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Harmonia e caos

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Obra de Luiz Zerbini Jessé Souza* Os moradores da Capital não têm nenhuma dúvida da competência da atual administração municipal para embelezar a cidade com flores e jardins. Nossos canteiros centrais estão aí, como cartão-postal e como prova disso. De jardineiros estamos muito bem servidos, obrigado! Mas, e a Saúde, a Educação e o Trânsito? E todos os demais setores? Na área de saúde, os postos médicos municipais eram para começar a funcionar 24 horas a partir do dia 1º de fevereiro. Seria! Porque quem acreditou na propaganda acabou enfrentando uma perambulação até mesmo para uma simples vacinação de uma criança, então imagine os demais serviços mais complexos. Na área da educação, pais que acreditaram na propaganda do atendimento eficiente via “Call Center”, nome “abonitado” para “Central de Atendimento por telefone”, tiveram que amargar decepção na volta às aulas porque não conseguiram vaga para seus filhos. E isso é apenas um exemplo diante de outros problemas. ...

Cenário do horror

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Jessé Souza * Fomos subir a Serra de Pacaraima no fim de semana. Talvez não tenha sido uma boa escolha pelo momento das queimadas. Eu e a minha companheira de vida e aventuras, Ellen Lima, fomos bem recebidos na comunidade do Bananal, por onde há a trilha para alcançar o todo da serra que dá nome ao município na fronteira com a Venezuela, na fronteira com a Venezuela, Norte do Estado, e que também faz parte da letra do Hino de Roraima. Embora o momento não fosse oportuno, pudemos ter a noção exata do que o fogo é capaz de fazer com a natureza. O cenário de devastação nos acompanhou até bem perto do cume. Era uma trilha de cinzas, toco de árvores que viraram carvão, o marrom de tom triste da vegetação estorricada e muita fumaça vindo de queimadas por toda a região. Não havia como não cansar o pulmão com tanta fumaça, cinza e fuligem. Faltando alguns metros para chegarmos ao topo, o pulmão não suportou e o corpo pediu arrego, primeiro o da minha companheira e, logo em segu...

Fique vivo!

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Jessé Souza* Se for para morrer, nenhum lugar é bom. No entanto, em Boa Vista, definitivamente não é um bom lugar para os familiares daqueles que morrem. A começar pelo Instituto de Medicina Legal (IML), sob responsabilidade do Estado, que está caindo aos pedaços, oferecendo condições ingratas ao corpo de quem está na sua despedida deste mundo cruel e aos familiares que ainda choram o luto e têm que penar em mais um sofrimento. Depois desse percalço, se a família não tiver um jazigo no único cemitério público de Boa Vista, o de Nossa Senhora da Conceição, fatalmente terá que ir para o cemitério privado. E se não tiver dinheiro – e esse é o caso da maioria da população -, então será outro drama para pagar pelo serviço. Muitos só descobrem nessa hora quem são os verdadeiros amigos, porque o poder público já os abandonou faz tempo. Dentro desse quadro, morrer em Roraima é a última fronteira ingrata para quem está partindo e impondo tal angústia extra aos que ficam. O gove...

Recados da natureza

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Jessé Souza* Anualmente enfrentamos os mesmos graves problemas cuja origem principal vem da natureza, a estiagem, que provoca seca em todo o Estado e contribui sobremaneira para o avanço das queimadas, prática arcaica, porém essencial para a agricultura, uma vez que tecnologia é inalcançável para os pequenos produtores.   Quando a agricultura e a pecuária enfrentam riscos e prejuízos, a cidade sofre as consequências. E a falta de água também é um problema que causa preocupação às cidades, as quais podem sofrer desabastecimento de água potável, como já vem ocorrendo em algumas localidades do interior de Roraima. Enquanto as autoridades precisam correr contra o tempo e ainda torcer para a natureza ser bondosa, é essencial refletir sobre a proteção ambiental, um fato imprescindível para que nossos mananciais de água potável estejam seguros, protegidos, e assim a força da natureza não se tornar mais severa do que já é em seus fenômenos, a exemplo do que vem ocorrendo c...

Tambor de lixo e o Brasil

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Jessé Souza* Tornaram-se públicos certas atitudes e comportamentos depois que a tecnologia nos colocou à disposição a possibilidade de assistir vídeos a qualquer momento nas redes sociais ou repassados pelo celular. Da desgraça humana à bondade que ainda resiste no mundo, a Era do compartilhamento nos fez ver de tudo. Sempre há uma surpresa nos esperando na próxima cena. A mais recente foi a de um vídeo postado que mostra um senhor, em um imponente e reluzente carrão prateado, furtando um tambor de lixo em frente a um estabelecimento, a certa hora da noite. Conforme as imagens, o senhor estaciona o carro, fica diante da lixeira por alguns segundos, olha para um lado para o outro e coloca o tambor na caçamba de sua picape. E some diante dos olhos incrédulos das pessoas que acham que somente um “pé-rapado” ou um “noiado” poderia furtar um tambor de lixo para vender, a fim de conseguir uma grana qualquer, ou por não ter dinheiro para comprar um. E assim vamos construindo e...

Resquício do picuá

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Jessé Souza*   Na década de 80, Boa Vista parecia um filme de faroeste caboclo, muito mais realista do que o cantado pela banda Legião Urbana, que acabou virando filme. Tempo do El Dorado, o comércio boa-vistense era obrigado a ter uma balança de precisão para receber o pagamento das mercadorias em ouro. Os preços eram estratosféricos porque a moeda que tinha valor era apenas o ouro. Ostentação era ter uma garrafinha de plástico pendurada na cintura cheia de pó de ouro. Essa garrafinha era chamada de picuá. Quem chegava com um picuá na cintura era reverenciado. E quem não tinha uma balança de precisão perdia o cliente. Obviamente que, enquanto o comércio faturava alto, dando-se ao luxo de dispensar um cliente com dinheiro na mão (a não ser que fosse dinheiro em mochila de um garimpeiro), a periferia ficava com o ônus da carestia e da violência que fatalmente chega com o garimpo predatório. Havia garimpeiro que pedia para tomar cerveja na calçada do bar para que ele pudesse...

Largados na casa nova

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Jessé Souza* O que está acontecendo no Residencial Vila Jardim, no bairro Cidade Satélite, para onde se mudaram quase três mil famílias, nada mais é do que eu comentei aqui, no ano passado: o governo entrega as unidades habitacionais e depois larga as pessoas sem acompanhamento social e assistência em todos os sentidos.  Por ser o maior conjunto habitacional do Estado, obviamente os problemas por lá são maiores. Porém, esta situação se repete em todos os demais conjuntos entregues à população, a qual fica à mercê da insegurança, da mínima organização em relação a condomínio e assistência por parte do poder público. Por fora, visivelmente parece que tudo está bem bonito e arrumado. Mas, por dentro, estão os graves problemas, a começar pela nova vida a que estas pessoas terão que se adaptar, ao serem obrigadas a adotar regras de convivência e a regulação por meio de condomínio. Como nada disso foi planejado, com determinação política para conscientizar, orientar e ...