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Da cama para o mundo

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Jessé Souza* Em 2004, desembarquei nos Estados Unidos para um intercâmbio profissional, com a missão de conhecer os principais jornais, berço do jornalismo moderno, e para um intercâmbio cultural, a fim de visitar os índios de lá, os nativos americanos. Além de Washington-DC, estive em Seattle (Washington), Santa Fé (Novo México), São Francisco (Califórnia) e Oklahoma City (Oklahoma).  Esse momento proporcionou-me a possiblidade de conhecer um pouco o país cobiçado por muitos, principalmente os latinos. Em contato com vários profissionais, como professores universitários e jornalistas, tirei muitas lições de vida, entre as quais uma muito oportuna para este momento por qual passa o Brasil, direcionada aos jovens. Lá, desde cedo, os jovens aprendem a ter independência e se preparam para sair de casa, pois a cultura norte-americana é a distância cada vez mais cedo da casa dos pais.  Enquanto nos EUA é humilhação ficar na casa dos pais depois de adulto, no Brasil é...

Laranjal made in Roraima

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Jessé Souza* O senador do petrolão já apareceu em suas mídias adjetivando o asfaltamento da estrada e a construção de um porto na República da Guiana como um “sonho dos roraimenses” e uma de suas “grandes propostas” para o desenvolvimento do Estado. Quem conhece bem a história política de Roraima sabe que esse discurso nada mais é do que o mesmo do “golpe da estrada”.  Quando as rodovias federais eram apenas um projeto e, mais tarde, imensas buraqueiras, os políticos pregavam que o asfaltamento da BR-174 seria o grande salto de desenvolvimento de Roraima, pois iríamos não só estar ligados ao Brasil através do Amazonas, ao Sul, e à Venezuela,  ao Norte, como também iríamos nos tornar a grande fronteira da exportação e do escoamento de produtos para o Caribe e o mundo. Porém, o que ninguém perguntava diante desse tipo discurso era: “Mas que produtos vamos exportar?”. Sabemos que até agora o único produto genuinamente roraimense, fabricado inclusive pelos políticos...

Declaração de guerra

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Jessé Souza* O terror imposto por integrantes de facções criminosas é o atestado de falência total do Estado em relação ao sistema prisional e à segurança pública. Mas, nada do que a opinião pública não saiba, fato que vem sendo desenhado há um certo tempo, desde quando os presídios roraimenses se tornaram depósito de gente e universidades do crime. Inversamente proporcional, enquanto os criminosos avançam em sua organização, o Estado não consegue se manter à altura, sem condições de mudar a realidade do sistema prisional, com presídios caindo aos pedaços e com servidores sem condições de trabalho, além de polícias com seus efetivos defasados. A morte de um policial militar acaba de colocar mais pólvora nesse barril de desorganização, pois até aqui a sociedade roraimense pedia Justiça, competência administrativa e inteligência das autoridades. Com este novo fato, teme-se que a ânsia por Justiça se torne sede por vingança por parte de alguns setores. A carnificina já ...

Super-herói da vez

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Jessé Souza* Não faz muito tempo, o “japonês da Federal” foi eleito pela opinião pública com símbolo contra a corrupção no Brasil da Lava Jato.  Bastou, como um funcionário público no exercício de sua função, aparecer conduzindo presos do mais alto escalão da política para que logo ganhasse fama. Porém, não demorou muito para se descobrir que esse símbolo criado por uma exposição na mídia era uma farsa, pois ele também era um enredado com a Justiça e estava sendo beneficiado pela morosidade do Judiciário, a mesma que beneficia políticos corruptos no país.  Mas era tarde. Ele já havia ganhado marchinhas e máscaras de Carnaval. Era venerado tanto por extremistas de direita quanto pelo povo que achava que ele realmente poderia ser o super-herói da vez. Representava um pensamento de que, quando aparecesse, era porque algum poderoso iria ser preso (um poderoso do PT, diga-se passagem, nunca do PMDB, do PSDB ou do PP). O brasileiro tem essa cultura de eleger ídolo...

O mesmo lado da moeda

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Jessé Souza* Começou a circular nas redes sociais uma defesa orquestrada que ameniza o chamado “trumpismo”, colocando Donald J. Trump, presidente eleito dos Estados Unidos da América (EUA), como “o menos pior” para o mundo.  Nessa concepção, Trump seria um quase inocente fanfarrão que usou o discurso extremista de direita apenas como uma forma de se promover. Nessa visão, Hilary Clinton seria a grande representante do mal mundial, encabeçando um grupo que promoveu guerras e mortes pelo mundo, portanto, neste sentido , Trump não seria esse demônio pregado pela “mídia vendida” aos senhores da guerra e ao establishment norte-americano. Não é bem assim. O fato é que não há melhor ou menos pior entre Hilary e Trump. Não há como livrar Trump da imagem do grande novo vilão mundial. Os dois  representam o mesmo lado da moeda, a mesma opressão contra o mundo, defensores da política de um país que se coloca como a polícia do mundo, responsável por injustiças e opressõ...

O Espelho

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 Jessé Souza* Torna-se um alvoroço nas redes sociais, típico da “síndrome de vira-lata”, a presença de uma equipe do Fantástico, da Globo, em terra Macuxi. É como se esse programa representasse algo um endeusamento, como se alguma reportagem por lá fosse resolver nossas vidas definitivamente. Não é bem assim. A imprensa dá sua importante contribuição ao revelar, apontar, desnudar, criticar, denunciar, mas só quem tem a capacidade de mudar a realidade somos nós mesmos, cidadãos e eleitores, por meio de nossas ações, atitudes, consciência e senso crítico.  Os políticos que temos hoje, no poder, em todos os níveis, representam o que somos ou que fomos na hora de elegê-los. Eles não são invenção dos ETs nem foram eleitos pelos gnomos da Xuxa. São cria nossa, seja de quem votou neles ou não, pois a democracia é isso mesmo, o governo da maioria que também representa a minoria.  É por isso que o eleitor roraimense, em vez de achar que a solução para o Estado d...

O ovo da serpente

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Jessé Souza* Embora a vitória de Donald Trump não represente nenhuma mudança substancial na relação diplomática ou econômica do Brasil com os Estados Unidos, trata-se de um duro golpe para a condução de um mundo melhor, com menos barreira e mais humanidade. É a eleição de um bilionário que encarnou a alma de um não político que pregou tudo aquilo que é mais reprovável no ser humano. Trump é o retorno da desesperança, pois seu discurso mostrou tudo aquilo que é combatido por uma sociedade guiada pela cidadania: falou mal dos imigrantes pobres, em especial dos mexicanos, muçulmanos, judeus e dos negros; não poupou nem os deficientes físicos e muito menos as mulheres. O trumpismo é a encarnação da desumanização pregada pelos extremistas em todo o mundo, em que direitos humanos, respeito aos mais pobres e excluídos se tornaram algo abominável. Há uma corrente se fortalecendo em defender a desumanização do outro, especialmente aqueles que pensam diferente, com o propósito de ge...