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Da janela do carro

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Jessé Souza* Além das imprudências e imperícias de condutores que vejo todos os dias nas ruas e avenidas de Boa Vista, outro fato que chama muita a atenção é a naturalidade com que as pessoas lançam, em via pública, o lixo pela janela do carro ou da garupa da moto. Pela minha criação de respeito ao meio ambiente, não consigo conceber o que pensa um cidadão ou cidadã que age assim. Minha hipótese é que muitos concebam o espaço público como “lugar de ninguém”, onde se pode fazer isso porque tem o poder público para limpar, consertar e repor. E isso aliado à falta de educação não apenas ambiental, mas de convivência mesmo, de cidadania, de família. Porque uma família que preza pela educação sabe respeitar qualquer espaço, principalmente o público. Quem recebeu educação ambiental sabe que a natureza tem a “lei do retorno”, ou seja, ela devolve o mal ou bem que fizermos a ela. Em outras palavras, se lançarmos o lixo no meio ambiente, ele voltará em forma de alagamentos ou out...

Chocolate Garoto

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 Jessé Souza* Infelizmente, o brasileiro também é culpado pelas ações corruptas de militares venezuelanos durante abordagem a turistas. Não que eu queira livrar a Venezuela de seus graves problemas, mas no quesito corrupção não podemos nos orgulhar. Pelo que tenho observado, o brasileiro exportou alguns maus comportamentos para lá. Vez por outra, ouço brasileiros (incluídos aí os amazonenses) falando que levam chocolate Garoto para “presentear” algum militar da Guarda Venezuelana durante o trajeto, pela estrada, até as ilhas caribenhas daquele país. Ou que não hesitam em oferecer alguma grana no bom estilo do “jeitinho brasileiro”. O fato é que muitos brasileiros levaram, para as estradas venezuelanas, a malandragem que é usual por aqui. Não providenciam as documentações necessárias, não regularizam seus veículos e não querem se submeter a revistas, espera e filas. Resultado: optam pela propina para que passem pelas alcabalas sem ser incomodados. No quesito filas, ...

Um passo adiante

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Jessé Souza* O que venho comentando aqui, há quase 18 anos, surge pela primeira vez em uma pesquisa Datafolha, publicada na Folha de S. Paulo: “No ranking de problemas do país, a corrupção é a campeã isolada”. Conforme a pesquisa, realizada nos dias 25 e 26 em todo o país, 34% dos eleitores colocam a corrupção como o principal problema do Brasil na atualidade. Na sequência, aparecem saúde, com 16%, desemprego, com 10%, educação e violência, ambos os temas com 8%, e economia, citado por 5%. É um passo importante este, embora pareça simbólico para muitos. Porém, essa tomada de posição só foi permitida graças às ações da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça diante dos escândalos que surgem quase que semanalmente a partir do propinoduto da Petrobras por meio da Operação Lava Jato. Esse mal endêmico é tão antigo quanto o achamento do Brasil, em 1500, conforme mostram os relatos históricos. Mas nunca foi tão explicitado quanto agora, com as prisões de polí...

O peão, xadrez e realidade

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Jessé Souza* Meu filho mais velho tinha um trabalho para fazer em casa: desenhar uma obra de arte em uma tela que retratasse o xadrez - sim, o jogo, não a cadeia para onde estão indo políticos corruptos. Ele comentou que estava sem ideia para pintar a tela. Disse que alguns colegas estavam pintando suas obras com as cores da bandeira da França, obviamente uma solidariedade aos ataques terroristas contra os cidadãos daquele país. Imediatamente me deu aquele estalo mental. E o orientei a fazer diferente, algo com as cores do Brasil, usando a peça do peão simbolizando exatamente o que ele representa nas duas realidades, no tabuleiro do xadrez e na vida do brasileiro, que tem de batalhar diariamente sendo exatamente isso, um peão que é enviado para a linha de frente a fim de manter “rei” e “rainha”. Porém, minha finalidade não é falar da arte do meu filho. Nem dele. E sim da forte influência que a mídia tem na vida das pessoas. Na porta da escola, na manhã de ontem, vi exatam...

Chegou a hora

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Jessé Souza* O momento é crucial para os brasileiros perceberam a grande encruzilhada em que nos metemos. Embora muitos estejam ofuscados pelo “efeito binóculo”, que faz enxergar o que está acontecendo longe daqui, como os atentados terroristas na França, sem perceber a realidade local, é necessário fazer uma reflexão sobre o que está acontecendo no Brasil, obviamente com reflexos para Roraima. Embora não existam riscos de um atentado terroristas por aqui, outras tragédias precisam servir de alerta sobre o futuro que queremos para o nosso país. Os dois principais fatos são: a lama tóxica que varreu uma cidade mineira do mapa e arrasa rios por onde passa; e a lama fétida da corrupção na política, que vem sendo desvendada por meio da Operação Lava Jato. No primeiro caso, a tragédia ambiental precisa ser pensada na ótica do desenvolvimento a qualquer custo versus preservação ambiental. Afinal, a defesa do meio ambiente vinha sendo colocada como “terrorismo contra o desenvol...

Fotografia 3x4

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Jessé Souza* Parece difícil de compreender o que se passa no Estado de Roraima. Porém, é difícil apenas para aqueles que acabaram de chegar ou que estão de passagem. Pois quem mora aqui conhece muito bem como esta terra foi tratada desde os tempos de Território Federal, quando os políticos se eximiram de assumir as responsabilidades de encarar os problemas que vinham surgindo. Tudo o que existe de obras grandiosas e que resistem ao tempo foi feito em um passado já um pouco distante. A Penitenciária Agrícola de Monte Cristo e a Cadeia Pública de Boa Vista, por exemplo, foram erguidas quando a maioria de nós, que nascemos na década de 70, ainda era criança ou chegando à adolescência. De lá para cá, não houve mais investimentos no sistema prisional na mesma medida em que o Estado foi crescendo. Então, é óbvio que os presídios definharam, superlotaram e se tornaram um grande problema a ser resolvido. Como ninguém encarou o problema, as coisas vão sendo feitas no remendo. E a cons...

Ações do bicho-homem

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Jessé Souza* A cada passeio que faço nas águas do Rio Branco, aumenta a preocupação com as ações irresponsáveis do “bicho-homem” com relação a preservar nosso principal manancial de água potável. Em certos trechos da imensa praia que se forma entre a Orla Taumanan e a Ponte dos Macuxi, é possível notar, além da grande quantidade do lixo, pontos escuros na areia que indicam acúmulo de poluição, seja por esgoto ou óleo de embarcações. Na margem habitada, o acúmulo de lixo não se restringe a embalagens, garrafas ou plásticos, como se vê nas praias. Lá também estão carcaças de ventilador e geladeira lançados pela irresponsabilidade humana, uma vez que, apesar de alguns problemas, nós temos um serviço de limpeza que funciona dentro da normalidade. Não é extraordinário, mas também não é precário. A conclusão que se pode ter disso é que não se trata apenas da necessidade de ter um serviço planejado para recolher o lixo que flutua na água ou que está acumulado nas praias, margens...