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De carona na medalha

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Jessé Souza* A Olimpíada do Rio de Janeiro foi muito usada por políticos locais que pegaram carona na participação do jogador de futebol roraimense que conseguiu, por seus méritos, uma vaga na Seleção masculina e saiu de lá com uma medalhada de ouro no peito. É comum os políticos se escorarem nos valores locais que ganham destaque em nível nacional como forma de marketing positivo. Porém, o que chama a atenção nesse fato é que o atleta roraimense, Thiago Maia, e tantos outros anônimos só conseguem alcançar os grandes centros de excelência por seus próprios esforços, com sacrifícios de familiares e amigos, os quais muitas vezes se sujeitam a pedir esmola nos semáforos ou fazer bingos e rifas beneficentes, dividindo freguesia com famílias desesperadas em busca de tratamento médico fora do Estado. No mesmo dia em que a chama olímpica passava por Boa Vista, havia atletas (acho que de judô) nos semáforos da cidade pedindo ajuda para poderem comprar passagem a fim de represent...

As mulheres II

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Jessé Souza* Da Grécia à Era Moderna, muito mudou em relação ao tratamento às mulheres, mas ainda há muito entulho a ser removido. E isso podemos ver nas ocorrências policiais diárias, inclusive autoridades acusadas de detratoras e agressoras do sexo feminino. Há uma cultura enraizada no mundo de que as mulheres são parte inferior da sociedade. O filósofo francês Jean-Jacques Rosseau, festejado como pensador e com grande contribuição para a Educação, Literatura e Política, defendeu uma sociedade regulada por direitos e deveres, porém, em sua concepção, as mulheres deveriam ser educadas para servir aos homens e para procriar. E foi mais longe. Para Rosseau, a mulher deveria existir apenas para satisfazer os desejos masculinos. No livro “O Contato Social”, ele chegou a escrever que as mulheres só seriam beneficiadas se assim os homens quisessem. Desde tempos remotos, instalou-se no mundo a ideia de que o sexo feminino era inferior, muitas vezes as mulheres sendo ridicular...

As mulheres I

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Imagem: Google Jessé Souza* As primeiras semanas do mês foram de polêmicas a respeito de políticos locais sendo acusados de violência contra a mulher, um assunto que não é nenhuma novidade e que não costuma ganhar espaços na mídia na mesma proporção dos inúmeros casos diários registrados nas delegacias de polícia. Para piorar o quadro, tem surgido uma movimentação no Congresso Nacional a fim de aprovar um projeto que visa mexer na Lei Maria da Penha para abrandar a legislação, a qual foi um marco, no Brasil, em relação ao combate à violência doméstica. Isso mostra como estamos longe de extirpar este grande mal de nossa sociedade. Essa luta, muitas vezes ingrata para as mulheres, precisa ser constante e com monitoramento incansável, pois a História mostra que a violência e o preconceito contra o sexo feminino vêm desde os primórdios. A própria História da Filosofia revela que as mulheres eram tratadas de forma inferior e preconceituosa, o que gera reflexo até os dias ...

Fazendo a festa

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Fonte:  smexe.com.br Jessé Souza* Quando o cidadão perde a confiança na polícia e na Justiça, então ele começa a fazer justiça com as próprias mãos. É isso o que está ocorrendo em Boa Vista, diante da insegurança que atormenta principalmente quem mora na zona Oeste da cidade, ou seja, onde ficam os bairros periféricos mais populosos. A Segurança Pública não consegue mais dar resposta efetiva à onda de assaltos praticada principalmente por foragidos que conseguem escapar da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc). Se o sistema prisional está em frangalhos, então os bandidos fazem a festa na cidade. Se as polícias estão desestruturadas, então tudo conspira a favor do crime. Não apenas isso. O avanço das drogas é outro fator preponderante para que essa criminalidade avance numa velocidade incapaz de ser freada com essa desmobilização das autoridades a fim de encarar todas as frentes necessárias. Por mais esforço que o pessoal da linha de frente, os policiais...

Panela de pressão

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Jessé Souza* Quando tenho que voltar a um assunto recorrente, fico me sentindo um velho demente que repete tudo de novo exaustivamente. Há alguns dias, comentei que o governo não iria conseguir aplicar as medidas anunciadas para conter fugas e colocar ordem no sistema prisional, especialmente na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc). Prometeram até fardas na cor laranja para vestir os presos, medida simples essa, mas que parece ter soado apenas como um item a mais para engrossar a lista de medidas a anunciar à imprensa para logo depois ser esquecida.  Bastou trancafiar os presos em suas celas por 30 dias para reduzir drasticamente as seguidas fugas em massa. Ou seja, bastou fazer com que o presídio agisse como um presídio. Mas, com os presos organizados, dentro e fora do sistema prisional, o governo tem poucas chances de endurecer o tratamento, já que por anos a fio permitiu e deu poder aos chefes de alas, concedendo regalias para que eles supostamente não perm...

Purgatório e desvalidos

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Jessé Souza* Retornei novamente ao Hospital Coronel Mota na manhã de ontem. Não há como não se impressionar com aquele cenário que mais parece a antessala do purgatório, não pela estrutura física e pelo atendimento em si, mas  por tanta gente desvalida em busca de atendimento médico. Gente se arrastando, gente engessada, gente amputada ou com cicatrizes que indicam que por pouco não perdeu a perna, idosos, muletas, cadeiras de rodas.... O atendimento na recepção até chegou a melhorar, pois colocaram uma moça para prestar informação com uma blusa azul estampada nas costas “Posso ajudar?”. É uma moça com semblante tenso, sem alegria, porque ali é um cenário de pós-guerra mesmo, não dá para ficar sorrindo com tanta gente remendada ou com idade avançada e doente, tudo no mesmo bolo. Da última vez que estive lá, faz duas semanas, era uma Torre de Babel horizontal, pois ninguém sabia a quem recorrer para buscar informação; e as moças do balcão de atendimento tinham que sai...

Pitiú e bomba atômica

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Jessé Souza* Quando comecei no jornalismo diário, em 1992, cheguei a uma Redação de jornal assustado, porque vi naquele momento que era um lugar para doidos varridos. Um amontoado de gente em um espaço que parecia organizado fisicamente, mas completamente fora dos padrões para alguém acostumado a escrever solitariamente nos informativos da escola. O barulho frenético dos teclados da máquina de datilografia e o som característico das laudas sendo arrancadas furiosamente do rolo da máquina para serem resgadas iradamente e jogadas no cesto de lixo, pois não havia como corrigir o que se escrevia, me fizeram imediatamente cair na realidade. “É isso o que eu quero”, disse mentalmente. Naquela época, eu tinha uma noção do que me esperava, pois eu já havia escolhido o mundo das letras desde pequeno, quando li, no livro didático da 5ª série do 1º Grau (era assim que se chamava na década de 70), um texto sobre o que era um jornal e o que era uma reportagem. Desde lá, por todas as es...