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O peão, xadrez e realidade

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Jessé Souza* Meu filho mais velho tinha um trabalho para fazer em casa: desenhar uma obra de arte em uma tela que retratasse o xadrez - sim, o jogo, não a cadeia para onde estão indo políticos corruptos. Ele comentou que estava sem ideia para pintar a tela. Disse que alguns colegas estavam pintando suas obras com as cores da bandeira da França, obviamente uma solidariedade aos ataques terroristas contra os cidadãos daquele país. Imediatamente me deu aquele estalo mental. E o orientei a fazer diferente, algo com as cores do Brasil, usando a peça do peão simbolizando exatamente o que ele representa nas duas realidades, no tabuleiro do xadrez e na vida do brasileiro, que tem de batalhar diariamente sendo exatamente isso, um peão que é enviado para a linha de frente a fim de manter “rei” e “rainha”. Porém, minha finalidade não é falar da arte do meu filho. Nem dele. E sim da forte influência que a mídia tem na vida das pessoas. Na porta da escola, na manhã de ontem, vi exatam...

Chegou a hora

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Jessé Souza* O momento é crucial para os brasileiros perceberam a grande encruzilhada em que nos metemos. Embora muitos estejam ofuscados pelo “efeito binóculo”, que faz enxergar o que está acontecendo longe daqui, como os atentados terroristas na França, sem perceber a realidade local, é necessário fazer uma reflexão sobre o que está acontecendo no Brasil, obviamente com reflexos para Roraima. Embora não existam riscos de um atentado terroristas por aqui, outras tragédias precisam servir de alerta sobre o futuro que queremos para o nosso país. Os dois principais fatos são: a lama tóxica que varreu uma cidade mineira do mapa e arrasa rios por onde passa; e a lama fétida da corrupção na política, que vem sendo desvendada por meio da Operação Lava Jato. No primeiro caso, a tragédia ambiental precisa ser pensada na ótica do desenvolvimento a qualquer custo versus preservação ambiental. Afinal, a defesa do meio ambiente vinha sendo colocada como “terrorismo contra o desenvol...

Fotografia 3x4

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Jessé Souza* Parece difícil de compreender o que se passa no Estado de Roraima. Porém, é difícil apenas para aqueles que acabaram de chegar ou que estão de passagem. Pois quem mora aqui conhece muito bem como esta terra foi tratada desde os tempos de Território Federal, quando os políticos se eximiram de assumir as responsabilidades de encarar os problemas que vinham surgindo. Tudo o que existe de obras grandiosas e que resistem ao tempo foi feito em um passado já um pouco distante. A Penitenciária Agrícola de Monte Cristo e a Cadeia Pública de Boa Vista, por exemplo, foram erguidas quando a maioria de nós, que nascemos na década de 70, ainda era criança ou chegando à adolescência. De lá para cá, não houve mais investimentos no sistema prisional na mesma medida em que o Estado foi crescendo. Então, é óbvio que os presídios definharam, superlotaram e se tornaram um grande problema a ser resolvido. Como ninguém encarou o problema, as coisas vão sendo feitas no remendo. E a cons...

Ações do bicho-homem

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Jessé Souza* A cada passeio que faço nas águas do Rio Branco, aumenta a preocupação com as ações irresponsáveis do “bicho-homem” com relação a preservar nosso principal manancial de água potável. Em certos trechos da imensa praia que se forma entre a Orla Taumanan e a Ponte dos Macuxi, é possível notar, além da grande quantidade do lixo, pontos escuros na areia que indicam acúmulo de poluição, seja por esgoto ou óleo de embarcações. Na margem habitada, o acúmulo de lixo não se restringe a embalagens, garrafas ou plásticos, como se vê nas praias. Lá também estão carcaças de ventilador e geladeira lançados pela irresponsabilidade humana, uma vez que, apesar de alguns problemas, nós temos um serviço de limpeza que funciona dentro da normalidade. Não é extraordinário, mas também não é precário. A conclusão que se pode ter disso é que não se trata apenas da necessidade de ter um serviço planejado para recolher o lixo que flutua na água ou que está acumulado nas praias, margens...

Os supercríticos

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Jessé Souza* Ganhou força, na internet, um comportamento que empurra as pessoas a não entrarem em polêmicas ou a não fazerem críticas por posicionamentos de outras pessoas. É como se cada pessoa tivesse que aceitar um mundo isolado, como se fosse uma bolha social. O “deboísmo” acabou por reforçar essa “nova tendência”. Lembremos que, não faz muito tempo, criticar era considerado crime, quando o Brasil vivia na ditadura. Uma insinuação qualquer era determinante para os sensores do regime militar mandarem empastelar jornal, fechar emissora de rádio ou TV, impedir execução de músicas, prender e torturar pessoas. Depois de um período de luta e conquistas, os brasileiros recuperaram a democracia e compreenderam que a crítica é um instrumento essencial para fazer a sociedade se desenvolver, uma vez que é por meio da crítica que as polêmicas eclodem; e a polêmica é que faz com que novas ideias e propostas surjam. O confronto de ideias é essencial para renovar a democracia ...

Além do surto

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Jessé Souza* O que a Prefeitura de Boa Vista vem fazendo nos últimos meses, em um surto de realizações, é o exemplo de que, quando os políticos querem trabalhar, podem resolver os problemas mais urgentes da população. Mas, como sabemos, as eleições municipais se aproximam, por isso, neste sentido, é necessário mostrar trabalho para conquistar o eleitor. O trânsito é um desafio constante e a instalação de meia dúzia de semáforos torna-se apenas uma pequena ação para o que realmente é necessário pensar em planejamento futuro. Mais necessário que resolver antigos problemas, como a questão da sinalização, apontar soluções para o caos que se desenha é essencial. Sinalizar, tapar buracos, fiscalizar, multar e orientar são apenas parte do processo. Precisamos de visão de futuro para melhorar o transporte urbano, melhor a engenharia de trânsito, realizar obras que garantam que os carros não tenham mais prioridades que o ser humano ou do que uma bicicleta. É necessário pensar em ro...

Fim da linha

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 Jessé Souza* Toda essa mobilização de políticos e autoridades para tentar a liberação das obras do linhão de Tucuruí, única solução para o grave problema energético de Roraima, ocorre com décadas de atraso. Porém, diz o ditado popular, antes tarde do que nunca. Mar por que tanta demora? Essa resposta eu venho apresentando há quase duas décadas, quando comecei a escrever neste espaço. Empenhados em seus interesses particulares e de grupos, os políticos não fizeram questão de se apressar para resolver a questão, uma vez que eles sabiam que podiam engabelar o povo a cada pleito eleitoral. E, assim, a cada eleição, os políticos conquistavam votos aplicando os mais diversos golpes: distribuição de terrenos, doações de buchada, cesta básica e dentaduras, festas regadas a cachaça no interior, apadrinhamento de festas de formatura, gafanhotagem, pagamento de contas atrasadas, bilhetes de passagem aérea ou de ônibus... e assim por diante. A população, tratada e já vici...