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Mundo do sem-fim

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https://primeirasconquistas.wordpress.com/2014/10/15/sonhos/ Jessé Souza* Acima de tudo, jornalismo é um sonho. E sonhos não têm limites. Mas o jornalismo é cheio de limites, os quais os profissionais só vão conhecê-los quando estiverem no batente, em uma empresa responsável, e que por isso mesmo será combatida pelo poder por várias linhas de frente, principalmente a política partidária e a econômica. Mas o jornalista nunca irá deixar de sonhar que vai poder furar os bloqueios – e algumas vezes ele conseguirá, a muito custo e sacrifício. Não quero ser a gralha do agouro ou da má notícia. Mas a maioria vai levar para o resto de suas vidas apenas isso: sonhos. É por isso que muitos desistem, mudam de profissão, se desiludem ou entram numa depressão que o faz mudar de rota (alguns para melhor). Mas os sonhadores nunca desistirão. O sonhador vai insistir, ainda que busque uma profissão que dê dinheiro e cujas portas não sejam tão estreitas quanto à de uma Redação de um v...

Mutirão para os aflitos

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Jessé Souza* Mais que zika e outras doenças primas-irmãs, o Estado de Roraima precisa de um mutirão para consertar o sistema prisional em todos os sentidos, pois é a partir do caos e da fragilidade deste setor que as vítimas diárias da violência urbana acabam sofrendo as mais duras consequências. Às prefeituras cabe o papel de enfrentar esse problema, enquanto ao Estado e sua máquina o dever com outras grandes questões. Não que o Estado deveria ficar distante do trabalho de combate a doenças, mas ele tem um setor específico que pode se incumbir de somar às ações municipais. Mobilização mesmo é necessária para resolver os graves problemas do sistema prisional, das polícias e de outros setores afins. Afinal, um departamento que funciona muito bem é o de recaptura de foragidos, cuja organização deveria ser copiada para fazer funcionar os demais. A insegurança que a população vem enfrentando é endêmica e requer uma ação eficaz e contundente, pois as constantes fugas e a tent...

Reflexão e crítica em extinção

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Imagem: http://brasilescola.uol.com.br/ Jessé Souza* Durante o horário de pico na Avenida Carlos Pereira de Melo, um acidente de trânsito sem gravidade acabou por complicar o tráfego que já se tornou difícil depois que o Residencial Vila Jardim, no bairro Cidade Satélite, passou a abrigar mais três mil famílias. Mas não foi o acidente que fez “travar” o tráfego. Na verdade, os responsáveis pelo problema eram os condutores de veículo que paravam não apenas pela curiosidade de ver a cena, mas para tirar fotos a fim de alimentar seus grupos de WhatsApp, ávidos por uma tragédia qualquer. Tiravam a foto e, com a velocidade reduzida, sem parar o veículo, já enviavam a imagem do acidente. Por longos anos, a imprensa sempre foi alvo de fortes críticas ao ser acusada de sensacionalista e de ter na violência sua forma de ganhar dinheiro. É fato que, em parte, a acusação procede, principalmente no que diz respeito a programas policialescos de TV e mídia impressa que explo...

Tão longe do poder...

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Jessé Souza* Aproveitei o feriadão de Carnaval para conhecer melhor a sede do Município de Uiramutã, localizada numa região isolada e de difícil acesso a 300 Km de Boa Vista, a Nordeste do Estado. Estar localizado em uma região longínqua, na fronteira com a Guiana e Venezuela, significa também estar distante das ações do poder público em todos os níveis.  A única presença governamental foi durante a estrada íngreme, de muita buraqueira e pedregulhos: as potentes pick-ups da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que parecem fazer questão de correr como se estivessem em um hally das serras, esnobando nossos carros pequenos que se espremem entre os abismos, pedras e buracos. Só no trajeto passaram três por mim. Depois disso, se vê apenas ausência. Ausência do governo e das prefeituras que largam as estradas e pontes de madeira sem a manutenção necessária, o que gera um complicador a mais para moradores, trabalhadores, visitantes e turistas. Ausência nas comunid...

A indústria do prejuízo

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Jessé Souza* Xilogravura de Fio  Urban Caos  (Google) Vamos enfrentar mais um ano eleitoral e, com ele, ressurgem as forças das invasões a propriedades particulares e áreas públicas. Depois da indústria corrupção, que deixa uma parte da elite endinheirada de forma ilícita, a indústria da invasão gera dividendos financeiros a profissionais invasores e votos para políticos que prometem regularização fundiária. O cenário sempre é o mesmo, com os repetidos profissionais atuando nos bastidores ou às claras, sob o manto do discurso de “casa própria para sem-tetos” e “necessidade de regularização fundiária urbana”. Paralelo a isso, há os espertalhões que se infiltram nesses movimentos apenas para aplicar golpes. Porém, acima de tudo isso, estão as autoridades municipais, com destaque aos vereadores e principalmente a Prefeitura de Boa Vista. Os vereadores, todos já sabemos, parados como postes ou coniventes com a situação e uns poucos dando apoio a invasores, ainda...

Chamas da mesmice

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Jessé Souza* As questões das queimadas em Roraima não passam de uma cena repetida a cada verão rigoroso. Embora tenhamos enfrentado o maior desastre ecológico em 1988, quando o Estado todo ardeu em chamas, chamando a atenção de todo o mundo, nada mudou em termos de política de governo. Continuamos sempre correndo atrás do prejuízo e de recursos federais decretando situação de emergência. De concreto mesmo para agir preventivamente, chamando pequenos e grandes produtores à responsabilidade, antes mesmo de a estiagem chegar, nada temos. As ações sequer começam quando as primeiras fumaças surgem na área urbana, chamando a atenção das pessoas quando passam nas rodovias federais cujas margens ficam tomadas pelo fogo. A verdade é que, do inverno ao verão, não existe uma política de governo definitiva, fazendo com que um grupo possa trabalhar de forma efetiva em ações a fim de se antecipar ao que anualmente enfrentamos no que diz respeito às chuvas e à estiagem. É como se estivé...

Harmonia e caos

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Obra de Luiz Zerbini Jessé Souza* Os moradores da Capital não têm nenhuma dúvida da competência da atual administração municipal para embelezar a cidade com flores e jardins. Nossos canteiros centrais estão aí, como cartão-postal e como prova disso. De jardineiros estamos muito bem servidos, obrigado! Mas, e a Saúde, a Educação e o Trânsito? E todos os demais setores? Na área de saúde, os postos médicos municipais eram para começar a funcionar 24 horas a partir do dia 1º de fevereiro. Seria! Porque quem acreditou na propaganda acabou enfrentando uma perambulação até mesmo para uma simples vacinação de uma criança, então imagine os demais serviços mais complexos. Na área da educação, pais que acreditaram na propaganda do atendimento eficiente via “Call Center”, nome “abonitado” para “Central de Atendimento por telefone”, tiveram que amargar decepção na volta às aulas porque não conseguiram vaga para seus filhos. E isso é apenas um exemplo diante de outros problemas. ...