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Hora de ajudar

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Jessé Souza* É uma sensação muito ruim ver diariamente, pela janela do carro, os inúmeros venezuelanos, jovens, adultos e idosos, pedindo moedas nos semáforos de Boa Vista.  Nesta semana, começaram a chegar inclusive garotas adolescentes que ficam limpando para-brisas de carros no semáforo do Ibama.  Não muito distante dali, nas proximidades da Feira do Passarão, o cenário é outro: são inúmeras mulheres venezuelanas que passaram a vender seus corpos nas esquinas do bairro Caimbé, numa feira-livre da prostituição que só se via em grandes centros urbanos.  O quadro foi provocado pela crise sem precedentes que a nossa vizinha Venezuela enfrenta. Antes, éramos nós, brasileiros, que íamos lá em busca de preços melhores para fugir da inflação do lado de cá. Hoje são eles que vêm em busca não de “produtos mais baratos”, mas da sobrevivência, fugindo da fome.  Trata-se de uma questão humanitária, porém, não estamos em um momento bom para ajudar ninguém em cr...

Cada um por si...

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Jessé Souza* A questão do sistema prisional se arrasta por décadas, sem que nenhum governo tenha tomado uma atitude para resolver os problemas. E não haveria outra realidade senão esta que estamos vivenciando: o colapso completo dos presídios, com detentos empoderados por suas próprias leis e agindo por ordens do crime organizado vindas do Rio de Janeiro e São Paulo. Os criminosos estão mais organizados do que nossas autoridades, que tentam remendar os trapos de um presídio condenado à implosão. Não há outra saída senão construir urgentemente um presídio que consiga segregar da sociedade os criminosos que afrontam o poder, impedindo que o sistema prisional se torne uma “universidade do crime”, onde sujeito entra como ladrão de galinha e sai como líder de facção. O que mais chama a atenção é que todas as autoridades estavam sabendo da realidade e foram avisadas sistematicamente de que essa carnificina iria acontecer a qualquer momento. Mas, como ninguém fez absolutamente na...

O tempo...

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Jessé Souza* Há exatos 14 anos, quando estive visitando comunidades indígenas nos Estados Unidos, vi um fenômeno ocorrendo por lá: como muitos perceberam que os nativos (é assim que os índios são chamados por lá) estavam conseguindo estabelecer-se economicamente, muitos norte-americanos passaram a reivindicar sua identidade indígena com a intenção de se beneficiar das leis nos estados indígenas. A busca por um reconhecimento de etnia era tanta que foi preciso aprovar leis que estabelecessem uma porcentagem de sangue indígena correndo nas veias para que a pessoa fosse reconhecida como nativa americana.  Há algum tempo  depois, andei comentando na rede social Twitter que isso iria ocorrer em Roraima, ou seja, que a demarcação das terras indígenas seria confirmada pela Justiça, as comunidades indígenas iriam conseguir se tornar um dos braços da economia local, ainda que incipiente, e que, depois de perceberem isso, muitos iriam buscar sua identidade indígena para p...

Túmulo caiado

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Jessé Souza* A carnificina de domingo, na Penitenciária Agrícola (?!) de Monte Cristo (Pamc), além de um cenário sombrio que vinha sendo anunciado, representa a realidade de um Estado comandado pela bandidagem que, por meio do crime organizado, montou um poder paralelo em Roraima.  As facções criminosas vêm mostrando seu poder há um certo tempo, muito antes de representantes desse atual governo terem negado a existência delas na tentativa de amenizar a ação dos bandidos pela tática da negação, como ocorria por aqui desde os tempos do “nada a declarar”. O fato é que há tempos os criminosos dão as cartas dentro e fora dos presídios, afrontando as autoridades constituídas, aterrorizando a população  e deixando refém todo o sistema prisional, este que consegue manter uma vigilância somente do portão principal para trás.  Atualmente, sem as condições de trabalhos necessárias e com um sistema falido, os agentes penitenciários e os policiais militares que atuam ...

Apenas um sonho

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Jessé Souza* Em 2004, quando estive em Seattle (EUA), visitei o Parque Nacional Olympic, onde pude não somente apreciar a exuberante natureza daquela região, mas também observar a estrutura disponibilizada aos turistas que por lá se aventuram. Naquela época, eu não tinha pretensão alguma de criar um site voltado às belezas naturais de Roraima, como tenho hoje, o Roraima de Fato (www.roraimadefato.com).  Mas aqueles passeios em Seattle e em outras cidades do Novo México, Oklahoma, Califórnia e até mesmo Whasignton-DC, me animaram a fazer algo para mostrar as belezas de nosso Estado,  mesmo sabendo que seria inimaginável ter uma estrutura a altura do que vi por lá, na área de turismo.  Não fui fazer turismo, e sim um intercâmbio profissional e cultural voltado ao jornalismo, mas a oportunidade que eu tinha não hesitava em fazer passeios nas horas vagas, economizando dinheiro do intercâmbio para conhecer os pontos turísticos e ver a estrutura proporcionada ao vi...

Fator Trump

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Imagem: Divulgação/Google Jessé Souza* Não faz muito tempo, a sociedade roraimense cultuou um ódio muito grande pelos indígenas, alimentado principalmente por políticos que se beneficiavam desse racismo com o discurso de suposto desenvolvimento e em defesa daqueles grandes produtores que chegavam achando que por aqui era uma terra sem porteira e de “muro baixo”, como diziam. Não se tratava de um comportamento de gente desfavorecida intelectualmente nem de baixa escolaridade. Esse ódio estava na universidade, nos discursos políticos, nos clubes, em sociedades ditas secretas e seculares, na mídia e por onde havia gente que acreditava nesse discurso de uma nota só. Os preconceituosos e racistas nunca tiveram medo de se esconder, pois havia um consenso burro de que era isso mesmo, de que o índio era o responsável por toda a desgraça desta terra. E os estrangeiros que  defendiam os povos indígenas eram atacados da mesma forma, numa xenofobia sem precedentes. Mas, aos po...