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Na base do remendo

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  Jessé Souza* A criminalidade em Roraima está ligada diretamente à incompetência do Estado em resolver os graves problemas do sistema prisional, o qual vem sendo administrado na base do improviso há anos, com a direção dos presídios negociando privilégios com os bandidos a fim de evitar o pior, aliviando descontentamentos que possam levar a motins e fugas. Empurrando os problemas com a barriga, os governos vão trocando de administradores, que por sua vez vão repassando a incompetência e os problemas para o próximo. E quem paga a conta é o povo nos dois sentidos: por meio de altos impostos e também com transtornos e prejuízos de furtos e assaltos ou até mesmo com a vida. E não há perspectivas de se mudar esse quadro em curto espaço de tempo, pois os cofres públicos estão vazios, o sistema prisional não é prioridade e inexiste previsão para novos concursos a fim de reforçar as polícias e os presídios com mais agentes penitenciários. Sem falar que não há como pensar ...

Com o diabo em Brasília

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Jessé Souza * As últimas máscaras estão caindo, em nível nacional. Os grandes esquemas que abalaram a República começam a enlamear a política roraimense. Mas, pelo que vem acontecendo nos últimos dias, existe uma corrente política que tenta, de todas as formas, jogar a culpa exclusivamente em uma única figura ou um único partido. Pelo que se desenha, esta “corrente do impeachment” visava matar dois coelhos com uma cajadada só: achar um culpado por tudo o que está acontecendo no Brasil, colocando a presidente Dilma Rousseff (PT) fora; e colocar o país nas mãos definitivamente do PMDB, que agora está sendo apontado como um dos beneficiados não apenas no caso do petrolão, mas da “propina atômica”. Infelizmente, o PT se perdeu no poder como todos os outros, com suas figuras envolvidas nos principais esquemas de corrupção, traindo a confiança do povo. Porém, a bandalheira foi geral, inclusive com a participação de vários partidos, a exemplo do PMDB, que faz parte do governo de ...

Humildade e covardia

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Jessé Souza* As piadas sempre representaram uma forma disfarçada de externar preconceitos, racismo e outros comportamentos considerados reprováveis pelo conjunto da sociedade. Para defender os que tentam usar esse tipo de atitude, em tempo em que se luta contra o bullying e o preconceito ou racismo, alguns argumentam que saíram ilesos das “brincadeiras” do passado, que incluíam apelidos depreciativos e piadas racistas ou preconceituosas. Embora, particularmente, eu tenha conseguido sair desse “corredor polonês” que são o bullying e as chacotas, não foi fácil, pois é preciso ter muita autoestima e uma base familiar e educacional forte que permita a pessoa olhar sempre por cima, além de muita perspicácia para saber argumentar ou simplesmente ignorar, calar-se, porque os detratores muitas vezes querem apenas uma reação para impingir apelidos ou marcar com o ferrão da estigmatização. Os detratores sempre querem confundir as pessoas, notadamente as mais fracas, pois eles fazem...

TV e realidade

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Jessé Souza Pouco tempo tenho para assistir TV. Mas, na semana passada, enquanto lanchava em um final da tarde, vi algumas cenas da novela Malhação, da Globo, que me levaram a uma reflexão sobre o que está acontecendo com o Brasil a partir do que vem pregando a mídia televisiva, cada vez mais apelativa em todos os sentidos. Na primeira cena, três personagem que faziam o papel de adolescentes trocavam de roupa como se fosse algo tão natural, a ponto de eu me senti um retrógrado, pois lembro que, até a minha adolescência, na década de 80, era difícil ver uma mulher com roupas íntimas, a não ser na revista Hermes, aquela de se fazer pedido pelos Correios. Hoje se vê às 18h na TV. Na cena seguinte, apareciam alunos em completo desrespeito ao professor em sala de aula: um estudante tocando violão, sentado sobre a mesa, uma aluna rebolando, como se estivesse na pista da balada, e os demais fazendo batuque ou observando a cena, enquanto o mestre (negro, não por acaso) entrava n...

Bike e trânsito

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Jessé Souza* As mortes que ocorreram em ciclovias recém-implatadas na cidade de São Paulo, no mês passado, servem de alerta para Boa Vista, que está em vias de implantar ciclovias e ciclofaixas, conforme projeto que chega à casa dos R$60 milhões. Se não houver não apenas planejamento, mas principalmente um ordenamento completo no trânsito, isso poderá custar a vida de pedestres ou mesmo ciclistas. O fato é que, historicamente, as bicicletas vêm competindo com veículos automotores, obviamente representando a parte mais fraca no trânsito. Muitos ciclistas, sem noção alguma de trânsito, se aventuram pelas apertadas ou largas ruas e avenidas de Boa Vista, principalmente na vias arteriais que ligam os bairros ao Centro e vice-versa. As ciclovias chegarão para ordenar esse caos. Porém, como ocorre em outras cidades, muitos condutores de veículos automotores acabam não querendo respeitar as sinalizações, achando que lugar de bicicleta é na calçada junto com pedestres ou que nem dev...

Além da casa

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Jessé Souza* Os programas habitacionais do governo deveriam ter uma dimensão maior para poder beneficiar, de fato, quem necessita das casas, pois geralmente estas pessoas não conseguem se habilitar nos financiamentos por problemas na documentação ou por estarem negativadas nos órgãos de defesa do consumidor. Sendo assim, seria necessário que os programas habitacionais viessem precedidos de atendimento a estas pessoas desde a inscrição, para que pudessem ser orientadas sobre documentação e reabilitação de crédito. Como isto não ocorre, aqueles mais necessitados ficam impedidos de conseguirem a casa própria. Depois que as pessoas fossem beneficiadas com as unidades habitacionais, os programas sociais deveriam prosseguir junto a estes conjuntos habitacionais para que a dignidade de ter uma moradia seja ampliada com acompanhamento à infância, a pessoas desempregadas, violência doméstica e famílias desestruturadas. Como inexiste isso, muitos não vão muito longe e são assediad...

Do povo?!

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Jessé Souza* Qualquer decisão que o Supremo Tribunal Federal (STF) tomasse com relação à homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em 2009, um dos lados iria sair perdendo algo. Não haveria uma decisão “justa”, porque decisões judiciais nem sempre são justas, assim como nem todas as leis são justas. A mais alta Corte do país decidiu favorável aos índios, pondo fim a uma disputa judicial longa, batalha esta que, antes de chegar à esfera judicial, durante 30 anos provocou intensos conflitos entre índios e fazendeiros, índios e arrozeiros, índios e garimpeiros, índios contra índios. Não havia como equacionar essa disputa sem que alguém saísse perdendo algo, já que ninguém estava disposto a ceder. Porém, como todas as forças políticas, judiciais e governamentais foram mobilizadas contra a demarcação, houve uma estigmatização do índio, colocando-o como “o” bandido, imagem esta que é usada para culpar as populações indígenas por tudo de ruim que acontece em Roraima e para...