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Perigo a ser evitado

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Jessé Souza* No intenso verão que assolou todo o Estado, no ano passado, tive a oportunidade de ir a um trecho de praia no Rio Branco, perto da Serra Grande, a poucos quilômetros de Boa Vista. Para chegar lá tivemos que atravessar quase meia hora em uma picada na mata. Depois de vencer a vegetação seca, por entre muitos espinhos e galhos caídos, área muito castigada pela estiagem, chegamos a um dos “braços” do rio que, em tempos de chuva, fica completamente cheio, compondo a grandiosidade de nosso principal rio de água doce. Mas, o que me impressionou mesmo foram os imensos bancos de areia que ficaram visíveis por causa da seca. Eram muito altos, alguns com mais de dois metros, como se fossem grandes ondulações na extensa praia que se formou. Quando estão encobertos pelas águas, se tornam verdadeiros “abismos”. Essa imagem que presenciei me deu a exata noção dos perigos que as pessoas menos desavisadas correm mesmo tomando banho perto da margem, na beira do rio, co...

Sem mágicos e heróis

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Jessé Souza* O ano de 2015 está chegando ao fim com uma constatação preocupante: da mesma forma que não somos competentes para limpar o quintal de nossa casa, também não somos para fazer uma faxina na política. Explico melhor: o ressurgimento de doenças típicas de países pobres, como a dengue e seus primos, febre amarela urbana, zika e chikungunya, são resultado da sujeira do quintal de nossas casas, assim como a política é resultado de nosso voto. O mosquito Aedes aegypti  se procria na sujeira que lançamos na rua e na nossa casa. A corrupção na política também se procria na sujeira que enviamos para Brasília e para os parlamentos dos municípios e dos estados. Ou seja, padecemos dos grandes males de países miseráveis, os quais penam com a sujeira em todos os níveis, principalmente na política. Não podemos mais continuar jogando a culpa toda no poder público sabendo que o mosquito da dengue, febre amarela urbana, zika e chikungunya e o mosquito da corrupção sobrevive...

Nas barbas de Deus

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Jessé Souza* É preciso que os estudiosos encontrem uma nova denominação para as igrejas que estão transformando fé em espetáculo para arrecadação de dinheiro. Não se pode mais chamá-las de neopentecostais pelo simples fato de colocar, no mesmo saco, os pentecostais que defendem a fé pela força do Espírito Santo. Os verdadeiros neopentecostais costumam, por meio de sua experiência com a fé, “falar em línguas” não entendidas por nós, pecadores, de outras religiões ou mesmo os sem-igrejas. As novas igrejas que estão surgindo também falam em línguas, mas estas são bem entendidas muito bem por todos, a do dinheiro. Os pastores emergentes são profissionais em tornar a fé em um espetáculo usando a palavra de Deus, explorando as necessidades e vícios das pessoas. Da dificuldade financeira aos problemas com droga ou de saúde não remediados nos hospitais, as igrejas “neoteatrais” prometem cura para tudo, até para o impossível – se é que exista impossível quando se trata de fé. Pr...

Legado de 2015

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Jessé Souza* A Operação Lava Jato tem servido para mostrar como a corrupção, no Brasil, se entrelaça com outros tipos de crimes e envolve o centro do poder. Embora esse escândalo tenha escancarado as artimanhas dos políticos sem escrúpulo, nada disso chega a ser novidade.  A política partidária vem se lambuzando com dinheiro sujo há muito tempo em forma de compra de apoio, de partido e de lideranças. Não é sem sentido que os operadores do esquema estão sempre no topo, em Brasília, alguns deles se mantendo no governo, apesar da troca de presidentes e de partido. Seja o que acontecer daqui para frente, o ano de 2015 ficará gravado na memória do brasileiro como o que possibilitou a Nação perceber como as entranhas do poder se movimentam, por meios de seus atos corruptos, para garantir recursos aos seus esquemas e para lavar o dinheiro sujo que advém disso tudo. E isso não é muito diferente do que ocorre nos municípios e nos estados Brasil afora. Essa forma de se loc...

A sobrevivência

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Jessé Souza* Há quase um ano, lembro de pessoas teorizando que o Estado de Roraima não suportaria a inauguração de dois shoppings. As previsões apocalípticas eram de que ao menos um desses Malls sucumbiria à crise ou ao fato de o Estado não ter consumidores suficientes para manter aberta a porta dos dois empreendimentos desse porte. Havia também os defensores do argumento de que o nosso Estado abrigava um grande número de pessoas inadimplentes ou endividadas, o que significaria que essa realidade provocaria sérios reflexos negativos ao movimento dos shoppings recém-criados àquela época. Pois bem. Um ano se passou e os dois empreendimentos estão aí, inteiros. É verdade que o momento econômico é desfavorável, não só em Roraima, mas em todo o Brasil. Porém, os shoppings atravessaram todas as adversidades e mostram-se firmes, com o comércio apostando em melhorias e com os dois empreendimentos disputando a clientela, que tem correspondido, apesar da crise nacional. Nesse ...

Cor da ideologia

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Jessé Souza* Okay, já é de domínio público que a cúpula do PT mostrou-se corrupta quanto às demais siglas que existem aos montes por aí. Também é fato que o governo de Dilma Rousseff (PT) perdeu o controle do país desde que mentiu nas eleições passadas. Mas acreditar que o PMDB não tem nenhuma culpa no cartório, aí já é tripudiar com a inteligência das pessoas. Historicamente, o PMDB foi um governo paralelo dentro do governo. Nesta atual administração de Dilma, foi o PMDB quem fechou um governo de coalizão, inclusive tendo nas mãos vários ministérios. Foi o PMDB que esteve na liderança do Senado por vários governos seguidos. Sempre foi a tapas internamente para ficar no bem-bom do poder. Fazendo uma leitura histórica dessa sigla partidária, ela pode ser considerada a “garota da luz vermelha” do poder, governando algumas vezes nas sombras e outras vezes às claras, fazendo pressões, mordendo nacos, praticando fisiologismo ou até mesmo participando dos esquemas, como vem reve...

Vassalagem & butim

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Jessé Souza* Fosse eu o responsável por nominar a operação da Polícia Federal sobre irregularidades fundiárias, em Roraima, a batizaria de Operação Butim, que significa produto de roubo ou de pilhagem. Pois foi o que fizeram com as terras do Estado: um butim, uma pilhagem, um roubo arquitetado por aqueles que deveriam zelar pelo patrimônio público. Sabemos que o senhor vassalo doou terra a muitos nobres, inclusive membros da Justiça. Mas “doar” não é o verbo correto, pois essa vassalagem foi feita com o bem público, ou seja, com o patrimônio nosso, do Estado, da sociedade, do povo. Foi um butim mesmo. Não vou cansar de repetir, até ficar bem velinho: enquanto esses maus políticos enganavam o povo com discurso de paranoia da internacionalização, questão indígena e invasões de ETs na Amazônia, eles estavam saqueando o Estado e grilando as terras. Como estão fazendo uma faxina em Brasília, por meio da Operação Lava Jato, é bom que passem um rodo por aqui também, para de...