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Flores e realidade

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Jessé Souza* A avaliação sobre a próxima campanha eleitoral, quando será disputada a Prefeitura de Boa Vista, é muito fácil de ser feita agora. Os políticos vão tentar resolver os problemas mais urgentes da cidade porque sabem que o eleitor estará mais exigente no pleito de 2016. No caso de nossa Capital, o boa-vistense aprova que a cidade se pareça a um jardim, mas não suporta mais a situação da falta de estrutura no trânsito, as poucas vagas na educação infantil, as praças caindo aos pedaços, ruas esburacadas, alagamentos e mau atendimento na saúde pública. Durante esses últimos anos, quase nada foi feito para resolver esses problemas que nem deveriam mais existir (pelo menos na extensão a que chegaram), uma vez que sabemos que recursos federais chegam aos montes, mas eles não foram aplicados como deveriam. Para tentar calar os críticos e agradar o cidadão eleitor, estão instalando semáforos nos lugares das rotatórias que eram cheias de flores, pontos de alagamentos es...

Projeto político

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Jessé Souza* Não faz muito tempo, o governo local realizou uma solenidade para anunciar a chegada da banda larga em Roraima. Foi semelhante a como se fosse uma vila isolada qualquer comemorando a chegada da energia elétrica. Como já tivemos autoridades que foram festejar a inauguração da escada rolante no Aeroporto Internacional de Boa Vista, fazer festa para internet até foi justificável. Mas já tivemos outras festas feitas para fazer parecer que estava chegando o sonhado desenvolvimento, a exemplo da conclusão do asfaltamento da BR-174, da interligação da energia de Guri e a conclusão da ponte que liga o Brasil à Guiana. Mas, afinal, por que esse desenvolvimento nunca chega? No início da década de 90, os políticos tinham boca doce para dizer que Roraima era “terra de oportunidades”, muito embora até agora só se comprovou que é “terra de oportunistas”. As coisas não avançam. A BR-174 não foi a redenção, a energia de Guri teve o prazo vencido e a internet é uma porcaria...

Antigos monstros

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Jessé Souza* Seria perfeitamente aceitável uma pessoa qualquer, na década de 80, no período pós 2ª Guerra Mundial e no auge da Guerra Fria, subir em cima da mesa e bradar com todas as forças de seus pulmões contra o comunismo, o socialismo e coisas afins. Afinal, o mundo naquele momento fazia todo o sentido. O comunismo morreu com a queda do Muro de Berlim (no que pese a existência de uns resquícios na China, Cuba e Coreia do Norte, este o mais radical de todos), a viagem do homem à lua não é mais um assombro, a Guerra Fria foi derrotada por acordos comerciais e a internet, que servia para ações secretas, hoje está no celular de qualquer curumin. Porém, algumas cabeças ainda não conseguiram assimilar o turbilhão de transformações que foram processadas depois da década de 70, com a efervescência dos anos 80 e a velocidade dos anos 90 até chegar à aldeia global dos anos 2000. Essas pessoas falam de comunismo como se estivessem no auge da Guerra Fria, quando a ideologia c...

Caixotes de cimento

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Jessé Souza* Alunos e professores da Escola Estadual Carlos Drummond de Andrade, no bairro Pricumã, na zona Oeste, bem que tentaram salvar o igarapé Pricumã, por meio de campanhas educativas envolvendo alunos da comunidade, mas não conseguiram. Porém, a Prefeitura de Boa Vista, sob a alegação de que iria preservá-lo, tacou-lhe cimento em seu leito, ou seja, fez a canalização sob a alegação de que isso iria preservar o manancial. Hoje, o igarapé Pricumã virou um imenso canal de cimento, sem vida, sem mata ciliar e, se não houver a tubulação, irá virar esgoto a céu aberto. O mesmofoi feito com o igarapé Mirandinha. Sem interesse em investir para recuperar o que estava degradado, as autoridades municipais enterraram o manancial, o sepultando em túmulos de cimento, que nada mais é do que a maldita canalização. Outros igarapés morreram por falta de interesse das autoridades e órgãos ambientais em preservá-los, a exemplo do Caxangá, Grande, Tiririca e Mecejana. A desculpa sã...

Clima e desleixos

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Jessé Souza* As mudanças climáticas que atingem Roraima são fortes sinais de que as autoridades não podem mais trabalhar com a mesmice e acomodação de climas bem definidos, como se fazia em um passado não muito distante, quando havia um período de chuvas abundantes e outro de estiagem. O Estado está atrasado quase duas décadas, depois que ocorreu o grande incêndio em 1998, quando os olhos da imprensa mundial se voltaram para Roraima. De lá para cá, algo mudou em termos de estrutura e tecnologia para enfrentar incêndios e prevenir queimadas descontroladas. Porém, continuamos a patinar a cada seca mais forte, com as populações de municípios sofrendo com o desabastecimento de água potável e os riscos de incêndios de grandes proporções, além da agricultura e rebanhos sofrendo com a seca de pastos e açudes. Quando chove, embora não seja mais aquele inverno do passado, pontes, bueiros e estradas se rompem em evidente sinal de falta de planejamento por parte dos governos. Mesmo q...

Vendem-se bênçãos

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Jessé Souza* É difícil ficar acreditando em um país no qual a briga de um casal de artistas vira notícia séria no maior programa dominical da TV. Enquanto a crise de um casal famoso é tratada com destaque, a verdadeira crise brasileira fica longe das discussões sérias, a não ser quando o fato serve para beneficiar as elites do país que sempre quiseram tomar o poder pelo golpe. Mas, pensando bem, a mesma matéria que tratou da fofoca do casal em crise Chimbinha e Joelma trouxe um pouco de luz sobre outro fato sério que vem ocorrendo no Brasil, se aproveitando de todas as demais crises brasileiras: a crise da moral, a crise financeira, a crise da educação e a crise na saúde pública. Esse fato trata-se da religião como comércio e as igrejas como uma empresa como qualquer outra, a qual traz a fé como mercadoria principal. No caso da dupla da banda paraense, Chimbinha relatou na entrevista que sua ex-esposa estava sendo influenciada por uma “guru espiritual”. Na verdade, essa “g...

Demônio e tecnologia

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Jessé Souza* Não sei qual a pretensão das pessoas em querer enxergar somente o lado negativo sobre o avanço das tecnologias e de suas extraordinárias expansões por toda nossa vida, incluída aí a internet com suas redes sociais. Não consigo enxergar o demônio em querer dar um objeto tecnológico como presente para uma criança, como o repórter insistiu em dizer na entrevista televisa logo pela manhã. É verdade que minha imaginação trabalhou muito com meus carrinhos feitos de lata de leite Ninho puxado a corda ou da cortante lata de sardinha usada, que virava uma extraordinária caçamba para asfaltar as estradas imaginárias construídas no fundo do quintal. E o perigo era cortar o dedo e pegar o tétano que nossas mães alertavam como se fosse algo apocalíptico. Mas por que a criança não pode exercer a mesma magia e imaginação com o Minecraft? Parêntese: eu sei que eles já estão em outra, mas deixa-me falar desse game assim mesmo. Por que o Google não pode ajudar na pesquisa escol...