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Antigos monstros

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Jessé Souza* Seria perfeitamente aceitável uma pessoa qualquer, na década de 80, no período pós 2ª Guerra Mundial e no auge da Guerra Fria, subir em cima da mesa e bradar com todas as forças de seus pulmões contra o comunismo, o socialismo e coisas afins. Afinal, o mundo naquele momento fazia todo o sentido. O comunismo morreu com a queda do Muro de Berlim (no que pese a existência de uns resquícios na China, Cuba e Coreia do Norte, este o mais radical de todos), a viagem do homem à lua não é mais um assombro, a Guerra Fria foi derrotada por acordos comerciais e a internet, que servia para ações secretas, hoje está no celular de qualquer curumin. Porém, algumas cabeças ainda não conseguiram assimilar o turbilhão de transformações que foram processadas depois da década de 70, com a efervescência dos anos 80 e a velocidade dos anos 90 até chegar à aldeia global dos anos 2000. Essas pessoas falam de comunismo como se estivessem no auge da Guerra Fria, quando a ideologia c...

Caixotes de cimento

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Jessé Souza* Alunos e professores da Escola Estadual Carlos Drummond de Andrade, no bairro Pricumã, na zona Oeste, bem que tentaram salvar o igarapé Pricumã, por meio de campanhas educativas envolvendo alunos da comunidade, mas não conseguiram. Porém, a Prefeitura de Boa Vista, sob a alegação de que iria preservá-lo, tacou-lhe cimento em seu leito, ou seja, fez a canalização sob a alegação de que isso iria preservar o manancial. Hoje, o igarapé Pricumã virou um imenso canal de cimento, sem vida, sem mata ciliar e, se não houver a tubulação, irá virar esgoto a céu aberto. O mesmofoi feito com o igarapé Mirandinha. Sem interesse em investir para recuperar o que estava degradado, as autoridades municipais enterraram o manancial, o sepultando em túmulos de cimento, que nada mais é do que a maldita canalização. Outros igarapés morreram por falta de interesse das autoridades e órgãos ambientais em preservá-los, a exemplo do Caxangá, Grande, Tiririca e Mecejana. A desculpa sã...

Clima e desleixos

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Jessé Souza* As mudanças climáticas que atingem Roraima são fortes sinais de que as autoridades não podem mais trabalhar com a mesmice e acomodação de climas bem definidos, como se fazia em um passado não muito distante, quando havia um período de chuvas abundantes e outro de estiagem. O Estado está atrasado quase duas décadas, depois que ocorreu o grande incêndio em 1998, quando os olhos da imprensa mundial se voltaram para Roraima. De lá para cá, algo mudou em termos de estrutura e tecnologia para enfrentar incêndios e prevenir queimadas descontroladas. Porém, continuamos a patinar a cada seca mais forte, com as populações de municípios sofrendo com o desabastecimento de água potável e os riscos de incêndios de grandes proporções, além da agricultura e rebanhos sofrendo com a seca de pastos e açudes. Quando chove, embora não seja mais aquele inverno do passado, pontes, bueiros e estradas se rompem em evidente sinal de falta de planejamento por parte dos governos. Mesmo q...

Vendem-se bênçãos

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Jessé Souza* É difícil ficar acreditando em um país no qual a briga de um casal de artistas vira notícia séria no maior programa dominical da TV. Enquanto a crise de um casal famoso é tratada com destaque, a verdadeira crise brasileira fica longe das discussões sérias, a não ser quando o fato serve para beneficiar as elites do país que sempre quiseram tomar o poder pelo golpe. Mas, pensando bem, a mesma matéria que tratou da fofoca do casal em crise Chimbinha e Joelma trouxe um pouco de luz sobre outro fato sério que vem ocorrendo no Brasil, se aproveitando de todas as demais crises brasileiras: a crise da moral, a crise financeira, a crise da educação e a crise na saúde pública. Esse fato trata-se da religião como comércio e as igrejas como uma empresa como qualquer outra, a qual traz a fé como mercadoria principal. No caso da dupla da banda paraense, Chimbinha relatou na entrevista que sua ex-esposa estava sendo influenciada por uma “guru espiritual”. Na verdade, essa “g...

Demônio e tecnologia

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Jessé Souza* Não sei qual a pretensão das pessoas em querer enxergar somente o lado negativo sobre o avanço das tecnologias e de suas extraordinárias expansões por toda nossa vida, incluída aí a internet com suas redes sociais. Não consigo enxergar o demônio em querer dar um objeto tecnológico como presente para uma criança, como o repórter insistiu em dizer na entrevista televisa logo pela manhã. É verdade que minha imaginação trabalhou muito com meus carrinhos feitos de lata de leite Ninho puxado a corda ou da cortante lata de sardinha usada, que virava uma extraordinária caçamba para asfaltar as estradas imaginárias construídas no fundo do quintal. E o perigo era cortar o dedo e pegar o tétano que nossas mães alertavam como se fosse algo apocalíptico. Mas por que a criança não pode exercer a mesma magia e imaginação com o Minecraft? Parêntese: eu sei que eles já estão em outra, mas deixa-me falar desse game assim mesmo. Por que o Google não pode ajudar na pesquisa escol...

Política com chocolate

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Jessé Souza* O caso da faxineira acusada de furtar um chocolate da mesa de um delegado da Polícia Federal ganhou contornos amplos, nas redes sociais, por um simples fato: a corrupção generalizada no Brasil com sua impunidade com os grandes faz parecer “inocente” qualquer erro de um cidadão comum. Não estamos acostumados a ver punidos os grandes, os engravatados, os políticos, os governantes. Não podemos nos esquecer que, em Roraima, temos um ex-governador cassado duas vezes, pela Justiça Eleitoral, mas que conseguiu não apenas terminar seu mandato, como também saiu ileso, sequer com uma acusação de corrupção eleitoral. Temos ainda o grande escândalo dos “gafanhotos” cujos principais acusados fazem parte da elite política roraimense, mas todos conseguindo se livrar aqui e acolá das acusações, inclusive os condenados alcançando liminares para que suas vidas políticas sigam como se nada tivesse acontecido. Essa sensação explícita de impunidade faz com que as pessoas achem q...

Carona na 924

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Jessé Souza * A matéria divulgada pelo Fantástico, da Globo, neste domingo, obviamente não representa a realidade de toda Polícia Militar brasileira. Porém, ela não faz revelações tão somente de como agem os maus policiais no país do Petrolão, mas também de como a honestidade passou a ser tratada por aqueles que optam pelo caminho da bandidagem. Todos os atos criminosos praticados pelos doze policiais do Rio Grande do Norte, no exercício de suas funções, usando a viatura 924 em plantões diferentes, indignaram a opinião pública. Embora os comportamentos dos agentes do Estado sejam deploráveis em todos os sentidos, um fato chamou atenção: a fala de um deles zombando da atitude de um colega policial honesto. O policial corrupto, em tom de deboche, critica o colega de farda que afirmou que a honestidade era seu maior patrimônio. E fez questão de frisar que o seu colega, o honesto, andava em um carro “modelo antigo”, enquanto ele, o corrupto, havia comprado uma picape que custou ...