São inúmeros imóveis nas mãos de familiares, agregados, testas de ferros e “sócios”. Outro fato que chamou a atenção foi a matéria do Fantástico, que mostra o festival de “fantasmas” e ...

KANAIMÉ

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REFORMA Mais uma escola pública no Estado foi reformada e entregue à comunidade, no fim de semana. Trata-se da Escola Estadual Wanda David de Aguiar, no bairro Raiar do Sol, na zona Oeste de Boa Vista. O diferencial das obras desta unidade é que nela foi observada a questão de acessibilidade para pessoas em cadeira de rodas ou com dificuldade de locomoção. A entrega desta obra faz parte do desafio que o atual governo está enfrentando para reconstruir os prédios das 380 escolas da rede estadual de ensino que ficaram cinco anos sem qualquer manutenção. A consequência disso foi a realidade que ainda se vê na Capital e interior: escolas  caindo aos pedaços ou sem o mínimo de conforto para proporcionar um ensino de qualidade.  Os gastos que se faz hoje para reconstruir os prédios poderiam ter sido amenizados se os governos anteriores tivessem dado manutenção ou realizado reformas. Como isso não foi feito, torna-se necessário um mutirão para devolver às comunidades es...

Armagedon do lavrado

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Jessé Souza* Ainda lembro daqueles extremistas que usavam a mídia local para pregar o terror e a paranoia da internacionalização em Roraima. De tão absurdo e muito semelhante a uma lavagem cerebral praticada pelas igrejas neopentecostais,  muitos até hoje estão com sequelas em seu senso crítico e inteligência. Recordo-me dos relatos surreais sobre “invasão de capacetes azuis”, “ocupação territorial pelos Estados Unidos” ou mesmo pouso de objetos voadores não identificados que iriam abduzir a mente de todos que não acreditassem em uma grotesca mentira pregada aos moldes das táticas nazistas. Essa gente era levada a sério, dava entrevista em rádios, escrevia em jornais e inflamava discursos em rodas de bate-papos, como se fossem enviados do além para anunciar o apocalipse, o Armagedon do lavrado. De tão ridículos que eram, ninguém conseguia enxergar isso. Enquanto alardeavam as pregações apocalípticas, os corruptos tinham caminho livre para se apoderar de Roraima, ...

Lunáticos do turismo

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Jessé Souza* Desde quando decidi publicar em vídeos e fotos algumas de minhas aventuras pelo interior do Estado, comecei a conhecer algumas pessoas que trabalham com turismo em Roraima, na cara e na coragem. Sem apoio governamental, elas caminham como podem, às vezes sozinhas, outras vezes juntas com outros sonhadores ou mesmo somente com a família. Enquanto isso, os governantes não querem sequer se comprometer em construir o mínimo de estrutura, como a manutenção de uma estrada ou a construção de pontos de apoio nos lugares turísticos ao menos para garantir um banheiro público, por exemplo. Na outra ponta, estão os endinheirados de Roraima, que se mandam para bem longe a cada feriado ou fim de semana, indo gastar seu rico dinheiro em outros estados ou mesmo no exterior. E vão embora porque realmente faltam opções (já que não há investimento) ou porque desconhecem o que temos aqui (ou fazem questão de desconhecer mesmo). No meio desses endinheirados estão os político...

Mall do Planalto Central

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Jessé Souza* A Câmara e o Senado aprovaram, na semana que se passou, a construção de um shopping em um anexo do Congresso Nacional. O empreendimento vai custar R$1 bilhão e inclui a construção de novos gabinetes. Esse é o valor da zombaria com a cara do povo. É como se os nobres pares não estivessem nem um pouco preocupado com a crise financeira e política pela qual o país atravessa na atualidade. O deboche é mais um episódio de como o Brasil precisa passar por uma faxina moral de cima para baixo e de baixo para cima. Os políticos perderam completamente a vergonha. Como eles já se mostraram “vendáveis”, então nada correto, por parte deles, do que oficializar o mercado instalando um shopping no Congresso, transformando esse centro do poder em um centro comercial de compra e venda. O shopping é a concretização do mercado político. Os parlamentares se vendem para empresas que bancam suas campanhas eleitorais e gastam seu rico dinheiro fazendo compras sem sair do Congresso. E ...

No topo da decepção

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Jessé Souza* Já percorri quase todo o Estado desde quando comecei a trabalhar na área de comunicação, em 1991. Naquela época, para as minhas condições financeiras, uma máquina fotográfica era impensável. Então, não tenho registros das minhas andanças pelos locais mais remotos e mais espetaculares desta Terra de Makunaima. Na verdade, eu não tinha muita pretensão com as idas ao interior do Estado, a não ser cumprir o meu trabalho ou concluir o passeio, pois eu achava um fato normal ir a um lugar sem registrar nada, sem absorver o encanto de bichos, gentes, coisas e natureza. Somente depois de chegar às quatro décadas e meias de vida é que percebi que deixei muito para trás. Então, hoje sinto a necessidade de voltar e de ir àqueles onde não tive a oportunidade de conhecer, como a região do Baixo Rio Branco.  A necessidade não é tão somente pessoal, mas profissional também a fim de divulgar o que Roraima tem de espetacular, como forma de mostrar que temos um potencial ric...

Que se dane!

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Jessé Souza* Vez por outra, surgem postagens indignadas com posicionamentos de internautas que fazem críticas à infraestrutura de Roraima, de uma forma geral - da conexão da internet à falta de locais de lazer. Alguns forasteiros são injustos e infelizes em seus comentários, porém não escreveram nenhuma inverdade. Apenas são duros e secos com esta terra que acolhe a todos. Porém, não vejo motivo para mobilizar uma onda de indignação e protesto contra quem aqui chegou e não gostou. É natural o estranhamento de quem é acostumado com a “selva de pedra” e encontra selva de verdade ao longo da BR-174 e outra “selva” de problemas típicos de um Estado que ainda sequer completou três décadas de autonomia administrativa e que depende de recursos federais. É a liberdade de expressão dos chatos. Quantas vezes criticamos a violência no Rio de Janeiro? Ou o trânsito ou a falta de água em São Paulo? Ou a frieza de Brasília com sua carestia? Ou a confusão de Manaus com seu calor quase ...