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Vamos engolir de novo...

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Jessé Souza* É proibido matar, mas mata-se como nunca neste país. É proibido roubar dos cofres públicos ou de qualquer cofre privado, mas rouba-se com ampla facilidade. Existem leis para punir assassinos e corruptos, mas ninguém se intimida porque lei nenhuma consegue impedir de se matar, de roubar, de estuprar, de cometer crimes dos mais brandos aos hediondos. Nos Estados Unidos, ou em qualquer país de primeiro mundo, lei severa não consegue impedir um elemento qualquer de cometer chacinas em sala de cinemas, shoppings, campi universitários, salas de aula ou em eventos públicos. Nem a pena de morte consegue deter criminosos. O que evita que o crime saia do controle nesses países desenvolvidos são o combate à injustiça social, investimento na educação, distribuição de renda, salários justos, política que não admita a corrupção como algo normal no toma-lá-dá-cá. País que dá condições dignas para as famílias criarem seus filhos pode aplicar uma pena severa a uma criança qu...

Quem fomos e quem somos

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Jessé Souza* Com as redes sociais, é possível notar o quanto cresce o número de pessoas que se sentem à vontade para serem racistas, elitistas (mesmo sendo pobres) e preconceituosas (inclui-se aí a homofobia). Não é um fato que surge do nada. A internet apenas está aflorando aquilo que está enraizado na nossa cultura. Somos produtos de um país marcado pelo genocídio, torturas, ditadura, escravatura e injustiças sociais. Muitas vezes, injustiças cometidas com a justificativa de que era necessário para “combater o mal” e “salvar” o Brasil. O livro “Brasil: uma biografia”, da antropóloga Lilia Schwarcz e da historiadora Heloisa Starling, dá uma pista para entender quem fomos e quem somos hoje. Vejamos, abaixo, o que a obra diz. Nossa história começou com o genocídio da população indígena, chamada hoje eufemisticamente de “encontro” de sociedades. O morticínio reduziu uma população estimada na casa dos milhões, em 1500, para cerca de 800 mil atualmente. Depois veio o sistema...

Emburrecimento

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Jessé Souza* Existe um movimento ativo, na internet, bancado por políticos, para tentar fazer nos emburrecer politicamente, como se fôssemos uma peça de um eterno joguete partidário, um palco eleitoral sem-fim. Os festejos juninos que estão sendo realizados são o exemplo de como essas forças agem nas redes sociais, desafiando o senso crítico dos cidadãos. Como a Prefeitura de Boa Vista e o Governo do Estado realizam arraial junino, logo surgem essas forças para fazer a população pensar que festejo junino é um evento partidário. Cada grupo tenta pregar que o arraial deste ou daquele governo reuniu mais gente, como se a festa fosse um comício eleitoral medido pelo número de eleitores presentes. E tem gente que cai neste apelo, partidarizando o festejo, fazendo com que as pessoas passem a defender determinada festa como se fosse uma campanha eleitoral antecipada. Na verdade, trata-se de um evento bancado pelo povo e uma festa popular que não deveria ser mais importante do q...

Um brinde!

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Jessé Souza* Não há nada de errado em reverenciar um ídolo que morreu em uma tragédia. O errado é tentar fazer o Brasil acreditar que temos que ter os mesmos ídolos criados pela TV e pelo modismo. E que temos de engolir tudo o que nos é empurrado goela abaixo, seja rock, pop, sertanejo ou música clássica. Tantos heróis anônimos que fizeram algo grandioso, mas que merecem apenas umas míseras linhas na imprensa ou alguns poucos segundos no telejornal em horário nobre. Muitos escritores que deram importantíssima contribuição para a arte, a cultura e a literatura que sequer são conhecidos porque eles não dão lucro para essa “indústria cultural” que preza pelo descartável. Diariamente, muitos pais e mães de famílias são vítimas da violência no trânsito e nos subúrbios das cidades sem que mereçam as devidas atenções, sem que suas histórias sirvam como uma boa lição para esse Brasil da frivolidade e de reacionários que conseguem adeptos pela ignorância, desinformação e o analfabe...

COLUNA KANAIMÉ

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MAIS UMA ESCOLA A cada escola cujo prédio foi revitalizado surge a lembrança de como foi largado o setor educacional no Estado de Roraima. O Governo do Estado acaba de anunciar mais uma obra de reestruturação da rede estadual de ensino. Desta vez, será entregue a reforma da Escola Estadual Maria Raimunda Mota de Andrade, nesta sexta-feira, no bairro Pintolândia. REFORMA GERAL Como o setor requer pressa, a empresa responsável teve que realizar as obras em 38 dias sem que as aulas fossem interrompidas. Assim como nas demais escolas, o prédio teve que passar por obras nas instalações hidráulica e elétrica, além da revitalização da quadra de esporte, outro espaço das unidades escolares que não consegue mais proporcionar um ambiente de lazer seguro nem para atividades esportiva e de educação física.  BEM-ESTAR É fato que educação não se faz apenas com prédio, porém a estrutura física é determinante para que alunos e professores tenham um ambiente adequado para que a sa...

Sobre vida e morte

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Jessé Souza* Meu pai dizia que ele não tinha medo de morrer, e sim de ficar agonizando até a morte. Seus temores se concretizaram depois de um atropelamento no trânsito, seguido de uma cirurgia de próstata e, por último, o Alzheimer – talvez um antídoto para esquecer o momento de dor de seus últimos dias. Comento a respeito da morte depois de ir ao velório de Dona Marlene Honorato, na Igreja Consolata, mãe de amigos de infância, Mário César, Nilton, Júlio, Márcia Saad e todos os demais parentes que viveram no bairro São Vicente por longos anos, quando ainda era uma periferia cercada por lavrados e um lago onde hoje é a Cadeia Pública de Boa Vista.  A morte assombra, sim, porque somos seres humanos inquietos sobre a eterna dúvida de onde viemos e para onde iremos quando o coração parar de bater e alma sacar desse corpo frágil. E por isso somos tão suscetíveis a todos os tipos de enganação, pois somos filhos da incerteza e, quem não se apega a Deus, perambula na inquietu...

Vendilhões e a fé

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Jessé Souza* Tenho evitado tratar de religião. Não por temer qualquer castigado vindo de algum raio que vá me partir ao meio, mas porque cansei de fanáticos religiosos que acham que têm o poder de mandar qualquer um para o inferno, como se fossem procuradores do próprio Deus Pai Todo Poderoso, ou que acham que todos, indistintamente, devem a adotar a Bíblica como uma lei que valesse com força jurídica em nome do Estado. Porém, a última de Silas Malafaia não pode passar em branco nem ser tratado com desdém, pois este senhor enganou muita gente no início de seu trabalho, quando parecia que iria ser um religioso sério, diferenciado dos vendilhões do Templo que existem por aí. Ledo engano – e eu fui um dos que cheguei a escrever elogios a ele. A decepção começou quando Malafaia veio a Roraima, disfarçado de pregador da Palavra, para pedir votos para o então governador Anchieta Junior (PSDB), aquele mesmo do “governo cupim”, responsável pela maior catástrofe administrativa qu...