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Lunáticos do turismo

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Jessé Souza* Desde quando decidi publicar em vídeos e fotos algumas de minhas aventuras pelo interior do Estado, comecei a conhecer algumas pessoas que trabalham com turismo em Roraima, na cara e na coragem. Sem apoio governamental, elas caminham como podem, às vezes sozinhas, outras vezes juntas com outros sonhadores ou mesmo somente com a família. Enquanto isso, os governantes não querem sequer se comprometer em construir o mínimo de estrutura, como a manutenção de uma estrada ou a construção de pontos de apoio nos lugares turísticos ao menos para garantir um banheiro público, por exemplo. Na outra ponta, estão os endinheirados de Roraima, que se mandam para bem longe a cada feriado ou fim de semana, indo gastar seu rico dinheiro em outros estados ou mesmo no exterior. E vão embora porque realmente faltam opções (já que não há investimento) ou porque desconhecem o que temos aqui (ou fazem questão de desconhecer mesmo). No meio desses endinheirados estão os político...

Mall do Planalto Central

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Jessé Souza* A Câmara e o Senado aprovaram, na semana que se passou, a construção de um shopping em um anexo do Congresso Nacional. O empreendimento vai custar R$1 bilhão e inclui a construção de novos gabinetes. Esse é o valor da zombaria com a cara do povo. É como se os nobres pares não estivessem nem um pouco preocupado com a crise financeira e política pela qual o país atravessa na atualidade. O deboche é mais um episódio de como o Brasil precisa passar por uma faxina moral de cima para baixo e de baixo para cima. Os políticos perderam completamente a vergonha. Como eles já se mostraram “vendáveis”, então nada correto, por parte deles, do que oficializar o mercado instalando um shopping no Congresso, transformando esse centro do poder em um centro comercial de compra e venda. O shopping é a concretização do mercado político. Os parlamentares se vendem para empresas que bancam suas campanhas eleitorais e gastam seu rico dinheiro fazendo compras sem sair do Congresso. E ...

No topo da decepção

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Jessé Souza* Já percorri quase todo o Estado desde quando comecei a trabalhar na área de comunicação, em 1991. Naquela época, para as minhas condições financeiras, uma máquina fotográfica era impensável. Então, não tenho registros das minhas andanças pelos locais mais remotos e mais espetaculares desta Terra de Makunaima. Na verdade, eu não tinha muita pretensão com as idas ao interior do Estado, a não ser cumprir o meu trabalho ou concluir o passeio, pois eu achava um fato normal ir a um lugar sem registrar nada, sem absorver o encanto de bichos, gentes, coisas e natureza. Somente depois de chegar às quatro décadas e meias de vida é que percebi que deixei muito para trás. Então, hoje sinto a necessidade de voltar e de ir àqueles onde não tive a oportunidade de conhecer, como a região do Baixo Rio Branco.  A necessidade não é tão somente pessoal, mas profissional também a fim de divulgar o que Roraima tem de espetacular, como forma de mostrar que temos um potencial ric...

Que se dane!

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Jessé Souza* Vez por outra, surgem postagens indignadas com posicionamentos de internautas que fazem críticas à infraestrutura de Roraima, de uma forma geral - da conexão da internet à falta de locais de lazer. Alguns forasteiros são injustos e infelizes em seus comentários, porém não escreveram nenhuma inverdade. Apenas são duros e secos com esta terra que acolhe a todos. Porém, não vejo motivo para mobilizar uma onda de indignação e protesto contra quem aqui chegou e não gostou. É natural o estranhamento de quem é acostumado com a “selva de pedra” e encontra selva de verdade ao longo da BR-174 e outra “selva” de problemas típicos de um Estado que ainda sequer completou três décadas de autonomia administrativa e que depende de recursos federais. É a liberdade de expressão dos chatos. Quantas vezes criticamos a violência no Rio de Janeiro? Ou o trânsito ou a falta de água em São Paulo? Ou a frieza de Brasília com sua carestia? Ou a confusão de Manaus com seu calor quase ...

Barrichello e o diabo

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  Jessé Souza* Quando Rubinho Barrichello recebia ordens da Ferrari para deixar Schumacher ultrapassá-lo, ali estava a essência de um conceito que todos os profissionais deveriam aprender logo nos primeiros dias de faculdade, antes de encarar qualquer profissão: o comprometimento e a lealdade com a organização para quem se está trabalhando. Não se trata de ser subserviente ou cumprir ordens que atropelem a ética profissional. Barrichello poderia se rebelar se estivesse pensando apenas no seu ego ou nos proveitos pessoais. Ou simplesmente desistir da empresa e buscar outra na qual pudesse ganhar uma corrida sem restrições. Porém, ele pertencia a uma organização que tinha planos, metas e objetivos a cumprir, estava dentro de um plano organizacional. Quem não se enquadra é porque não atende sequer às expectativas de reciprocidade entre indivíduo e organização, esta que, por sua vez, tem obrigações legais, morais e financeiras com o seu membro. Barrichello poderia tirar ao menos u...

Ecochatos e ecocéticos

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                                                                            Jessé Souza*                                                               Foto: Exército Um assunto tem passado ao largo dos comentários das autoridades locais: a operação da Polícia Federal, no início do mês, que desmontou uma organização criminosa que contratava garimpeiros para retirar ouro da Terra Indígena Yanomami para vender o minério no centro financeiro de São Paulo, por meio de comercia...

COLUNA KANAIMÉ

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A ENTREVISTA   Merece uma análise mais acurada a entrevista  concedida pelo coordenador político do Governo do Estado, o ex-governador Neudo Campos (PP), esta semana, sobre o procurador-geral de Contas, Paulo Sérgio Oliveira de Sousa, em resposta ao pedido de afastamento da secretária estadual de Educação, Selma Mulinari, e do diretor do Departamento de Convênios daquela pasta, Carlos Alberto Araújo. Neudo não mediu palavras para classificar esse pedido como “ridículo” e “sem consistência”. VENDEDOR DE CARNE É grave, muito grave mesmo, gravíssima a denúncia que Neudo Campos fez contra o procurador de Contas. Disse que Paulo Sérgio mandou recado tentando se aproximar do Governo do Estado com a finalidade de vender carne para a merenda escolar da rede estadual de ensino. Disse mais: chamou o órgão fiscalizador de “MPC empresarial” e o chefe daquele órgão de “procurador empresário da carne”. AGÊNCIA DE VIAGENS Os ataques nã...