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Largados nos confins

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Estrada em Uiramutã: descaso (Foto: Exército) Jessé Souza* A cada lugar que visito, no interior de Roraima, encontro alguém explorando o turismo receptivo sem qualquer apoio ou reconhecimento por parte dos fomentadores que usam o setor para fazer propagandas ou ganhar dinheiro. O Município do Cantá, por exemplo, que fica ao lado de Boa Vista, a Centro-Leste do Estado, é uma região rica em potencial turístico, mas sem nenhum reconhecimento governamental. Até existem algumas iniciativas que visualizam essas ações que por lá são desenvolvidas por empirismo das pessoas ou porque compreendem a importância desse mercado, na raça mesmo. Porém, não há um investimento como política de governos para que esse setor possa crescer, gerar emprego e renda para as comunidades lá inseridas, além de mostrar que é possível explorar economicamente as belezas naturais com a floresta em pé, rios e lagos preservados e a natureza intacta. O Cantá é apenas um exemplo. Mas essa desassistê...

ETs e humanidade

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Foto: JORGE CASTELLANOS/ EFE Jessé Souza* A Bíblia dos cristãos e os livros sagrados de outras religiões pregam que todos somos iguais perante o divino, filhos de um ser superior, humanos que devem se tratar como iguais. Mas, embora a religião seja presente em todos os países, o ser humano se divide por fé, por fronteiras, por extremismos religiosos ou mesmo etnias. Os seremos humanos não querem ser iguais e se mostram os únicos seres da Terra que não são pacíficos, ou seja, fazem guerra para buscar a paz. Conforme mostram os filmes hollywoodianos, talvez os seres humanos se sentiriam iguais, irmãos da mesma causa e da mesma raça, se chegassem os ETs, seres superiores, querendo se apossar da Terra. Ainda assim, talvez houvesse uns humanos traidores com mais poder tentando se aliar aos ETs para tentar oprimir os seus iguais a fim de conseguir algum privilégio entre as raças superiores de outras galáxias. Mas isso já seria história para os filmes de Hollywood de “After Da...

Chama, Juma e truques

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Reprodução/Twitter Jessé Souza* O brasileiro vem sendo contaminado desde cedo, pela cultura televisa, a cultuar ídolos.  O endeusamento à “caixinha mágica” criou uma atrofia intelectual nas pessoas. Desta forma, da tela televisiva surgiu uma fixação por endeusar personalidades vazias e passageiras, daí foi um passo para se tornar uma cultura, a cultura do superficial e descartável.  Bestializado pela TV, o brasileiro aprendeu a agir como boiada. Basta uma propaganda um pouco mais elaborada, uma lavagem cerebral em forma de telenovela ou uma enganação embrulhada em “Jornal Nacional” para que os cidadãos sejam submetidos a uma histeria coletiva. Não só os ídolos são galgados a pedestais como se fossem deuses a serem adorados e seguidos. Propagandas comerciais se transformam em “atos cívicos”, uma hipnose coletiva que faz com que eventos feitos para gerar fortunas se pareçam a atos de brasilidade. O truque da Tocha Olímpica é um desses exemplos clássicos. Um ...

Gangue do Brasil

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Jessé Souza* Embora seja pauta obrigatória em quase todos os veículos de comunicação do Brasil, muitas pessoas não têm noção do que é a Operação Lava Jato e da sua extensão, a qual investiga um dos maiores casos de corrupção generalizada que se tem notícia desde a chegada de Pedro Álvares Cabral (“um cascudo não faz mal”, diria na escola se fosse no tempo da minha infância). O que a investigação aponta é que os políticos de todos os partidos e de todas as matizes usavam os cofres da Petrobras para ganhar dinheiro ilicitamente, seja para bancar suas campanhas eleitorais, seja para roubar na expressão mais popular a fim de ficar rico de forma desonesta. Um parêntese: ser rico não é pecado nem algo abominável, desde que seja de forma honesta. Em outras palavras, saquearam o quanto puderam dos cofres da maior estatal brasileira e também se lambuzaram com os recursos de outras estatais, deixando o País completamente falido. E isso não ocorria somente lá em cima. Na verdade, o e...

O purgatório

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Imagem:  oeuinsolito.wordpress.com Jessé Souza* É preciso viver o problema para ter uma noção de como ele é. Estou me referindo à situação do atendimento no Hospital Coronel Mota. Tenho recorrido ao Sistema Único de Saúde (SUS) para resolver um problema neste corpo cansado de batalha, e me deparei com uma triste realidade ali. Não se trata de mau atendimento em si, pois há servidores fazendo o possível. Há uma desorganização completa, desumana, que pune não somente o paciente, o mais prejudicado, mas também os servidores que ali estão trabalhando no limite, visivelmente estressados pela desordem a que eles são submetidos. O paciente, este que já está sofrendo por seus problemas de saúde, é duplamente penalizado quando chega ao hospital, principalmente se ele não conhecer como funciona aquele amontoado de gente com os mais diversos problemas de saúde em um prédio público velho. Vez por outra, uma servidora que faz o atendimento dos pacientes tem que sair de sua ...

Beco sem saída

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Imagem:  ffescritor.wordpress.com Jessé Souza* O que os bandidos estão fazendo no sistema prisional é consequência de anos de abandono por parte do Governo do Estado. Os presídios tornaram-se uma fachada vigiada por fora por policiais e com os criminosos comandando pelo lado de dentro. Então, quando as autoridades apertam um pouco o cinto tentando controlar a situação, os detentos reagem pressionando o governo. Como a direção do sistema sempre vinha agindo de forma benevolente, fazendo concessões, permitindo privilégios e aceitando a figura de “chefes de alas”, não demorou muito para surgir um poder paralelo dentro dos presídios. Esses privilégios acabaram servindo de adubo para a organização dos presos e, consequentemente, para a instalação de facções criminosas. Esses privilégios, de alguma forma, foram o meio que antigas (e atuais) direções encontravam (e encontram) para que a panela de pressão não explodisse. Como o Estado largou o sistema prisional há década...

Heróis e buraco

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Jessé Souza* Já estamos no fundo do poço há um certo tempo. Não apenas pela corrupção dos grandes, mas também pela ação corruptiva dos pequenos que, se não venderam seu voto, ficam acreditando na mentira de que um nome será a solução para o Estado de Roraima. Achavam que era Ottomar Pinto, que morreu no exercício do cargo de governador e não deixou herdeiros políticos. Muito pelo contrário. Ottomar nos deixou um “herdeiro” que se mostrou uma bomba ambulante, que explodiu em nossas mãos e destruiu o que já vinha definhando no Estado por alguns anos, desde a implantação do assistencialismo.  Ali foi o limiar do que éramos no passado e do que nos tornamos hoje. E o povo continuou acreditando em um nome, em uma imagem, em um herói. Sempre foi assim: quando não apostou em um herói do grupo que simpatiza, cultivou um herói na suposta oposição. Porém, não existe oposição em Roraima. Não temos uma esquerda de verdade. Existem apenas grupos com os mesmos interesses brigando pel...