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Mundo de Bob

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Jessé Souza* O que a Prefeitura tem a ver com a chuva? Esse foi o questionamento mais usado, nas redes sociais, para argumentar que os alagamentos que ocorreram na grande chuva de segunda-feira seriam culpa tão somente do tempo ou de São Pedro, este guardião das chaves do Céu que não tem medidas em suas vontades de mandar chover. Para quem busca argumento para defender governantes, esse questionamento em forma de resposta até que cai bem. Porém, para os cidadãos que pagam impostos e sentem a crise provocada principalmente pela corrupção, esse tipo de indagação assemelha-se a uma ofensa, um desafio à inteligência. A chuva torrencial não pode ser controlada por nenhum político, pois, se isto fosse possível, haveria imposto sobre o clima e não choveria para todo mundo. Porém, é obrigação do poder público garantir obras de esgotos pluviais e outras ações que evitem tragédias e transtornos à população. O fato de Boa Vista ser cidade plana também não pode ser usado como ar...

O grande babaca

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Jessé Souza* Em tempos de gravações, ficou muito cristalino que o Brasil está sendo comandado por uma corja de políticos que tem influência em todos os poderes, do Executivo ao Judiciário, tudo bancado com dinheiro sujo que é desviado dos cofres públicos. As grandes empreiteiras se tornaram uma extensão desse poder paralelo, fazendo jorrar dinheiro público nos propinodutos que comandam as decisões no Congresso. Também ficou muito claro que o povo que saiu às ruas foi traído por aqueles que se passavam como a solução imediata para o país, incutindo na Nação um ódio a um único partido, como se ele fosse exclusivamente o criador da corrupção no país. Fizeram o povo acreditar que era uma luta tão somente de “direita” contra “esquerda”, de “pessoas do bem” contra “pessoas do mal” (Leia-se “comunistas”). E demonizaram a política para que estes que tomaram o poder conseguissem concretizar o golpe fatal, que era se livrar da Operação Lava Jato. Os brasileiros agora precisam ...

Batalha perdida

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Imagem: Google/Divulgação Jessé Souza * A barulhenta batalha de taxistas contra o avanço do Uber (aplicativo para dispositivos móveis que coloca os usuários em contato direto com os automóveis de passageiros com condutor) é uma das últimas fronteiras do passado com o futuro que já chegou, sem volta. Não há como os taxistas vencerem essa queda de braço. A tecnologia é inevitável. Ou os taxistas sem reinventam, ou vão ficar marcados na história como os últimos resistentes à modernidade. Reinventar-se significa aderir à tecnologia, agir como profissionais antenados com o bom tratamento ao cliente, do se vestir à garantia de que ali, no banco de trás, está um cliente que pode nunca mais voltar, se ele for mal atendido. Mas, o que muito se vê por aí são taxistas que agem como se fossem um bando quando se trata de defender um corporativismo burro, apoiando incondicionalmente até os colegas que estão errados, muitos destratando o cliente e o enrolando em um trajeto mais lon...

Useiro e vezeiro, teúdo e manteúdo

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Jessé Souza* Chegamos ao limite. Se o Brasil pós impeachment e pós gravação está escorregando pelas beiras de tanta lama fétida, então imaginemos a que ponto chegamos no Estado de Roraima. Senão, vejamos. Os dois principais líderes políticos locais estão implicados e emaranhados nessa grande teia do negrume político. O líder de um dos grupos políticos, o ex-governador Neudo Campos (PP), está condenado e preso para cumprir uma sentença de 13 anos no caso de contratação de funcionários fantasmas na folha de pagamento do governo, o chamado “caso dos gafanhotos”. Junto com ele estão outros tantos, entre aliados e ex-aliados, os quais estão de alguma forma na condução política local. O líder do outro grupo, o senador Romero Jucá (PMDB), não é de hoje que está enrolado com a Justiça, mas somente agora foi pego a partir de uma gravação, cujo áudio não só sugere um grande esquema para estancar a Operação Lava Jato, que investiga o maior escândalo de corrupção no país, o propinodut...

Escravos, planos e piranhas

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Jessé Souza* Quando os africanos eram trazidos para o Novo Mundo, a fim de que trabalhassem como escravos, seus novos senhores tomavam a primeira providência: rebatizá-los e impedi-los de fazer qualquer manifestação de sua cultura ou prática de costumes tradicionais. Essa atitude tinha a finalidade de apagar o passado desses escravos para que apagassem da memória que um dia foram livres e passassem a pensar e a agir como escravos, com obediência inquestionável a seus donos. Tudo que lembrasse sua antiga cultura não apenas era combatido, como punido severamente no tronco. Foi algo muito semelhante que o governo Temer fez ao assumir o governo depois de seu grupo arquitetar o impeachment de Dilma: decidiu extinguir o Ministério da Cultura, pois ele sabe que o brasileiro, para aceitar esse plano de dominar o “novo” Brasil, precisaria apagar qualquer tipo de cultura que vinha sendo planejada na base da crítica, da contestação e de novas visões a partir dos artistas. Assim c...

Titanic e os cleptocratas

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Jessé Souza* O que muitos não entenderam (ou não querem entender) é que, no Brasil, a oposição do eleitor, neste momento, não deve ser a favor ou contra este ou aquele governo; a oposição sistemática e barulhenta deveria (e deve) ser contra a corrupção em todos os níveis e cores partidárias, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Porém, parece que esta não é a finalidade de muitos que fizeram panelaço e barulho pelo impeachment. Está muito cristalino que há uma tolerância aos corruptos da cleptocracia que está sendo montada pelo governo Temer (PMDB). É como se fosse uma leniência pela corrupção, como se esta corrupção fosse menos pior que aquela, como se estes clecptocratas que aí estão nunca tivessem participados dos governos anteriores. A divulgação do mais recente diálogo para frear a Operação Lava Jato é a confirmação do que vem venho repetindo aqui, neste espaço, sobre os grandes acordos que poderiam ser concretizados, aos moldes do que foi feito na Operação Mãos Limpas,...

Sorte e o pau de galinheiro

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Jessé Souza* O estardalhaço que a Globo fez com o governo de Dilma Rousseff (PT), bradando contra a corrupção e cobrando moralidade, parece que não se aplica ao governo de Michel Temer (PMDB). Além de o tom ter mudado, o discurso agora é completamente alheio à realidade. Para contextualizar, o novo líder do governo Temer, na Câmara, André Moura (PSC),  é réu da Operação Lava Jato e investigado por tentativa de homicídio. Ou seja, ele não é tão somente um “ficha suja” qualquer, é um “ficha sujíssima”. Seria o suficiente para haver panelaços e uma corrente de indignação nas redes sociais. Ao noticiar essa informação do novo líder “pau de galinheiro”, a Globo não só falou fino, na manhã de ontem, como a entrada ao vivo do festejado comentarista Alexandre Garcia foi no mínimo ridícula: “Depende da sorte”. Ou seja, no governo do PT, investigado assumir um cargo era pilantragem, mas, no governo Temer, um “ficha sujíssima” ficar à frente de um cargo importante é “questão de...