Postagens

TV e realidade

Imagem
Jessé Souza Pouco tempo tenho para assistir TV. Mas, na semana passada, enquanto lanchava em um final da tarde, vi algumas cenas da novela Malhação, da Globo, que me levaram a uma reflexão sobre o que está acontecendo com o Brasil a partir do que vem pregando a mídia televisiva, cada vez mais apelativa em todos os sentidos. Na primeira cena, três personagem que faziam o papel de adolescentes trocavam de roupa como se fosse algo tão natural, a ponto de eu me senti um retrógrado, pois lembro que, até a minha adolescência, na década de 80, era difícil ver uma mulher com roupas íntimas, a não ser na revista Hermes, aquela de se fazer pedido pelos Correios. Hoje se vê às 18h na TV. Na cena seguinte, apareciam alunos em completo desrespeito ao professor em sala de aula: um estudante tocando violão, sentado sobre a mesa, uma aluna rebolando, como se estivesse na pista da balada, e os demais fazendo batuque ou observando a cena, enquanto o mestre (negro, não por acaso) entrava n...

Bike e trânsito

Imagem
Jessé Souza* As mortes que ocorreram em ciclovias recém-implatadas na cidade de São Paulo, no mês passado, servem de alerta para Boa Vista, que está em vias de implantar ciclovias e ciclofaixas, conforme projeto que chega à casa dos R$60 milhões. Se não houver não apenas planejamento, mas principalmente um ordenamento completo no trânsito, isso poderá custar a vida de pedestres ou mesmo ciclistas. O fato é que, historicamente, as bicicletas vêm competindo com veículos automotores, obviamente representando a parte mais fraca no trânsito. Muitos ciclistas, sem noção alguma de trânsito, se aventuram pelas apertadas ou largas ruas e avenidas de Boa Vista, principalmente na vias arteriais que ligam os bairros ao Centro e vice-versa. As ciclovias chegarão para ordenar esse caos. Porém, como ocorre em outras cidades, muitos condutores de veículos automotores acabam não querendo respeitar as sinalizações, achando que lugar de bicicleta é na calçada junto com pedestres ou que nem dev...

Além da casa

Imagem
Jessé Souza* Os programas habitacionais do governo deveriam ter uma dimensão maior para poder beneficiar, de fato, quem necessita das casas, pois geralmente estas pessoas não conseguem se habilitar nos financiamentos por problemas na documentação ou por estarem negativadas nos órgãos de defesa do consumidor. Sendo assim, seria necessário que os programas habitacionais viessem precedidos de atendimento a estas pessoas desde a inscrição, para que pudessem ser orientadas sobre documentação e reabilitação de crédito. Como isto não ocorre, aqueles mais necessitados ficam impedidos de conseguirem a casa própria. Depois que as pessoas fossem beneficiadas com as unidades habitacionais, os programas sociais deveriam prosseguir junto a estes conjuntos habitacionais para que a dignidade de ter uma moradia seja ampliada com acompanhamento à infância, a pessoas desempregadas, violência doméstica e famílias desestruturadas. Como inexiste isso, muitos não vão muito longe e são assediad...

Do povo?!

Imagem
Jessé Souza* Qualquer decisão que o Supremo Tribunal Federal (STF) tomasse com relação à homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em 2009, um dos lados iria sair perdendo algo. Não haveria uma decisão “justa”, porque decisões judiciais nem sempre são justas, assim como nem todas as leis são justas. A mais alta Corte do país decidiu favorável aos índios, pondo fim a uma disputa judicial longa, batalha esta que, antes de chegar à esfera judicial, durante 30 anos provocou intensos conflitos entre índios e fazendeiros, índios e arrozeiros, índios e garimpeiros, índios contra índios. Não havia como equacionar essa disputa sem que alguém saísse perdendo algo, já que ninguém estava disposto a ceder. Porém, como todas as forças políticas, judiciais e governamentais foram mobilizadas contra a demarcação, houve uma estigmatização do índio, colocando-o como “o” bandido, imagem esta que é usada para culpar as populações indígenas por tudo de ruim que acontece em Roraima e para...

Tudo errado

Imagem
Jessé Souza* O que está ocorrendo com os boa-vistenses, submetidos a uma onda de violência, não é um problema apenas do governo. Ela é resultado da imobilidade de toda a sociedade organizada, de todos os poderes que deixaram de agir por longos anos, dos fiscais aos executores de políticas públicas. Embora possamos apontar para este ou aquele governante, a raiz de tudo está no âmago de nossa sociedade, que se acomodou na venda de votos, em entrar na fila da cesta básica e em pedir favores governamentais, sem se preocupar em fazer cobranças e escolher melhor seus representantes. O problema também está nos governantes, que nada ou pouco fizeram para evitar que os problemas chegassem a este nível. Também está nos parlamentares, que nada fiscalizaram e que cumprem seus mandatos apenas agindo em benefício próprio ou de seus grupos, se reelegendo usando as armas de sempre: compra de voto e mentiras espetaculares de promessas de desenvolvimento que nunca chega. A culpa está nos ó...

Que jamais esqueçamos!

Imagem
Jessé Souza* Quem assistiu ao programa Fantástico, da Globo, no domingo à noite, teve uma noção de como o homem pode destruir-se e ferir de morte o Planeta com suas bombas atômicas. Hiroshima e Nagasaki são os maus exemplos que nunca devem sair da memória do ser humano. E as tristes imagens precisam ser repetidas, a todo custo, para que as gerações possam ter uma pequena noção do sofrimento imposto a um povo que até hoje sofre as danosas consequências. As novas gerações também não podem ser poupadas das terríveis imagens dos campos de concentração nazista, criados por Adolf Hitler, um dos mais sanguinários ditadores da História da humanidade. Não se trata de impor um “sofrimento gratuito” às pessoas, mas de fazer senti-las como a crueldade humana pode lançar-se sobre aqueles cujos poderosos acham que devem ser eliminados. O que não se pode admitir é a exploração de imagens isoladas do sofrimento humano, como ocorre hoje nas redes sociais, sem contexto histórico e sem propós...

Na base do ‘te vira’

Imagem
Jessé Souza* Não é novidade o atendimento ruim no comércio boa-vistense. A chegada da concorrência, por enquanto, ainda não foi capaz de proporcionar uma melhoria no serviço para receber e atender o público. Até porque o serviço nos shoppings é daqueles no balcão ou do que deixa o cliente com uma máquina de leitura de código de barra na base do “te vira”. Em alguns casos, nem mesmo uma simples informação as atendentes de shopping querer fornecer, não sei se por orientação de seus chefes ou porque elas acham que, nesse “self” de compra dos shoppings, as atendentes devem agir como máquinas programadas e sem nenhuma emoção diante do cliente. Nesses últimos meses, tenho percebido outro comportamento de alguns vendedores: o de mostrar que sabem muito sobre um produto sem saber realmente, passando a inventar mentiras que podem colar muito bem para um leigo, mas nunca para quem realmente conhece aquele serviço ou produto por força da profissão, por exemplo. Mas, no geral, o ca...