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Da cegueira ao golpe

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Jessé Souza* Tudo o que estamos passando, em Roraima, é a soma de todos os erros que vêm sendo cometidos na política, os quais acabaram sendo abonados pelo eleitor roraimense, muitas vezes votando por interesses, outras acreditando nas mentiras dos políticos, deixando-se enganar pelos sofismas bem elaborados ou mesmo entrando numa paixão política cega por grupos ou lideranças. Tirando a compra de votos, a enganação dos políticos levou muita gente a acreditar em lideranças ou em grupos, criando uma espécie de messianismo do lavrado, com as pessoas perdendo a capacidade de questionar as mentiras que pareciam muito óbvias, mas não para quem se deixa levar pelos discursos inflamados.  A exemplo, já caímos no “golpe do asfaltamento da estrada”. Os políticos viviam dizendo que iríamos alcançar o desenvolvimento quando as rodovias que nos ligam ao Brasil e aos países vizinhos estivessem asfaltadas. Montanhas de recursos federais chegaram, as rodovias estão asfaltadas e mais...

Ecos que vêm do Rio (Parte II)

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Jessé Souza* A chegada de uma liderança evangélica neopentecostal à Prefeitura do Rio de Janeiro é o início da concretização dos planos dos pastores eletrônicos que almejam os níveis mais altos da política brasileira. A partir do “efeito Crivella”, ninguém pode mais duvidar disso, ainda que a realidade carioca tenha algumas especificidades a serem observadas e consideradas. A desilusão dos brasileiros com a política partidária contribuiu sobremaneira para colocar no poder um candidato da Igreja Universal do Reino de Deus, a terceira com mais fiéis no Brasil e proprietária da segunda maior TV do Brasil, a Record. Não esqueçamos que essa igreja tem o perfil escrachadamente de demonizar as outras religiões e aponta a homossexualidade como um dos piores pecados da humanidade, mandando sumariamente a turma GLBT para o fogo do inferno. Embora o eleitor brasileiro não parecesse tão conservador, uma vez que a História mostra que já elegemos um presidente sociólogo, um presidente o...

Ecos que vêm do Rio (Parte I)

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Jessé Souza* Os teóricos terão que refazer suas análises sobre a conjuntura política e a realidade do Brasil depois do resultado das urnas deste ano. A vitória de Crivella no segundo turno, para conduzir a Prefeitura do Rio de Janeiro, a Capital do segundo maior Estado brasileiro, era o que faltava para começarmos a atender (ou não entender mais nada) sobre o que está acontecendo no país da Lava Jato, dos conservadores e dos reacionários avançando e do golpe fatal com a espada na cabeça do projeto político de esquerda. Antes do segundo turno, os analistas afirmavam que os evangélicos conseguiriam ter expressão apenas na eleição para os legislativos (vereadores e deputados), com as igrejas arrebanhando votos nos redutos em suas cidades e estados, mas sem força para conduzir candidatos aos executivos (prefeitos, governadores e presidente da República). Os teóricos afirmavam que as igrejas evangélicas são bem definidas em suas doutrinas e divididas entre conservadoras e mod...

Ecos que vêm do Rio (Parte I)

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Jessé Souza* Os teóricos terão que refazer suas análises sobre a conjuntura política e a realidade do Brasil depois do resultado das urnas deste ano. A vitória de Crivella no segundo turno, para conduzir a Prefeitura do Rio de Janeiro, a Capital do segundo maior Estado brasileiro, era o que faltava para começarmos a atender (ou não entender mais nada) sobre o que está acontecendo no país da Lava Jato, dos conservadores e dos reacionários avançando e do golpe fatal com a espada na cabeça do projeto político de esquerda. Antes do segundo turno, os analistas afirmavam que os evangélicos conseguiriam ter expressão apenas na eleição para os legislativos (vereadores e deputados), com as igrejas arrebanhando votos nos redutos em suas cidades e estados, mas sem força para conduzir candidatos aos executivos (prefeitos, governadores e presidente da República). Os teóricos afirmavam que as igrejas evangélicas são bem definidas em suas doutrinas e divididas entre conservadoras e mod...

O pior dia de todos os tempos

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Jessé Souza* Hoje, Dia do Servidor Público, mais que nunca, deve servir de momento de reflexão para todas as categorias em Roraima, pois o momento é de crise e de muita incerteza quanto ao futuro. Para os servidores estaduais, o parcelamento e o atraso dos salários são o fundo do poço que vinha sendo anunciado, mas que ninguém queria acreditar.  O essencial a perceber é que o buraco deste poço vem sendo cavado há muito tempo. Não se trata de um problema do governo atual ou da administração anterior. Trata-se de uma conjuntura, de uma política (ou falta dela) adotada por todos os governos desde a instalação do Estado. O funcionalismo público sempre foi usado como moeda eleitoral e política desde os primórdios. Apoio político sempre foi comprado com cargos públicos, cujas cotas eram distribuídas como moeda de apoio para sustentar a bancada governista ou cooptar aliados no Legislativo. O povo também foi aliciado com oferecimento de cargos públicos por meio de cargos...

Cabeça na bandeja

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Jessé Souza* Não há dúvidas de que é necessário arrumar a casa e tomar medidas drásticas para que o Brasil volte aos trilhos. E a PEC 241 surgiu com esta proposta de ser a “luz no fim do túnel” nesses tempos de severa crise. Porém, o que os defensores do texto da Proposta de Emeda à Constituição da forma que foi aprovada na Câmara não querem enxergar é que apenas o povo será penalizado, como se a vida dos mais pobres já não fosse difícil. Não haverá o mínimo de sacrifício de quem já é milionário e vive com privilégios, a exemplo de parlamentares, magistrados, promotores e os mais ricos que têm dinheiro guardado no exterior. Pelo contrário, os banqueiros serão os mais beneficiados com pagamento de juros na casa dos bilhões. A “PEC da Morte”, como vem sendo chamada, congelará até 2036 todos os gastos na saúde e na educação (como se já não fossem ínfimos), além de mexer na Previdência e no serviço público, com previsões sombrias para o mais os pobres, os assalariados, mulhe...

O piloto sumiu

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Jessé Souza* Quando os mandatários de todos os poderes constituídos, além dos órgãos e entidades que deveriam fiscalizar, mostram-se mais interessados em resolver seus problemas pessoais do que com o bem público, acontece isso: o crime organizado se apodera do Estado. Como a maioria das autoridades deixou de olhar por Roraima, os criminosos se organizaram e montaram um poder paralelo que dá às ordens de dentro dos presídios. Há quase dois anos o sistema prisional vem dando sinais de colapso total, mas pouco se fez antes, durante e depois. Com a carnificina registrada no dia 16 passado, na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, todos se viram obrigados a agir, pois a situação  chegou ao fundo do poço, com as facções criminosas se devorando no que restou de estrutura caindo aos pedaços. Com as autoridades inertes, o tráfico de drogas dominou boa parte dos bairros de Boa Vista, do mais nobre, na zona Leste, ao mais pobre, na zona Oeste. E a área conhecida como Beiral, no...