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A ilha que mete medo

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Jessé Souza* Enquanto muita gente que nunca leu sobre Cuba e nunca foi lá (nem nunca irá) usava as redes sociais para atacar de forma chula e burra o papel do líder cubano, a Globo mostrava toda sua competência em sua cobertura sóbria a respeito da morte de Fidel Castro, no domingo, no Fantástico.  Que existam cubanos comemorando a morte de Fidel. Que existam exilados cheios de rancor por tudo que viveram. Mas é incompreensível gente que nem sabe apontar no mapa onde fica Cuba, nem conhece como se deu o curso da História, fique em xingamentos como se tivesse sido atingido diretamente pela revolução cubana, como se sua vida tivesse sido afetada de alguma forma pelos charutos de Fidel.  Para quem não conhece a história de Cuba, a cobertura da Globo possibilitou mostrar que Fidel deixou um legado muito forte para o mundo, um homem que ousou desafiar a maior potência do mundo, os Estados Unidos da América (EUA), a partir de uma ilha caribenha sem qualquer importância ...

Adeus aos pobres

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Jessé Souza* O que o governo Temer (PMDB) quer fazer com o Brasil, por meio da PEC 241/55, é o seguinte: “Pobres deste país, não esperem nada do governo pelos próximos 20 anos. Agora vocês vão comer o pão que o diabo amassou”. Essa matilha que se apossou do poder quer exterminar tudo aquilo que beneficiou os mais pobres, em todos os setores, como se fosse uma vingança por ter apoiado e se beneficiado pelo governo de esquerda.  Mas, não bastassem as tramas para suprimir direitos dos mais pobres conquistados ao longo dos anos, sob muita luta e sofrimento, existe um movimento paralelo para tentar calar quem critica a sanha corrupta desse governo e a instalação de uma plutocracia no Brasil. A tática é simples: agride-se impiedosamente quem critica, mas tentando fazer a opinião pública acreditar que se trata de “debate”, “divergência”, “ponto de vista” ou “contraditório”. Quando há um revide, depois afirmam que os críticos (eles chamam de “comunistas”) não sabem debater, ...

Acorda, Brasil!

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Jessé Souza* O “efeito Trump” ainda vai ser muito debatido pelo fato de um bilionário ter ganhado a eleição no país mais importante do mundo, os Estados Unidos, agindo como um “não político”, atacando tudo aquilo que o politicamente correto abomina. Mas isso não significa que Donald J. Trump irá cumprir tudo aquilo que prometeu nem que o governo dele irá descambar para a supremacia branca e o discurso do ódio. A eleição de Trump precisa ser analisada com outros olhares, longe do discurso dos direitos das minorias, e sim como a força do neoliberalismo no mundo, que passou a não mais acreditar em políticos de direita nem muito menos nos de esquerda. Ele passou a querer os seus governando não apenas os EUA, mas o mundo. Quer os empresários no poder, fazendo a roda da fortuna girar da forma que eles querem. Isso ficou muito evidente na crise enfrentada pela Europa desde 2008, quando os homens de negócio passaram a gerenciar o Banco Central dos países em crise e o próprio Ban...

Porta para o crime

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Jessé Souza* Há cerca de três semanas, como faço todos os domingos, no início da noite, estava com meus filhos jogando bola no campo de areia do bairro Cidade Satélite, na zona Oeste, o mesmo onde a prefeita diz morar. Em certo momento, um grupo de jovens, sentados em um dos bancos da praça, no meio de todo mundo, começou a fumar maconha.  O cheiro forte e característico logo impregnou toda a praça e certamente alguém ligou para a polícia, que meia hora depois apareceu, motorizada, quando o grupo já havia terminado de consumir a droga. Os policiais passaram por perto, observaram, quase pararam, mas seguiram. E o grupo, que desafiou a polícia e desrespeitou todos que ali estavam, simplesmente ficou por isso mesmo. Um fato curioso é que, logo após os policiais motorizados terem ido embora e, coincidentemente, três viaturas da Polícia Militar terem passado pela praça, houve um esvaziamento por parte de adolescentes e jovens que estavam por lá. Talvez estivessem portando...

Da cama para o mundo

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Jessé Souza* Em 2004, desembarquei nos Estados Unidos para um intercâmbio profissional, com a missão de conhecer os principais jornais, berço do jornalismo moderno, e para um intercâmbio cultural, a fim de visitar os índios de lá, os nativos americanos. Além de Washington-DC, estive em Seattle (Washington), Santa Fé (Novo México), São Francisco (Califórnia) e Oklahoma City (Oklahoma).  Esse momento proporcionou-me a possiblidade de conhecer um pouco o país cobiçado por muitos, principalmente os latinos. Em contato com vários profissionais, como professores universitários e jornalistas, tirei muitas lições de vida, entre as quais uma muito oportuna para este momento por qual passa o Brasil, direcionada aos jovens. Lá, desde cedo, os jovens aprendem a ter independência e se preparam para sair de casa, pois a cultura norte-americana é a distância cada vez mais cedo da casa dos pais.  Enquanto nos EUA é humilhação ficar na casa dos pais depois de adulto, no Brasil é...

Laranjal made in Roraima

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Jessé Souza* O senador do petrolão já apareceu em suas mídias adjetivando o asfaltamento da estrada e a construção de um porto na República da Guiana como um “sonho dos roraimenses” e uma de suas “grandes propostas” para o desenvolvimento do Estado. Quem conhece bem a história política de Roraima sabe que esse discurso nada mais é do que o mesmo do “golpe da estrada”.  Quando as rodovias federais eram apenas um projeto e, mais tarde, imensas buraqueiras, os políticos pregavam que o asfaltamento da BR-174 seria o grande salto de desenvolvimento de Roraima, pois iríamos não só estar ligados ao Brasil através do Amazonas, ao Sul, e à Venezuela,  ao Norte, como também iríamos nos tornar a grande fronteira da exportação e do escoamento de produtos para o Caribe e o mundo. Porém, o que ninguém perguntava diante desse tipo discurso era: “Mas que produtos vamos exportar?”. Sabemos que até agora o único produto genuinamente roraimense, fabricado inclusive pelos políticos...

Declaração de guerra

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Jessé Souza* O terror imposto por integrantes de facções criminosas é o atestado de falência total do Estado em relação ao sistema prisional e à segurança pública. Mas, nada do que a opinião pública não saiba, fato que vem sendo desenhado há um certo tempo, desde quando os presídios roraimenses se tornaram depósito de gente e universidades do crime. Inversamente proporcional, enquanto os criminosos avançam em sua organização, o Estado não consegue se manter à altura, sem condições de mudar a realidade do sistema prisional, com presídios caindo aos pedaços e com servidores sem condições de trabalho, além de polícias com seus efetivos defasados. A morte de um policial militar acaba de colocar mais pólvora nesse barril de desorganização, pois até aqui a sociedade roraimense pedia Justiça, competência administrativa e inteligência das autoridades. Com este novo fato, teme-se que a ânsia por Justiça se torne sede por vingança por parte de alguns setores. A carnificina já ...