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Política com chocolate

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Jessé Souza* O caso da faxineira acusada de furtar um chocolate da mesa de um delegado da Polícia Federal ganhou contornos amplos, nas redes sociais, por um simples fato: a corrupção generalizada no Brasil com sua impunidade com os grandes faz parecer “inocente” qualquer erro de um cidadão comum. Não estamos acostumados a ver punidos os grandes, os engravatados, os políticos, os governantes. Não podemos nos esquecer que, em Roraima, temos um ex-governador cassado duas vezes, pela Justiça Eleitoral, mas que conseguiu não apenas terminar seu mandato, como também saiu ileso, sequer com uma acusação de corrupção eleitoral. Temos ainda o grande escândalo dos “gafanhotos” cujos principais acusados fazem parte da elite política roraimense, mas todos conseguindo se livrar aqui e acolá das acusações, inclusive os condenados alcançando liminares para que suas vidas políticas sigam como se nada tivesse acontecido. Essa sensação explícita de impunidade faz com que as pessoas achem q...

Carona na 924

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Jessé Souza * A matéria divulgada pelo Fantástico, da Globo, neste domingo, obviamente não representa a realidade de toda Polícia Militar brasileira. Porém, ela não faz revelações tão somente de como agem os maus policiais no país do Petrolão, mas também de como a honestidade passou a ser tratada por aqueles que optam pelo caminho da bandidagem. Todos os atos criminosos praticados pelos doze policiais do Rio Grande do Norte, no exercício de suas funções, usando a viatura 924 em plantões diferentes, indignaram a opinião pública. Embora os comportamentos dos agentes do Estado sejam deploráveis em todos os sentidos, um fato chamou atenção: a fala de um deles zombando da atitude de um colega policial honesto. O policial corrupto, em tom de deboche, critica o colega de farda que afirmou que a honestidade era seu maior patrimônio. E fez questão de frisar que o seu colega, o honesto, andava em um carro “modelo antigo”, enquanto ele, o corrupto, havia comprado uma picape que custou ...

Arrocha na multa!

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Jessé Souza * Nos últimos dias, o Estado colocou todo o seu aparato para arrochar os condutores de veículos irregulares. As blitze diárias podem até passar uma sensação de que as autoridades estão mesmo interessadas em organizar o trânsito. Mas não é bem assim. Organizar o trânsito não significa sitiar as vias públicas para multar e apreender. Blitz é importante para fazer com que os condutores passem a andar dentro da lei, cumprindo com suas obrigações. Mas essa ação é (ou deveria ser) apenas parte do processo, pois até agora tem servido apenas para aplacar a fome arrecadadora do Estado, que não tem mais dinheiro sequer para pagar o salário dos servidores em dia. Organizar o trânsito significa sair do ar-condicionado dos gabinetes e da cabine dos carros, gastando gasolina na cidade. É preciso ocupar a cidade com agentes de trânsito monitorando semáforos e faixas de pedestres, orientando condutores, ciclistas e pedestres em cruzamentos ou outros pontos de grande movimento....

Bonitinha, mas...

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Jessé Souza* O caso da “prefeita ostentação”, como ficou conhecida a prefeita afastada de Bom Jardim (MA), Lidiane Leite da Silva, de 25 anos, é um fato para ser analisado à luz do comportamento do brasileiro em relação a aparências e do preconceito. Para que ainda não sabe, é bom frisar que ela está presa por roubar o dinheiro da merenda escolar. Com toda certeza, ela foi eleita pelos moradores daquela cidade pobre do Maranhão por sua aparência e provavelmente por suas enganações advindas da demagogia de políticos que sabem que o povo costuma a se submeter a este tipo de expediente. Era tão segura de suas artimanhas, que ostentava nas redes sociais sua riqueza conquistada roubando merenda das criancinhas. “Mas como pode uma moça tão bonita roubar assim?”, espantaram-se aqueles que medem as pessoas pela superficialidade das aparências. Isso é tão real que pode ser ampliado para outros casos: “Era tão bonita para morrer assim...”. Ou seja, se fosse feia, poderia morrer da mes...

De boa

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Jessé Souza * Surgiu nas redes sociais o “deboísmo”, um neologismo considerado uma corrente filosófica, cuja principal regra é “viver de boa com a vida”. Os criadores dessa nova tendência (há quem chame de “religião”) criaram uma página no Facebook e começaram a partilhar mensagens que incentivavam o respeito e a calma nas relações entre os usuários das redes sociais. A ideia surgiu de um casal a partir das observações sobre brigas e falta de entendimento entre as pessoas no Facebook. No entanto, os criadores desta “doutrina” afirmam que não se deve confundir os princípios do “deboísmo” com a preguiça ou o comodismo. O objetivo é enfrentar e debater os problemas ou desafios, mas com respeito, calma e, acima de tudo, paz. Trata-se de uma brilhante ideia diante de uma corrente que tem se destacado na internet pregando o ódio e a intolerância na política, nas relações humanas e principalmente na religião. Um etnocentrismo que está descambando para o fascismo ou nazismo. H...

Trocando o bonde

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Jessé Souza* A educação tradicional do giz e do quadro negro já vem sendo superada há um certo tempo com a chegada de novas tecnologias. E não estou me referindo somente à internet, mas também a instrumentos como notebook, data-show, celular e outros equipamentos que podem gerar arquivo e imagens. A internet com o Google e redes sociais, como Facebook e o Youtube, fisgou definitivamente o público mais jovem, mas bem mais jovem mesmo, beirando a pré-adolescência, que tem buscado novas maneiras de se relacionar com amigos e com mundo por meio de “likes”, “seguidores” e “compartilhamentos”. E a escola precisa acompanhar isso, levar o que é bom para dentro de sala de aula para que ela possa começar a conversar de forma bem aproximada com essa nova turma plugada na internet. Não adianta mais tão somente proibir o celular com internet e suas várias possibilidades de pesquisas e interação.  O problema é que a maioria das escolas públicas está longe desta realidade, pois m...

Boitatá voador

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Jessé Souza* Não vou cansar de repetir isso: Boa Vista é do tamanho de um bairro de Manaus ou de uma grande metrópole, em termos populacionais. E o detalhe importante é que nossa Capital concentra a maior parte da população do Estado. Isso significa dizer que Boa Vista é uma cidade-Estado, mas que equivale a um bairro de qualquer capital brasileira mais desenvolvida. Porém, esse fato tem outro aspecto a ser observado. Significa que temos 24 deputados, 21 vereadores, uma governadora, uma prefeita, oito deputados federais e três senadores para cuidar de uma cidade do tamanho de um bairro de uma capital brasileira. Então, surgem as perguntas: Por que tem tanta gente eleita e paga com dinheiro público (leia-se dinheiro de nossos impostos) para administrar uma cidade do tamanho de um bairro, mas não se consegue resolver os principais problemas que afetam a população? Incompetência? Desleixo? Falta de vontade? Ou o quê? Nas grandes cidades, uma subprefeitura consegue comanda...