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Que horas mesmo?

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Jessé Souza* Se “Central do Brasil” não foi premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro, em 1999, “O que hora ela vem?” estava mesmo longe de conseguir esse feito. Para resumir, é um filme chato, que não remete a qualquer emoção que leve o espectador àquele suspiro ou surpresa que faça acreditar em uma premiação internacional.  Sim, não há surpresa porque se trata de um filme tipicamente brasileiro, que expõe uma realidade nua e crua tipicamente brasileira: a vida de uma empregada doméstica que mora no emprego. Talvez por isso tenha chamado a atenção no exterior, porque mostra exatamente um Brasil desconhecido lá fora. Porém, o filme é bom para quem gosta de fazer reflexão sobre o Brasil, por isso é muito chato, com nota 10 para a atuação da brasileiríssima Regina Casé como a pernambucana Val, que foi para São Paulo tentar a vida, como empregada doméstica morando no emprego, assim como centenas ou milhares de brasileiras consideradas como uma “quase integrante d...

Do lixo ao Japão

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Jessé Souza* Ao recolher as toneladas de lixo das águas do Rio Branco, nosso principal manancial de água potável, que corta o Estado de Norte a Sul, a Companhia de Água e Esgoto de Roraima (Caer) tem feito um trabalho que, no popular, chama-se “enxugar gelo”. Afinal, está comprovado que o cidadão não quer ser conscientizado na questão do lixo que ele produz. Então, a única saída é investir pesado na conscientização das crianças, uma vez que será difícil a maioria dos adultos mudar de atitude. Se os pais estão falhando na educação dos filhos, torna-se necessário o poder público assumir esse papel de conscientizador, por meio de programas direcionados ao público infantil, e mesmo de educador, por meio da escola, embora não seja esse o papel da escola, que é transmitir conhecimento. Não há outra forma de encarar o problema senão pela escola. No Japão, por exemplo, as crianças são obrigadas desde cedo a cuidar do lixo na escola, varrendo a sala de aula e lavando copos, prato...

Volta à senzala

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Jessé Souza* Nos últimos dias, têm circulado na internet uma postagem que tenta desconstruir todos os discursos do feminismo, enaltecendo justamente o inverso: que bom mesmo é a mulher na academia, que gordura representa um fardo e uma doença, que as feias não deveriam ser incentivadas a se sentirem bonitas e outras situações. Afirmando que “feminismo é uma doença”, a postagem tenta confundir as pessoas e fazer crê-las que quem defende direitos e igualdade de gênero está errado ou que se trata de uma anomalia a ser extirpada. Há uma grande finalidade em discursos desse tipo: fazer com que os desavisados e ainda em formação de seu caráter passem a considerar que errado é buscar igualdade, direitos, conscientização e lutar contra tudo o que oprime o cidadão. Neste sentido, busca-se facetear as diferenças, que tudo seria questão de “meritocracia”, que contestar os erros do capitalismo é ser “comunista” (não na concepção da palavra, mas algo parecido com ser criminoso, como era n...

Milícias e a internet

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Jessé Souza * Há duas formas principais de agir, adotadas pelos “donos de Roraima”, para impor medo, autocensura e cerceamento a quem se mete a ter opinião própria, principalmente nesses tempos de internet com suas redes sociais. A finalidade é não permitir qualquer crítica ou denúncia, criando um escudo por meio da imposição do medo. Uma dessas formas é a contratação de milícias de internet para atacar ferozmente (como se fossem cães raivosos não vacinados contra antirrábica) os que criticam em redes sociais e WhatsApp. Amestrados geralmente com dinheiro público ou grana não declarada, os milicianos não têm pudor nem limite para agir contra quem critica seus “donos”. Essas milícias agem principalmente em períodos eleitorais, mas não medem esforços para mostrar serviço a qualquer momento, como se fossem programadas para fazer tudo o que mestre mandar antes mesmo de receberem qualquer ordem. Outra forma de minar críticas é o uso da Justiça por meio de ações judiciai...

Flores em nossas vidas

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Jessé Souza* Os moradores do bairro Cidade Satélite, do setor que fica à direita da RR-205, que dá acesso ao Município de Alto Alegre, ficaram animados quando a Prefeitura de Boa Vista começou uma obra no canteiro central da Avenida do Sol, no ano passado, uma das principais que dá acesso ao Residencial Vila Jardim, obra recém-inaugurada. Na medida em que as obras de aterro do meio-fio foram avançando, os moradores achavam que dali surgiria um imenso calçadão, que se tornaria uma excelente opção para caminhadas ou cooper. Afinal, estamos em uma das cidades onde mais se pratica exercícios físicos. Porém, foi só uma ilusão. A Prefeitura logo lançou terra adubada e plantou grama e flores. Ficou muito bonito e florido, diga-se de passagem. Mas, neste caso, a população estava esperando mesmo era cimento no amplo meio-fio para que aquela avenida se tornasse um amplo espaço que serviria para a prática de exercícios. Repito e friso: o boa-vistense não é contra as flores, a...

Perigo a ser evitado

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Jessé Souza* No intenso verão que assolou todo o Estado, no ano passado, tive a oportunidade de ir a um trecho de praia no Rio Branco, perto da Serra Grande, a poucos quilômetros de Boa Vista. Para chegar lá tivemos que atravessar quase meia hora em uma picada na mata. Depois de vencer a vegetação seca, por entre muitos espinhos e galhos caídos, área muito castigada pela estiagem, chegamos a um dos “braços” do rio que, em tempos de chuva, fica completamente cheio, compondo a grandiosidade de nosso principal rio de água doce. Mas, o que me impressionou mesmo foram os imensos bancos de areia que ficaram visíveis por causa da seca. Eram muito altos, alguns com mais de dois metros, como se fossem grandes ondulações na extensa praia que se formou. Quando estão encobertos pelas águas, se tornam verdadeiros “abismos”. Essa imagem que presenciei me deu a exata noção dos perigos que as pessoas menos desavisadas correm mesmo tomando banho perto da margem, na beira do rio, co...

Sem mágicos e heróis

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Jessé Souza* O ano de 2015 está chegando ao fim com uma constatação preocupante: da mesma forma que não somos competentes para limpar o quintal de nossa casa, também não somos para fazer uma faxina na política. Explico melhor: o ressurgimento de doenças típicas de países pobres, como a dengue e seus primos, febre amarela urbana, zika e chikungunya, são resultado da sujeira do quintal de nossas casas, assim como a política é resultado de nosso voto. O mosquito Aedes aegypti  se procria na sujeira que lançamos na rua e na nossa casa. A corrupção na política também se procria na sujeira que enviamos para Brasília e para os parlamentos dos municípios e dos estados. Ou seja, padecemos dos grandes males de países miseráveis, os quais penam com a sujeira em todos os níveis, principalmente na política. Não podemos mais continuar jogando a culpa toda no poder público sabendo que o mosquito da dengue, febre amarela urbana, zika e chikungunya e o mosquito da corrupção sobrevive...