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Cabeça na bandeja

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Jessé Souza* Não há dúvidas de que é necessário arrumar a casa e tomar medidas drásticas para que o Brasil volte aos trilhos. E a PEC 241 surgiu com esta proposta de ser a “luz no fim do túnel” nesses tempos de severa crise. Porém, o que os defensores do texto da Proposta de Emeda à Constituição da forma que foi aprovada na Câmara não querem enxergar é que apenas o povo será penalizado, como se a vida dos mais pobres já não fosse difícil. Não haverá o mínimo de sacrifício de quem já é milionário e vive com privilégios, a exemplo de parlamentares, magistrados, promotores e os mais ricos que têm dinheiro guardado no exterior. Pelo contrário, os banqueiros serão os mais beneficiados com pagamento de juros na casa dos bilhões. A “PEC da Morte”, como vem sendo chamada, congelará até 2036 todos os gastos na saúde e na educação (como se já não fossem ínfimos), além de mexer na Previdência e no serviço público, com previsões sombrias para o mais os pobres, os assalariados, mulhe...

O piloto sumiu

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Jessé Souza* Quando os mandatários de todos os poderes constituídos, além dos órgãos e entidades que deveriam fiscalizar, mostram-se mais interessados em resolver seus problemas pessoais do que com o bem público, acontece isso: o crime organizado se apodera do Estado. Como a maioria das autoridades deixou de olhar por Roraima, os criminosos se organizaram e montaram um poder paralelo que dá às ordens de dentro dos presídios. Há quase dois anos o sistema prisional vem dando sinais de colapso total, mas pouco se fez antes, durante e depois. Com a carnificina registrada no dia 16 passado, na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, todos se viram obrigados a agir, pois a situação  chegou ao fundo do poço, com as facções criminosas se devorando no que restou de estrutura caindo aos pedaços. Com as autoridades inertes, o tráfico de drogas dominou boa parte dos bairros de Boa Vista, do mais nobre, na zona Leste, ao mais pobre, na zona Oeste. E a área conhecida como Beiral, no...

PEC 241 e a Casa Grande

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Jessé Souza* Anestesiado pela mídia, o povo tem engolido a isca e passou a acreditar que a PEC 241 seria mesmo o remédio amargo que temos de engolir para colocar o Brasil do trilho. Mas, quando os governantes, com apoio da grande mídia, afirmam que “nós” temos que nos sacrificar, eles estão querendo dizer que esse “nós” é tão somente o povo, e não eles da elite política e econômica. A PEC 241 não mexe com o salário dos políticos e de juízes, por exemplo, e muito menos promove cortes nas verbas bilionários destinadas à grande mídia nem nos trilhões para pagar os juros dos banqueiros. O corte é, em grande parte, direcionado à Saúde e Educação, dois setores essenciais para o povo.  Embora a mídia não fale isso, Temer anunciou a PEC somente depois de sancionar um reajuste de até 41,4% para Judiciário e de 12% para o Ministério Público da União (MPU). E a mídia não fala nada porque ela foi a grande beneficiária com o que foi chamado de “trem da alegria” de aumentos de verba...

Hora de ajudar

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Jessé Souza* É uma sensação muito ruim ver diariamente, pela janela do carro, os inúmeros venezuelanos, jovens, adultos e idosos, pedindo moedas nos semáforos de Boa Vista.  Nesta semana, começaram a chegar inclusive garotas adolescentes que ficam limpando para-brisas de carros no semáforo do Ibama.  Não muito distante dali, nas proximidades da Feira do Passarão, o cenário é outro: são inúmeras mulheres venezuelanas que passaram a vender seus corpos nas esquinas do bairro Caimbé, numa feira-livre da prostituição que só se via em grandes centros urbanos.  O quadro foi provocado pela crise sem precedentes que a nossa vizinha Venezuela enfrenta. Antes, éramos nós, brasileiros, que íamos lá em busca de preços melhores para fugir da inflação do lado de cá. Hoje são eles que vêm em busca não de “produtos mais baratos”, mas da sobrevivência, fugindo da fome.  Trata-se de uma questão humanitária, porém, não estamos em um momento bom para ajudar ninguém em cr...

Cada um por si...

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Jessé Souza* A questão do sistema prisional se arrasta por décadas, sem que nenhum governo tenha tomado uma atitude para resolver os problemas. E não haveria outra realidade senão esta que estamos vivenciando: o colapso completo dos presídios, com detentos empoderados por suas próprias leis e agindo por ordens do crime organizado vindas do Rio de Janeiro e São Paulo. Os criminosos estão mais organizados do que nossas autoridades, que tentam remendar os trapos de um presídio condenado à implosão. Não há outra saída senão construir urgentemente um presídio que consiga segregar da sociedade os criminosos que afrontam o poder, impedindo que o sistema prisional se torne uma “universidade do crime”, onde sujeito entra como ladrão de galinha e sai como líder de facção. O que mais chama a atenção é que todas as autoridades estavam sabendo da realidade e foram avisadas sistematicamente de que essa carnificina iria acontecer a qualquer momento. Mas, como ninguém fez absolutamente na...

O tempo...

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Jessé Souza* Há exatos 14 anos, quando estive visitando comunidades indígenas nos Estados Unidos, vi um fenômeno ocorrendo por lá: como muitos perceberam que os nativos (é assim que os índios são chamados por lá) estavam conseguindo estabelecer-se economicamente, muitos norte-americanos passaram a reivindicar sua identidade indígena com a intenção de se beneficiar das leis nos estados indígenas. A busca por um reconhecimento de etnia era tanta que foi preciso aprovar leis que estabelecessem uma porcentagem de sangue indígena correndo nas veias para que a pessoa fosse reconhecida como nativa americana.  Há algum tempo  depois, andei comentando na rede social Twitter que isso iria ocorrer em Roraima, ou seja, que a demarcação das terras indígenas seria confirmada pela Justiça, as comunidades indígenas iriam conseguir se tornar um dos braços da economia local, ainda que incipiente, e que, depois de perceberem isso, muitos iriam buscar sua identidade indígena para p...

Túmulo caiado

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Jessé Souza* A carnificina de domingo, na Penitenciária Agrícola (?!) de Monte Cristo (Pamc), além de um cenário sombrio que vinha sendo anunciado, representa a realidade de um Estado comandado pela bandidagem que, por meio do crime organizado, montou um poder paralelo em Roraima.  As facções criminosas vêm mostrando seu poder há um certo tempo, muito antes de representantes desse atual governo terem negado a existência delas na tentativa de amenizar a ação dos bandidos pela tática da negação, como ocorria por aqui desde os tempos do “nada a declarar”. O fato é que há tempos os criminosos dão as cartas dentro e fora dos presídios, afrontando as autoridades constituídas, aterrorizando a população  e deixando refém todo o sistema prisional, este que consegue manter uma vigilância somente do portão principal para trás.  Atualmente, sem as condições de trabalhos necessárias e com um sistema falido, os agentes penitenciários e os policiais militares que atuam ...