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Parados no tempo

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Jessé Souza* Com algumas décadas de atraso, a Prefeitura de Boa Vista começou a instalar semáforos, substituindo as rotatórias que precariamente ordenaram o tráfego de veículos nos principais cruzamentos da cidade por alguns anos. Fosse no início da década de 80, talvez essas rotatórias ainda caberiam na Capital roraimenses, mas seu “prazo de validade” venceu há um certo tempo. Porém, os semáforos ainda não são a solução para o nosso conturbado trânsito, pois a frota de veículos do Estado vem crescendo anualmente, a ponto de exigir um projeto de mobilidade muito mais amplo do que este que está sendo colocado em prática no momento, período que antecede às eleições municipais de 2016. Precisamos de um projeto que vise o futuro próximo, com construção de viadutos e passarelas, a exemplo do que fez o falecido Ottomar Pinto ao implantar o viaduto no cruzamento das avenidas Venezuela com Glaycon de Paiva, onde morria gente corriqueiramente em colisões, mesmo com semáforo instala...

‘Que país é esse!’

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Jessé Souza Que sentido existe em a maior emissora de TV da América Latina e, obviamente do Brasil, a Globo, fazer uma matéria especial de aniversário de um ano da derrota de 7 a 1 do Brasil para a Alemanha, na Copa do Mundo? Em primeiro momento, aparentemente uma inocente matéria sobre um fato futebolístico histórico, marcado pelo elástico placar. Porém, não é bem assim. Não tem apenas esse sentido de lembrar um episódio triste do nosso futebol. Tem o papel de massificar esse discurso de derrotismo e de golpismo que a Globo vem apoiando no Brasil, colocando a Nação em um pensamento de caos, onde confundir é a arma para criar um alarmismo constante, um vale tudo, uma sensação de que nada mais presta. Constantemente, os profissionais da Globo mais bem pagos são flagrados querendo nos fazer crer que estamos caminhando para ser uma Venezuela ou que podemos ser Cuba, confundindo a cabeça das pessoas que nem sabem o que significa comunismo ou socialismo, muitos menos conhecem ...

Sinal vermelho

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Jessé Souza* É preciso muita atenção ao que o governo quer fazer com a Educação Indígena em Roraima, setor que é exemplo para o restante do país não apenas pelo avanço educacional aos povos indígenas, mas na forma de gerir uma educação diferenciada, respeitando as línguas tradicionais, formando professores indígenas e os colocando em sala de aula. O Estado de Roraima tem grande parte de seu território geográfico ocupado por terras indígenas, onde vivem milhares de populações de várias etnias. E somente a educação pública diferenciada e de qualidade é que vai permitir que esses povos saiam da condição de dependentes das políticas públicas para que consigam tomar conta de seu próprio destino. Somente a educação indígena conseguirá formar profissionais comprometidos com a vida das comunidades, respeitando suas culturas sem que isso represente um isolamento ou renúncia das tecnologias cada vez mais presentes na vida de todos, índios e não índios.  Os principais passos foram...

Quanto pior...

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Jessé Souza* Há anos que venho comentando sobre uma ação orquestrada, por parte de alguns segmentos partidários, de fazer com que Roraima fique dependente da política do “quanto pior, melhor”; ou seja, quanto pior para o povo de Roraima, melhor para os políticos que lucram com isso politicamente ou até financeiramente. Uma estrada largada ao descaso, cheias de buracos e sem qualquer manutenção, por exemplo, pode significar atraso no desenvolvimento do Estado, prejuízos para transportadores, produtores que precisam escoar seus produtos, empresas de ônibus e para a população que paga impostos altíssimos. Porém, essa mesma estrada tomada pela buraqueira pode representar dividendos para políticos sem escrúpulos, que enxergam nela uma forma de conseguir recursos, seja por meio de emendas parlamentares ou convênios federais, verbas essas que chegam “carimbadas” para esta ou aquela empresa, a qual precisa pagar “porcentagens” como forma de garantir o serviço. Os exemplos sã...

O Brasil no lombo

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Jessé Souza* Quando o Brasil ainda buscava seu caminho, surgiu um movimento massivo que pregava a existência de uma “democracia” racial, em que todas as pessoas, independente de cor e raça, conviveriam harmoniosamente nesse imenso país continental. Era isso o que diziam os livros de História e de Educação Moral e Cívica na década de 70. Índios e negros apareciam nos livros como apenas colaboradores na arte, na culinária, na dança e, no máximo, no esporte. E nunca diziam que o Brasil foi construído no lombo dessas populações, escravizadas por séculos. Também não se dizia que o sangue, suor e lágrimas dessas populações lavavam a bandeira da “democracia racial”, democracia esta que funcionava desde que índios e negros, com seus respectivos descendentes, não reivindicassem direitos, ou se rebelassem contra os senhores da senzala, ou não questionassem o sistema. Então, o Brasil avançou na democracia, as escolas passaram a tratar os temas com consciência crítica e os negro...

Vamos engolir de novo...

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Jessé Souza* É proibido matar, mas mata-se como nunca neste país. É proibido roubar dos cofres públicos ou de qualquer cofre privado, mas rouba-se com ampla facilidade. Existem leis para punir assassinos e corruptos, mas ninguém se intimida porque lei nenhuma consegue impedir de se matar, de roubar, de estuprar, de cometer crimes dos mais brandos aos hediondos. Nos Estados Unidos, ou em qualquer país de primeiro mundo, lei severa não consegue impedir um elemento qualquer de cometer chacinas em sala de cinemas, shoppings, campi universitários, salas de aula ou em eventos públicos. Nem a pena de morte consegue deter criminosos. O que evita que o crime saia do controle nesses países desenvolvidos são o combate à injustiça social, investimento na educação, distribuição de renda, salários justos, política que não admita a corrupção como algo normal no toma-lá-dá-cá. País que dá condições dignas para as famílias criarem seus filhos pode aplicar uma pena severa a uma criança qu...

Quem fomos e quem somos

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Jessé Souza* Com as redes sociais, é possível notar o quanto cresce o número de pessoas que se sentem à vontade para serem racistas, elitistas (mesmo sendo pobres) e preconceituosas (inclui-se aí a homofobia). Não é um fato que surge do nada. A internet apenas está aflorando aquilo que está enraizado na nossa cultura. Somos produtos de um país marcado pelo genocídio, torturas, ditadura, escravatura e injustiças sociais. Muitas vezes, injustiças cometidas com a justificativa de que era necessário para “combater o mal” e “salvar” o Brasil. O livro “Brasil: uma biografia”, da antropóloga Lilia Schwarcz e da historiadora Heloisa Starling, dá uma pista para entender quem fomos e quem somos hoje. Vejamos, abaixo, o que a obra diz. Nossa história começou com o genocídio da população indígena, chamada hoje eufemisticamente de “encontro” de sociedades. O morticínio reduziu uma população estimada na casa dos milhões, em 1500, para cerca de 800 mil atualmente. Depois veio o sistema...