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Fique vivo!

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Jessé Souza* Se for para morrer, nenhum lugar é bom. No entanto, em Boa Vista, definitivamente não é um bom lugar para os familiares daqueles que morrem. A começar pelo Instituto de Medicina Legal (IML), sob responsabilidade do Estado, que está caindo aos pedaços, oferecendo condições ingratas ao corpo de quem está na sua despedida deste mundo cruel e aos familiares que ainda choram o luto e têm que penar em mais um sofrimento. Depois desse percalço, se a família não tiver um jazigo no único cemitério público de Boa Vista, o de Nossa Senhora da Conceição, fatalmente terá que ir para o cemitério privado. E se não tiver dinheiro – e esse é o caso da maioria da população -, então será outro drama para pagar pelo serviço. Muitos só descobrem nessa hora quem são os verdadeiros amigos, porque o poder público já os abandonou faz tempo. Dentro desse quadro, morrer em Roraima é a última fronteira ingrata para quem está partindo e impondo tal angústia extra aos que ficam. O gove...

Recados da natureza

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Jessé Souza* Anualmente enfrentamos os mesmos graves problemas cuja origem principal vem da natureza, a estiagem, que provoca seca em todo o Estado e contribui sobremaneira para o avanço das queimadas, prática arcaica, porém essencial para a agricultura, uma vez que tecnologia é inalcançável para os pequenos produtores.   Quando a agricultura e a pecuária enfrentam riscos e prejuízos, a cidade sofre as consequências. E a falta de água também é um problema que causa preocupação às cidades, as quais podem sofrer desabastecimento de água potável, como já vem ocorrendo em algumas localidades do interior de Roraima. Enquanto as autoridades precisam correr contra o tempo e ainda torcer para a natureza ser bondosa, é essencial refletir sobre a proteção ambiental, um fato imprescindível para que nossos mananciais de água potável estejam seguros, protegidos, e assim a força da natureza não se tornar mais severa do que já é em seus fenômenos, a exemplo do que vem ocorrendo c...

Tambor de lixo e o Brasil

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Jessé Souza* Tornaram-se públicos certas atitudes e comportamentos depois que a tecnologia nos colocou à disposição a possibilidade de assistir vídeos a qualquer momento nas redes sociais ou repassados pelo celular. Da desgraça humana à bondade que ainda resiste no mundo, a Era do compartilhamento nos fez ver de tudo. Sempre há uma surpresa nos esperando na próxima cena. A mais recente foi a de um vídeo postado que mostra um senhor, em um imponente e reluzente carrão prateado, furtando um tambor de lixo em frente a um estabelecimento, a certa hora da noite. Conforme as imagens, o senhor estaciona o carro, fica diante da lixeira por alguns segundos, olha para um lado para o outro e coloca o tambor na caçamba de sua picape. E some diante dos olhos incrédulos das pessoas que acham que somente um “pé-rapado” ou um “noiado” poderia furtar um tambor de lixo para vender, a fim de conseguir uma grana qualquer, ou por não ter dinheiro para comprar um. E assim vamos construindo e...

Resquício do picuá

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Jessé Souza*   Na década de 80, Boa Vista parecia um filme de faroeste caboclo, muito mais realista do que o cantado pela banda Legião Urbana, que acabou virando filme. Tempo do El Dorado, o comércio boa-vistense era obrigado a ter uma balança de precisão para receber o pagamento das mercadorias em ouro. Os preços eram estratosféricos porque a moeda que tinha valor era apenas o ouro. Ostentação era ter uma garrafinha de plástico pendurada na cintura cheia de pó de ouro. Essa garrafinha era chamada de picuá. Quem chegava com um picuá na cintura era reverenciado. E quem não tinha uma balança de precisão perdia o cliente. Obviamente que, enquanto o comércio faturava alto, dando-se ao luxo de dispensar um cliente com dinheiro na mão (a não ser que fosse dinheiro em mochila de um garimpeiro), a periferia ficava com o ônus da carestia e da violência que fatalmente chega com o garimpo predatório. Havia garimpeiro que pedia para tomar cerveja na calçada do bar para que ele pudesse...

Largados na casa nova

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Jessé Souza* O que está acontecendo no Residencial Vila Jardim, no bairro Cidade Satélite, para onde se mudaram quase três mil famílias, nada mais é do que eu comentei aqui, no ano passado: o governo entrega as unidades habitacionais e depois larga as pessoas sem acompanhamento social e assistência em todos os sentidos.  Por ser o maior conjunto habitacional do Estado, obviamente os problemas por lá são maiores. Porém, esta situação se repete em todos os demais conjuntos entregues à população, a qual fica à mercê da insegurança, da mínima organização em relação a condomínio e assistência por parte do poder público. Por fora, visivelmente parece que tudo está bem bonito e arrumado. Mas, por dentro, estão os graves problemas, a começar pela nova vida a que estas pessoas terão que se adaptar, ao serem obrigadas a adotar regras de convivência e a regulação por meio de condomínio. Como nada disso foi planejado, com determinação política para conscientizar, orientar e ...

Bandidos on-line

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Jessé Souza* Nenhuma novidade no sistema prisional. Os presos continuam cavando túneis e usando as redes sociais para ostentar e tripudiar com as autoridades. A diferença é que eles têm uma internet mais potente do que nós, reles cidadãos, largados às conexões fuleiras oferecidas pelas operadoras nos bairros de Boa Vista e no interior. Não é difícil pôr ordem neste pardieiro, ou melhor, nessa colônia de férias para bandidos. Difícil é o governo ter competência e vontade política para mudar essa realidade. Mas não vai mudar, porque esse problema crônico é inerente aos políticos e administradores públicos acostumados somente a muito dinheiro. Com a crise, então já se sabe que tudo continuará na mesma. Ficar na mesma significa que a ciranda do crime seguirá: presos fazendo o que bem entendem no sistema prisional, fugindo para cometer crimes aqui fora e voltando para os braços das organizadas facções dentro dos presídios. E o governo fingindo que está fazendo alguma coisa,...

Tetas, penduricalhos e choros

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Jessé Souza* Os novos tempos exigem mudança de comportamento dos administradores públicos que sempre viveram de remendar pano velho com pedaços de pano novo. Com a crise política e econômica que se abate sobre o Brasil, não dá mais para os políticos agirem com antigas práticas, achando que vão surfar nos banzeiros da vida boa de antes. As tetas dos cofres públicos não suportam mais as bocas famintas nem as farras homéricas. Ou as autoridades renunciam às mazelas e à boa vida, ou iremos afundar ainda mais (traduzindo: ou o povo irá pagar muito mais caro por isso). O Brasil está quebrado e o Estado de Roraima não consegue viver de seus próprios recursos – como já sabemos de cor e salteado. Chegamos à encruzilhada e, agora, os governantes são obrigados a enxugar a máquina de verdade, sem as enganações de sempre, quando se demitia de um lado e se contratava de outro, colocando os indicados da política do toma-lá-dá-cá, os apaniguados, os agregados e os parentes. A cris...