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Tambor de lixo e o Brasil

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Jessé Souza* Tornaram-se públicos certas atitudes e comportamentos depois que a tecnologia nos colocou à disposição a possibilidade de assistir vídeos a qualquer momento nas redes sociais ou repassados pelo celular. Da desgraça humana à bondade que ainda resiste no mundo, a Era do compartilhamento nos fez ver de tudo. Sempre há uma surpresa nos esperando na próxima cena. A mais recente foi a de um vídeo postado que mostra um senhor, em um imponente e reluzente carrão prateado, furtando um tambor de lixo em frente a um estabelecimento, a certa hora da noite. Conforme as imagens, o senhor estaciona o carro, fica diante da lixeira por alguns segundos, olha para um lado para o outro e coloca o tambor na caçamba de sua picape. E some diante dos olhos incrédulos das pessoas que acham que somente um “pé-rapado” ou um “noiado” poderia furtar um tambor de lixo para vender, a fim de conseguir uma grana qualquer, ou por não ter dinheiro para comprar um. E assim vamos construindo e...

Resquício do picuá

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Jessé Souza*   Na década de 80, Boa Vista parecia um filme de faroeste caboclo, muito mais realista do que o cantado pela banda Legião Urbana, que acabou virando filme. Tempo do El Dorado, o comércio boa-vistense era obrigado a ter uma balança de precisão para receber o pagamento das mercadorias em ouro. Os preços eram estratosféricos porque a moeda que tinha valor era apenas o ouro. Ostentação era ter uma garrafinha de plástico pendurada na cintura cheia de pó de ouro. Essa garrafinha era chamada de picuá. Quem chegava com um picuá na cintura era reverenciado. E quem não tinha uma balança de precisão perdia o cliente. Obviamente que, enquanto o comércio faturava alto, dando-se ao luxo de dispensar um cliente com dinheiro na mão (a não ser que fosse dinheiro em mochila de um garimpeiro), a periferia ficava com o ônus da carestia e da violência que fatalmente chega com o garimpo predatório. Havia garimpeiro que pedia para tomar cerveja na calçada do bar para que ele pudesse...

Largados na casa nova

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Jessé Souza* O que está acontecendo no Residencial Vila Jardim, no bairro Cidade Satélite, para onde se mudaram quase três mil famílias, nada mais é do que eu comentei aqui, no ano passado: o governo entrega as unidades habitacionais e depois larga as pessoas sem acompanhamento social e assistência em todos os sentidos.  Por ser o maior conjunto habitacional do Estado, obviamente os problemas por lá são maiores. Porém, esta situação se repete em todos os demais conjuntos entregues à população, a qual fica à mercê da insegurança, da mínima organização em relação a condomínio e assistência por parte do poder público. Por fora, visivelmente parece que tudo está bem bonito e arrumado. Mas, por dentro, estão os graves problemas, a começar pela nova vida a que estas pessoas terão que se adaptar, ao serem obrigadas a adotar regras de convivência e a regulação por meio de condomínio. Como nada disso foi planejado, com determinação política para conscientizar, orientar e ...

Bandidos on-line

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Jessé Souza* Nenhuma novidade no sistema prisional. Os presos continuam cavando túneis e usando as redes sociais para ostentar e tripudiar com as autoridades. A diferença é que eles têm uma internet mais potente do que nós, reles cidadãos, largados às conexões fuleiras oferecidas pelas operadoras nos bairros de Boa Vista e no interior. Não é difícil pôr ordem neste pardieiro, ou melhor, nessa colônia de férias para bandidos. Difícil é o governo ter competência e vontade política para mudar essa realidade. Mas não vai mudar, porque esse problema crônico é inerente aos políticos e administradores públicos acostumados somente a muito dinheiro. Com a crise, então já se sabe que tudo continuará na mesma. Ficar na mesma significa que a ciranda do crime seguirá: presos fazendo o que bem entendem no sistema prisional, fugindo para cometer crimes aqui fora e voltando para os braços das organizadas facções dentro dos presídios. E o governo fingindo que está fazendo alguma coisa,...

Tetas, penduricalhos e choros

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Jessé Souza* Os novos tempos exigem mudança de comportamento dos administradores públicos que sempre viveram de remendar pano velho com pedaços de pano novo. Com a crise política e econômica que se abate sobre o Brasil, não dá mais para os políticos agirem com antigas práticas, achando que vão surfar nos banzeiros da vida boa de antes. As tetas dos cofres públicos não suportam mais as bocas famintas nem as farras homéricas. Ou as autoridades renunciam às mazelas e à boa vida, ou iremos afundar ainda mais (traduzindo: ou o povo irá pagar muito mais caro por isso). O Brasil está quebrado e o Estado de Roraima não consegue viver de seus próprios recursos – como já sabemos de cor e salteado. Chegamos à encruzilhada e, agora, os governantes são obrigados a enxugar a máquina de verdade, sem as enganações de sempre, quando se demitia de um lado e se contratava de outro, colocando os indicados da política do toma-lá-dá-cá, os apaniguados, os agregados e os parentes. A cris...

Olhando para o futuro

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Jessé Souza* Nossa população ainda não chega a meio milhão de habitantes em todo o Estado. E, além disso, Boa Vista está muito distante de se tornar uma metrópole. Mas isso não significa que não devemos nos preparar para o crescimento ou, ao menos, começarmos a nos planejar para isso, como fazem os grandes estadistas, os quais sempre estão pensando além do seu tempo. Em questão de trânsito, por exemplo, estamos afunilando cada vez mais e de forma muito apressada, enquanto as ações das autoridades caminham a passos lentos. Então, esse é um problema que requer ações rápidas. Instalar meia dúzia de semáforos com dez anos de atraso não significa avanço algum. É fato que a Prefeitura de Boa Vista tem um grande e milionário projeto de mobilidade urbana, mas até agora não se viu o assunto ser discutido com ninguém e as ações não são bem explicitadas para a população, como se o povo não tivesse nenhuma competência para debater e sugerir melhorias. Como não estamos na Europa ...

Assunto para desocupados

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Jessé Souza* A grave questão do Aterro Sanitário de Boa Vista, que há tempos se transformou em um imenso lixão a céu aberto, é tão somente um dos exemplos dos problemas ambientais que nos cerca diante os olhos cegos e ouvidos moucos do poder público em todos os níveis. É mais ou menos assim: os governos esperam os problemas surgirem para somente depois, quando a situação se agrava, começarem a pensar em encontrar uma solução. O aterro vem dando sinais de alerta há muito tempo, mas não houve sequer um vereador preocupado com a questão, pois eles estavam (ou estão) mais interessados em resolver questão de pagamento de diárias, aluguéis de carros, aumento de verba de gabinete e outros assuntos de interesses particulares ou inconfessáveis. Agora estamos com um lixão contaminando o subsolo, lançando lama tóxica no igarapé Wai Grande e expelindo uma fumaça igualmente tóxica no meio ambiente por causa da queima de plásticos e outros materiais. No entanto, o problema não comove ni...