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Duendes-garis da Xuxa

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Jessé Souza* Chegar à Serra do Tepequém, no Município de Amajari, Norte do Estado, logo depois de enfrentar aquela curva íngreme e sinuosa, requer uma parada para tirar foto e observar a beleza que é aquele lugar, mediante uma visão panorâmica e espetacular da natureza. Quem vai em um carro pequeno precisa parar mesmo a fim de descansar o motor forçado pela lei da gravidade.    Ali, naquele local de parada obrigatória, existe uma pequena lixeira onde as pessoas acabam lançando seus resíduos, como latas, plásticos e garrafas. Como não há um serviço público que recolha o que for depositado ali, o recipiente logo enche e o lixo inevitavelmente vai parar no chão.  O trânsito de gente por ali é intenso, todos em busca das cachoeiras ou de uma subida ao platô. Mas, infelizmente, boa parte dessas pessoas não vai com consciência de turista ou de reciprocidade com o meio ambiente. Muitos vão apenas para aproveitar o que tem de bom, sem se preocupar em dar sua parcela de c...

Panela de pressão

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Jessé Souza* Desde quando a violência em Roraima começou a se intensificar, a partir de fugas nos presídios e onda de assaltos, venho comentando sobre o risco do surgimento de grupo de extermínio, uma vez que, quando o Estado não cumpre com suas obrigações na segurança pública, surgem quem se arvore no poder de agir com as próprias mãos. A Operação Bastilha, cujos réus começaram a ser julgados, é a prova concreta do início da organização do crime, com envolvimento de policiais e outros agentes do Estado. O grupo só não avançou mais porque as autoridades agiram rápido na investigação e na prisão dos envolvidos. Porém, junto com as investigações não foi efetivada uma política de governo para combater as principais raízes da violência, fazendo com que só aumentasse a superlotação nos presídios, onde surgiram inclusive facções criminosas. Agiram nos efeitos sem atacar as causas. Na outra ponta, vítima da insegurança e sem esperança de que os governos irão reverter esse quadr...

Olhando para o passado para não errar no presente

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A Escola Euclides da Cunha, fundada em 23 de dezembro de 1949 e que formou gerações quando em Roraima sequer havia ensino superior, ganhou revitalização, obra realizada pelo Governo do Estado (Foto: Divulgação) e entregue na tarde desta terça-feira. Conhecida como Ginásio Euclides da Cunha, o GEC, quando ainda pertencia à Prelazia do Rio Branco, hoje Diocese de Roraima, o prédio fica localizado no Centro Histórico de Boa Vista, em uma área atrás da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo. A própria governadora Suely Campos (PP), que inaugurou a obra (Foto: Divulgação), foi aluna daquela instituição de ensino, bem como dois ex-governadores, o economista Getúlio Alberto de Souza Cruz e o engenheiro Neudo Campos, além de inúmeras outras autoridades que atualmente ocupam postos de destaque no Estado. O GEC fica exatamente em frente ao terreno onde havia o prédio do primeiro hospital de Roraima, o Nossa Senhora de Fátima, que foi demolido no final do ano passado, por iniciativa da...

Caixinha da mediocridade

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Jessé Souza* A Globo que, insistentemente tenta fazer crer que a corrupção no Brasil é invenção de um único partido ou dos “comunistas”, é a mesma que tenta nivelar por baixo o brasileiro por meio de seus telejornais, filmes e novelas. O filme (se é que se pode chamar de filme) que passou na “Tela Quente” de segunda-feira, intitulado “Sorria, você está sendo filmado”, é um exemplo clássico disso. Usando palavrões sem medida e linguagem chula em todas as falas dos personagens (sim, todas), essa programação cairia bem como estória de mesa de bar, onde pudores e respeito não são critérios na conversa entre interlocutores alcoolizados. E, ainda assim, nem sempre todos que estão em uma rodada de botequim costumam ultrapassar o limite do bom senso. O “Sorria, você está sendo filmado” jamais poderia ser tratado como um filme a ser exibido, sob qualquer pretexto, em horário nobre. Fosse uma exibição na madrugada, quando uma pessoa opta por ligar a TV em vez de estar dormindo, ainda ...

Décadas de atraso

Jessé Souza* Quanto tempo muitos estão atrasados ideologicamente? Pelas minhas contas, cerca de oito décadas e meia em relação a países desenvolvidos, como nos Estados Unidos. Senão, vejamos. Essa mesma questão que surge hoje, no Brasil, com relação aos homossexuais, nos EUA começou na década de 40, no tempo da guerra fria, quando ser gay significava “ser comunista” e, portanto, deveria ser combatido. Naquela década, os homossexuais passaram a ser investigados, perseguidos e até mesmo atacados pelo governo norte-americano, com a polícia fechando bares e boates GLS, dando porrada em seus frequentadores. Somente na década de 50 que as lideranças homossexuais começaram a reagir, com ações muitos semelhantes que se vê hoje, no Brasil, a exemplo da Parada Gay. O grande golpe a este movimento ocorreu somente na década de 80 e 90, quando Aids começou a matar homossexuais, a partir de quando setores da imprensa norte-americanas e entidades de defesa dessas minorias perdendo força e ...

De baixo para cima

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Jessé Souza* Eu não fico buscando privilégios. Só busco o que for justo. E reclamo se algum direito não apenas meu, mas também coletivo, estiver sendo transgredido. E foi o que ocorreu esta semana passada, quando me dirigi a um órgão público tirar um documento. Cheguei cedo, mas não mais cedo do que muitos que já estavam ali antes de o sol raiar. A fila começa na frente do prédio, exatamente na calçada, onde as pessoas têm apenas duas opções: ficar em pé ou sentar na sarjeta, mesmo que lá, na área externo do órgão, dentro dos muros, aja um corredor de espera com várias cadeiras. Não me incomodo de ficar na fila nem procuro conhecidos ou esperteza para não ficar na espera, assim como os demais. E ficamos ali, sentados na calçada, olhando o trânsito fluir, na movimentada avenida, até o vigia liberar a entrada. Embora o expediente estivesse marcado para começar às 7h30, não se via movimento para iniciar o atendimento, pois nem todos os servidores haviam chegado ao trabal...

Favela, escolas e presídios

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Jessé Souza* A favelização da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo é a imagem do que os governantes fizeram (ou deixaram de fazer) no sistema prisional nos últimos anos. Talvez sejamos o único presídio do mundo onde as celas para presos são casebres de madeira e lona, como se fosse um subúrbio penitenciário. Essa favela representa fielmente a imobilidade das autoridades em todos os níveis, de Ministério Público ao Judiciário, do Legislativo ao Executivo. Favelado não está somente aquele presídio, mas o sistema prisional em sua totalidade, onde a penitenciária não consegue mais manter os bandidos segregados da sociedade sem as mínimas garantias para que possam cumprir suas penas tendo seus direitos respeitados, como em qualquer nação desenvolvida. Também não consegue ter estrutura mínima para evitar fugas e impedir que criminosos montem um governo paralelo lá dentro, comandando a maioria dos crimes que ocorre hoje no Estado. Ali é um estado de exceção, onde as leis dos pres...