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Zaralho de asa

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Jessé Souza* Quem conhece a Praça da Bandeira sabe que ali era um lugar para as famílias se encontrarem, com feirinhas nos fins de semana e feriados prolongados. Era também um lugar de eventos cívicos para os estudantes e, em outras épocas mais distantes, de solenidades oficiais em datas importantes. Portanto, as quadras de esportes eram apenas um complemento dentro desse contexto, não era algo em destaque e com prioridade, pois a praça servia também como um espaço ao ar livre para as pessoas passarem o tempo, passearem com a família e observarem o visual de uma cidade de céus sempre limpos e bonitos.   Mas eis que a Prefeitura de Boa Vista, sem respeitar a História e o contexto, construiu um ginásio coberto, parecendo um monstro de lata que surgiu como se fosse em um filme de Transformer intervindo na realidade dos seres humanos, o que descaracterizou completamente o lugar, enterrando mais uma vez o respeito aos lugares históricos. Esse não é o único e primeiro ...

Um sobrevivente

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Jessé Souza* Quem nasceu nos anos 70  vivenciou  bruscas transformações e, quem não se enquadrou nelas, ficou perdido no tempo e no espaço. Sou um sobrevivente. Cheguei aos anos 80 na adolescência e caminhei minha juventude nos anos 90. De 1970 até 1990, o mundo entrou em ebulição com o período da Guerra Fria até a derrubada do Muro de Berlim – que também pode ser simbolizado por outros muros. Nesse período, os jovens saíam do Ensino Médio e entravam para a faculdade com uma ideologia. A escola no período pós Revolução Industrial não significava apenas um sonho de ascensão no extrato social. Era muito mais que isso. Como vivíamos em mundo dividido entre capitalismo e comunismo, o estudante se engajava nas lutas contra o sistema, contra a exploração da mão de obra e pela politização das massas. Era pura utopia. Naquele momento ninguém sabia para onde iríamos caminhar, já que não existia algo que fosse centralizado e controlado, como se faz hoje com a internet, en...

Régua do mundo

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Jessé Souza* Recentemente, conheci um cubano que está de passagem por Roraima tentando chegar aos Estados Unidos. Ele só fala nisso. Acha que vai conseguir atravessar a fronteira de forma ilegal, se estabelecer, ganhar um “Green Card” ("Cartão de Residência Permanente nos Estados Unidos", um visto permanente de imigração concedido pelas autoridades daquele país) e ganhar muito dinheiro. Ele não consegue enxergar que, por onde passa, está sendo ajudado e encontra pessoas que acreditam na boa-fé e no sonho dele. E o ajudam, inclusive oferecendo trabalho para ele juntar dinheiro. Ao achar que a felicidade está apenas nos EUA, não consegue perceber que poderia se estabelecer em qualquer país da América Latina, recomeçar a vida e encontrar a felicidade. Já estive nos Estados em 2004 fazendo um intercâmbio cultural e profissional. Eu tinha ajuda de custo da Embaixada norte-americana para me manter, me locomover e me hospedar. Então, não tive que batalhar nada, a não ser ...

TWD do lavrado

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Jessé Souza * The Walking Dead, ou simplesmente TWD,  é um seriado norte-americano que também ficou famoso no Brasil. O enredo é muito fácil de ser entendido: a transformação da vida na Terra após um apocalipse zumbi, em que boa parte da humanidade foi infectada por um vírus misterioso que os transforma em mortos-vivos. Tirando as cenas de terror que mostram sangue e decapitações, o filme nos remete a uma profunda reflexão sobre o que seríamos caso perdêssemos tudo que hoje está em nossa volta: família, lar, bens materiais, vaidade, sobrevivência.... Como o mundo passou a ser dos zumbis, as pessoas que ainda restam passam a ser apenas sobreviventes desta nova terra. Na luta pela sobrevivência, em que um pedaço de chocolate ou tomar banho passam a ser algo extraordinário, começamos a refletir sobre nossas vidas e no que nos tornaríamos, caso não tivéssemos mais nada do que possuímos hoje. Então, me veio uma reflexão sobre no que os maus políticos de Roraima nos transf...

Trânsito e papelão

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Jessé Souza * Por que têm ocorrido muitos acidentes com mortes violentas no trânsito a cada semana? Somos um Estado de condutores irresponsáveis? Ou de motoristas ruins e mal-formados? Ou somos reflexos de um Estado onde as autoridades de trânsito estão falhando? Embora possa parecer difícil a resposta, ela não é complicada de ser respondida. Somos consequência de tudo isso e mais um pouco. Senão, vejamos, a começar pela formação de condutores. Não faz muito tempo, antes da mudança para o atual Código de Trânsito Brasileiro (CTB), éramos um Estado onde Carteira de Habilitação era distribuída como se doava buchada na fila do assistencialismo. O governo local fazia campanha eleitoral distribuindo habilitação em grandes “mutirões” no interior do Estado. Os candidatos e políticos organizavam caravanas com churrasco, cachaça e forró nos municípios onde os “testes” iriam ser feitos.  Esses “testes” poderiam ser feitos assim, pois não haveria muita diferença: jogar a ca...

Flores e realidade

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Jessé Souza* A avaliação sobre a próxima campanha eleitoral, quando será disputada a Prefeitura de Boa Vista, é muito fácil de ser feita agora. Os políticos vão tentar resolver os problemas mais urgentes da cidade porque sabem que o eleitor estará mais exigente no pleito de 2016. No caso de nossa Capital, o boa-vistense aprova que a cidade se pareça a um jardim, mas não suporta mais a situação da falta de estrutura no trânsito, as poucas vagas na educação infantil, as praças caindo aos pedaços, ruas esburacadas, alagamentos e mau atendimento na saúde pública. Durante esses últimos anos, quase nada foi feito para resolver esses problemas que nem deveriam mais existir (pelo menos na extensão a que chegaram), uma vez que sabemos que recursos federais chegam aos montes, mas eles não foram aplicados como deveriam. Para tentar calar os críticos e agradar o cidadão eleitor, estão instalando semáforos nos lugares das rotatórias que eram cheias de flores, pontos de alagamentos es...

Projeto político

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Jessé Souza* Não faz muito tempo, o governo local realizou uma solenidade para anunciar a chegada da banda larga em Roraima. Foi semelhante a como se fosse uma vila isolada qualquer comemorando a chegada da energia elétrica. Como já tivemos autoridades que foram festejar a inauguração da escada rolante no Aeroporto Internacional de Boa Vista, fazer festa para internet até foi justificável. Mas já tivemos outras festas feitas para fazer parecer que estava chegando o sonhado desenvolvimento, a exemplo da conclusão do asfaltamento da BR-174, da interligação da energia de Guri e a conclusão da ponte que liga o Brasil à Guiana. Mas, afinal, por que esse desenvolvimento nunca chega? No início da década de 90, os políticos tinham boca doce para dizer que Roraima era “terra de oportunidades”, muito embora até agora só se comprovou que é “terra de oportunistas”. As coisas não avançam. A BR-174 não foi a redenção, a energia de Guri teve o prazo vencido e a internet é uma porcaria...